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Aquele trecho de livro que arrasa o coração do leitor/escritor



Será que eu me identifiquei com esse trecho do livro A Velocidade da Luz, do Javier Cercas? 
Que livro, minha gente! Um verdadeiro primor! 


"- Aí é que você se engana - disse Rodney. - Todo mundo olha para a realidade, mas poucas pessoas a veem. Artista não é quem torna visível o invisível (isso sim que é romantismo, embora não da pior espécie); artista é quem torna visível o que já é visível e que todo mundo olha, mas ninguém pode, ou ninguém sabe, ou ninguém quer ver. De modo geral, ninguém quer ver, mesmo. São coisas bem desagradáveis, muitas vezes horrendas, que é preciso ter muito colhão para ver e não fechar os olhos ou sair correndo, porque quem as vê se dana ou enlouquece. A menos, claro, que você tenha um escudo de proteção ou possa fazer algo com tudo aquilo que vê. - Rodney fez uma pausa e continuou: - Quero dizer que as pessoas normais gostam ou desgostam da realidade, mas não podem fazer nada com ela, ao passo que o escritor pode, sim, porque sua profissão consiste em dotar a realidade de sentido, mesmo que esse sentido seja ilusório; ou seja, ele pode dotá-la de beleza, e essa beleza ou esse sentido são seu escudo. Por isso eu digo que o escritor é um maluco que tem obrigação ou o duvidoso privilégio de ver a realidade, e por isso, quando um escritor para de escrever, acaba se matando, porque não consegue se livrar do vício de ver a realidade, mas já não tem aquele escudo para se proteger dela. Foi por isso que Hemingway se matou. E é por isso que, quando você é escritor, não consegue mais deixar de ser, ou só se partir para o tudo ou nada. É como eu disse: uma profissão muito filha da puta."



Trecho de Terça [Six Of Crowns]



"Eu negocio informações, Geels, as coisas que os homens fazem quando pensam que ninguém está olhando. A vergonha tem mais valor do que as moedas podem ter."

Six Of Crowns


Trecho de Terça [Três coisas sobre você]



"Os dias perfeitos são para pessoas com sonhos pequenos, possíveis de serem realizados. Ou talvez para todos nós eles só aconteçam em retrospecto: só são perfeitos agora porque contêm alguma coisa irrevogável e irrecuperavelmente perdida." 

Três coisas sobre você.


[Trecho de Terça] Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently


Douglas Adams é um dos meus autores prediletos da galáxia. O primeiro e incrível Mochileiro. Eu adoro as sacadas inteligentes em seus livros, e tenho um verdadeiro fascínio pelo jeito que ele põe graça em coisas que aparentemente não deveriam ter. Ler um livro do Adams é se questionar a todo momento o motivo de se estar rindo, e querer saber o que perguntaria a ele se tivesse a chance para isso. Esse é seu livro mais recente, e eu já estou completamente apaixonada. 

"As pessoas, e até as coisas na verdade, pareciam mais genuínas quando montadas a cavalo. Então, considerou-se que duas pernas eram mais adequadas e baratas do que números primos mais normais, como 17,19 e 23; a pele era de aparência rosada, em vez de púrpura, além de macia e lisa em vez de irregular e sulcada. Eles também ficavam restritos a uma só boca e nariz, porém ganhavam um olho a mais para compensar, o que lhes dava um total de dois deles. Eram criaturas muito, muito estranhas. Mas com uma tendência verdadeiramente extraordinária para acreditar nas coisas mais absurdas." 

[Trecho de Terça] Sobre a Escrita


Eu sempre soube que curtia ler relatos biográficos, acho que por ser curiosa.
E quando os relatos biográficos são sobre escritores é que o negócio ganha uma proporção gigantesca para mim. Foi assim lendo a biografia de Tolkien, e também a de Capote.
Quando soube que Sobre a Escrita iria ser publicado no Brasil eu pirei. Tipo, pirei de dançar pela casa. Foi patético!
Não leio relatos biográficos de pessoas vivas, mas como no caso desse livro o King se volta muito mais para o seu lado de escritor do que de vida como um todo, resolvi que esse eu queria e PRECISAVA ler. Então eu ganhei de aniversário, e eis que ele está aqui. E definitivamente esse livro merece um espaço em todas as colunas desse site.
Conheçam um pedaço de Sobre a Escrita.


Acho que só depois dos 40 anos me dei conta de que praticamente todos os escritores de ficção e poesia que já publicaram uma linha que seja foram acusados de desperdiçar o talento que Deus lhes deu. Se você escreve (pinta, dança, esculpe ou canta, imagino eu), alguém vai tentar fazer com que você se sinta mal com isso, pode ter certeza. Não estou me lamentando aqui, apenas tentando mostrar os fatos como os vejo. 

[Trecho de Terça] O Evangelho Segundo Hitler


Eis um livro que me despertou curiosidade simplesmente por aparecer num site importante, através de um colunista de literatura citando as obras modernas brasileiras que deveriam ser lidas. E então, comentando sobre esses livros com um amigo que trabalha com literatura no Sesc, ele disse que tinha O Evangelho em casa e que me emprestaria se eu quisesse. Claro que quis! 
Imagina a minha surpresa quando comecei a folhear e percebi que o livro é muito mais do que o título diz, e é justamente isso ao mesmo tempo. 

"Engraçado. Aprendi - somos obrigados a aprender - que Judas é o grande vilão e nunca paramos para pensar no ato horrendo perpetrado pelo fundador da Igreja. Por acaso a cobiça é um crime maior que a covardia? Judas ainda tem atenuantes. Poderia, quiçá, precisar do dinheiro, poderia passar por necessidades financeiras. A covardia não. A covardia é vilania pura da alma. Marca nasciturna que não sai com banho ou com reza, signo de nascença, sem justificativas e sem perdão. Judas traiu no silêncio; apenas os romanos foram testemunhas de sua delação. Pedro não. Pedro fez pior: traiu Jesus em frente; negou Cristo olhando em seus olhos. Não é verdade o dito popular que o que os olhos não veem o coração não sente? Judas cometeu seu delito em segredo. Com os romanos, combinou apenas um código de delação. Poderia ter gritado, apontado dedo em riste, palavras injuriosas: "Este é o Rei dos Judeus". Seu ato foi secreto e, de toda forma, mais respeitoso que o de Pedro."

Trecho de Terça [Reparação]


Reparação é daqueles livro que quando a gente termina quer socar alguém, ou socar até o próprio mundo por não ter exatamente quem socar. E não, não é porque o livro é ruim, mas é que ele é tão absurdamente bom, que não consigo imaginar uma existência onde McEwan não tenha escrito essa obra. 
Li Reparação alguns anos atrás, mas queria resenhar para o blog, portanto estou relendo. Mas uma coisa é certa... você vai amar, se deliciar, se encantar e depois querer destruir o mundo por não ser justo com a felicidade. 

“Como pode uma romancista realizar uma reparação se, com seu poder absoluto de decidir como a história termina, ela é também Deus? Não há ninguém, nenhuma entidade ou ser mais elevado, a que ela possa apelar, ou com que possa reconciliar-se, ou que possa perdoá-la. Não há nada fora dela. Na sua imaginação ela determina os limites e as condições. Não há reparação possível para Deus nem para os romancistas, nem mesmo para os romancistas ateus. Desde o início a tarefa era inviável, e era justamente essa a questão. A tentativa era tudo.” 

Trecho de Terça (A Menina que roubava livros)


Não poderia deixar passar despercebido pelo blog a estreia maravilhosa no cinema de A Menina que Roubava livros, e como ainda não consegui ir conferir, resolvi trazer um trecho do livro. O difícil foi conseguir selecionar apena uma coisa, visto que o livro inteiro é cheio de trechos maravilhosos. Então eu usei o critério que mais uso por aqui: Aquele que mais tem haver comigo, entra. 
Vamos conferir? 


"Seu primeiro plano de ataque foi plantar as palavras em tantas áreas de sua terra natal quantas fosse possível. Plantou-as dia e noite, e as cultivou. Observou-as crescer, até que grandes florestas de palavras acabaram crescendo por toda a Alemanha. Era uma nação de pensamentos cultivados."


Trecho de Terça (Menino de Ouro)


Não podia existir uma única coluna aqui no blog que Menino de Ouro deixaria de entrar, principalmente uma que fala de trechos interessantes dos livros. 
O trecho que trouxe não é o melhor do livro, mas foi um que me identifiquei ao extremo e que anda martelando na minha cabeça nos últimos dias. 

"Não me incomodo de ser sozinha agora. Estou acostumada a isso, mas sinto falta de saber que existe alguém por aí que me aguente, que talvez me ache engraçada e que seja engraçado também. Sinto falta de ter alguém com quem possa ser ridícula e morrer de rir junto; sinto falta de ter alguém que faça com que me sinta não esquisita ou, quem sabe, me mostre, não importa quão esquisita eu seja, que existe alguém por ai tão bizarro quanto eu. Ás vezes, entro em pânico por causa disso, mas é só maluquice. Eu só tenho dezesseis anos. E vou encontrar alguém legal." 


Trecho de terça (Coisas que ninguém sabe)


D'Avenia é daqueles escritores que entram na gente e quando a gente vai perceber ele já se instalou na nossa alma. Eu simplesmente adoro ler os livros dele!
Não são daqueles que dá pra ler rápido, porque tudo aqui precisa ser degustado como vinho caro. 
Para quem conhece, sabe do que estou falando. Para quem não conhece, PRECISAM conhecer a escrita desse homem!
E hoje trago um trecho de "Coisas que Ninguém sabe", que pode gerar polêmica simplesmente porque algumas pessoas nasceram para permanecer de outras; e algumas muitas, como eu, nasceram para o "eterno enquanto dure", e para mim isso é bem pouco. 

Trecho de Terça (Cidades de Papel)


E novamente temos Green nessa coluna, gente!
Eu sou louca pelos livros dele, apesar de ter ficado com ressaca de todos os que li. 
Trouxe um dos meus trechos prediletos do livro, e foi bem difícil de selecionar. 
Espero que vocês gostem!!



"Talvez seja mais como o que você falou antes, rachaduras em todos nós. Como se cada um tivesse começando como um navio inteiramente à prova de água. Mas as coisas vão acontecendo... As pessoas se vão, ou deixam de nos amar, ou não nos entendem, ou nós não as entendemos... E nós perdemos, erramos, magoamos uns aos outros. E o navio começa a rachar em determinados lugares. E então, quando o navio racha, o final é inevitável. Quando começa a chover em Osprey, ele nunca vai voltar a ser o que era. Mas ainda há tempo entre o momento em que as rachaduras começam a se abrir e o momento em que nós nos rompemos por completo. E é nesse intervalo que conseguimos enxergar uns aos outros, porque vemos além de nós mesmos, através de nossas rachaduras, e vemos dentro dos outros através das rachaduras deles."


Trecho de Terça [On The Road]



Jack Kerouac meio que sem querer, se tornou um precursor de uma geração de jovens quando publicou On The Road. Chamam-se Beats. Eram pessoas que tinham como regra de vida seguir as próprias regras. Jovens bebiam, fumavam, usavam drogas e caiam na estrada com a esperança de encontrar um entendimento melhor para as suas vidas. Isso teve um nome nessa época, mas é um pensamento comum de todos os jovens em todas as épocas do mundo desde que ele compreendeu e começou a usar como prática uma coisa chamada: Cidadania. Liberdade de expressão pode fazer muita coisa na cabeça de alguém, imagine alguém que duvide tanto do mundo. 
Eis o melhor quote de On The Road, na minha humilde opinião.

Trecho de Terça


Quem é você, Alasca?


Todos sabemos o quanto John Green pode ser genial com enredos de livros até bem simples, não é? A Culpa é das Estrelas me deixou traumatizada por uns tempos; com uma vontade louca de sair correndo de gritando. Quem é você, Alasca? Me deixou em uma confusão eterna sobre os pensamentos dos jovens. Como vocês aqui sabem, eles sempre foram meu objeto de estudo predileto!


Quando os adultos dizem: ‘Os adolescentes se acham invencíveis’, com aquele sorriso malicioso e idiota estampado na cara, eles não sabem o quanto estão certos. Não devemos perder a esperança, pois jamais seremos irremediavelmente feridos. Pensamos que somos invencíveis porque realmente somos. Os adultos esquecem disso quando envelhecem. Ficam com medo de perder e fracassar. Mas essa parte que é maior do que a soma das partes não tem começo e não tem fim, e, portanto não pode falhar.

Trecho de Terça


 O Motivo


Se eu pudesse adjetivar a escrita de Patrick Ness, diria que ela é dura e deixa correr uma espécie de mel que há muito tempo não vejo nos livros que leio. É o amargo do doce. É perfeita!
Essa é uma das minhas frases prediletas do livro. Espero que vocês, como eu, curtam também.


- O que eu penso é o seguinte – eu digo e a minha voz está mais forte e os pensamentos estão vindo, pensamentos que escorrem no meu Ruído como sussurros da verdade. – Eu acho que talvez todo mundo caia – eu digo. – Acho que talvez todos nós vamos ter que cair. E acho que a questão não é essa.
Eu puxo seus braços gentilmente pra ter certeza de que ela está me ouvindo.
- Acho que a questão é conseguir se levantar de novo.  

Trecho de Terça



Calafrio (Maggie Stiefvater)


A Maggie é uma das minhas escritoras prediletas. Ela tem uma forma visceral e altamente poética de dizer uma coisa que, para alguns, parece tão banal. Nesse livro, em específico, ela faz muitas referências a Rilke; um poeta alemão. Tem um trecho específico que morri de amores, mas acredito que não tenha sido escrito por ela. Tentei procurar e não achei o escritor. Se alguém souber a origem desse trecho de poema, por favor, peço que me diga. 


“Estou sozinho no mundo, mas não tão sozinho que seja capaz de tornar cada minuto nosso sagrado. Estou em baixa neste mundo, mas não tão em baixa que seja capaz de ficar diante de você como uma coisa, sutil, secreta. Quero minha própria vontade, e quero simplesmente estar com minha vontade, quando ela se transformar em ação. E nos tempos silenciosos e às vezes difíceis das mutações, quando algo se aproxima, quero estar com os que conhecem coisas secretas, ou senão, sozinho. Quero refletir tudo que há em você, e nunca ser tão cego ou tão antigo que mantenha comigo sua variante e complexa imagem. Quero me revelar. Não quero estar oculto em lugar algum, porque, quando estou oculto, sou uma mentira."



Trecho de terça

"Divergente"  (Veronica Roth)


- Em certas partes do mundo antigo, o gavião simbolizava o sol. Quando fiz essa tatuagem, pensei que, se eu carregasse o sol sempre comigo, não teria medo do escuro. 


Trecho de Terça


O Segredo de Eva (Adriana Vargas)


 
"Chris voltou para casa ainda chocado. Suas lágrimas caiam uma atrás da outra quando me viu. Abracei-o, mas ele não correspondeu. Estava trancado e mudo em sua dor. Sua voz não voltou, após o choque emocional, eu sabia que estaria ali, para o que der e vier. Passamos os dias, dormindo juntos, e para não causá-lo angústia, eu pedi que escrevesse 
 o que sentia, oferecendo-lhe um caderno e uma caneta. Suas mãos trêmulas, pegaram o que ofereci, e passou a escrever:
“Eu pensei que a AIDS matava muito mais rapidamente, me enganei. A estupidez e a falta de amor, mata, dilacera e acaba não somente com sua vítima, mas com todos à sua volta.”
Para lhe demonstrar apoio, naquele momento tão delicado, ao invés de dizer, o respondi, na mesma folha do caderno:
“Vamos nos amar e cuidar um do outro, como no pacto que fizemos para nos preservar de uma morte tão miserável... Eu estou do seu lado até o fim...”
Eu o abracei e me deitei com ele em meu peito. Ninando-o como se faz a um filho, um ser que precisa de amparo, de amor e proteção. Tudo se resumia apenas em uma palavra que jamais poderia copiar, ou inventar algo semelhante... esta palavra chama-se – amigo.
— Eu o entendo, mesmo quando suas palavras perderam a fala... Eu te amo Chris, muitas vezes, você substituiu o ventre de minha mãe e o abraço de um irmão, estou aqui, para retribuir.
Ser amigo é sentir o que isso significa - é o humano do ser."



Trecho de Terça


Os Miseráveis (Victor Hugo)


"O futuro pertence ainda mais aos corações do que aos espíritos. 
Amar é a única coisa que pode ocupar a eternidade. 
Ao infinito é necessário o inesgotável.

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Trecho de terça

  "A História sem fim (Michael Ende)"



"... podemos estar convencidos durante muito tempo - anos talvez - de que queremos alguma coisa, se soubermos que nosso desejo é irrealizável. Porém, se de súbito nos vemos diante da possibilidade de este desejo ideal se transformar em realidade, passamos a desejar apenas uma coisa: nunca tê-lo desejado."

Trecho de terça

O segredo de Brockeback Mountain (Annie Proulx)


“Por essa época Jack começou a aparecer em seus sonhos, Jack como era da primeira vez em que o vira, cacheado, sorridente e dentuço, falando em deixar de preguiça e assumir o controle, mas a lata de feijão com o cabo da colher para fora e equilibrada na tora de madeira também estava ali, com o formato caricatural e as cores gritantes que conferem aos sonhos um sabor de obscenidade cômica. O cabo da colher era do tipo que se podia usar como uma chave de roda. E às vezes ele acordava triste, às vezes com a antiga sensação de alegria e alívio; às vezes com o travesseiro molhado, às vezes com o lençol. Havia um espaço aberto entre aquilo que ele sabia e aquilo que tentava acreditar, mas nada se podia fazer a respeito, e, se não dá para consertar, a gente tem que aguentar”.