Resenha de "O Coração do Leão" (Mia Sheridan)

Título: O Coração do Leão
Autor: Mia Sheridan
Editora; Arqueiro (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Cada livro da coleção Signos do Amor é inspirado nas características de um signo do Zodíaco. Esta história se baseia na mitologia de Leão e fala sobre as surpresas que a vida nos reserva.Evie e Leo se conheceram ainda crianças, em um lar adotivo, e logo se tornaram grandes amigos. Com o tempo, a amizade se transformou em uma paixão avassaladora, e eles juraram ficar juntos para sempre.
Quando Leo foi inesperadamente adotado na adolescência e teve que se mudar para outra cidade, prometeu a Evie que entraria em contato com ela assim que chegasse lá e que voltaria para buscá-la quando ela fizesse 18 anos. Mas ele nunca mais deu notícias.
Oito anos depois, apesar das circunstâncias, Evie conseguiu dar a volta por cima. Tem um emprego, amigos e está feliz. Então, de repente, um homem chamado Jake Madsen surge em sua vida, alegando ter sido enviado por Leo para saber como ela está.
Evie não consegue evitar a atração que sente por esse homem sensual e misterioso. Mas será que ela pode confiar em um estranho? Ou será que ele está guardando um segredo sobre sua real ligação com Leo e os motivos que o levaram a sumir de sua vida anos atrás?

 Pois é. O Coração do Leão não é o tipo de livro que vocês costumam ver em resenhas por aqui. Me afasto o máximo que posso de New Adult porque até eles tem o "mais do mesmo" que anda me deixando impaciente em minhas leituras. Ninguém ousa, e isso é irritante. 

No entanto eu acabei solicitando e acredito que tenha sido por falta de opção no mês que pedi. Queria ler um livro antigo do catálogo do Arqueiro, mas não acho justo deixar de pedir ao menos um lançamento para divulgar o trabalho da editora naquele mês e chamar a atenção dos leitores. E o escolhido para isso foi O Coração do Leão. 

Olha, de modo geral não me decepcionei com o livro, apesar de ter revirado os olhos de nervosismo em muitos momentos. Não cheguei a ler o primeiro dessa série dos signos, e não é necessário, já que os livros são bem individuais. Mas pelas resenhas que andei lendo, sei que a autora foi muito feliz em escolher as problemáticas da outra história, e digo que ela também foi feliz aqui em relação a isso nesse livro. O que foi infeliz, ao meu ver, foi o jeito como trabalhou os personagens em "modo casal". 

O livro, mesmo curto, é bem completo em sua proposta. Tem momentos do passado e do presente dos personagens, e isso faz toda a diferença para nos aproximarmos dos sentimentos de ambos no futuro. O enredo é basicamente isso que está na sinopse: Crianças se conhecem e se apaixonam em um orfanato. São separados depois que um é adotado, com uma promessa de reencontro no futuro. Acontece que o carinha acaba morrendo e manda um de seus amigos para checar se Evie está bem. Esse aparecimento do amigo vai mexer com ambos, principalmente com a garota que se vê numa mistura de culpa e sofrimento pelo primeiro amor que morreu, e um desejo alucinado pelo cara que está na vida dela naquele momento. 

Evie foi uma personagem que me conquistou de cara pela perseverança de vida. Tem dois trabalhos e se esforça muito para conseguir as coisas, o que admirei logo na menina. Já Jake tem o esteriótipo de homem que não suporto: Controlador. 

Porque diabos os autores insistem em criar personagens assim? As mulheres devem gostar, ou os livros não fariam sucesso. Comigo não rola. O cara quer controlar o que a menina come, como anda, com quem fala, como se veste... Ahhh, vá! Nem minha mãe comanda minha vida desse jeito, imagina um homem! E logo no início a gente percebe que Evie facilita muito esse tipo de comportamento de Jake. 

Existe entre os dois aquele tipo de química que só se vê em livros e que realmente me irritam. Qual o problema de se construir as coisas lentamente? Principalmente porque envolve a situação de uma morte. Ficou frio demais, saca? Isso foi meio sem propósito. 

Contudo, mesmo com todas as reclamações, a leitura fluiu com facilidade para mim por conta do mistério que envolvia Jake. O leitor sabe que tem algo e fica agoniado até descobrir. Tudo bem que não foi uma big surpresa, mas gostei do tema que Mia usou para contar essa história. Tem suas pitadas de drama forte, e aquele gostinho de sacanagem que permeia esse tipo de livro. 

Para quem gosta do estilo, fica a dica. Mas se você, como eu, anda fugindo do tipo, ainda assim indico arriscar. Tirei muita coisa bacana dessa leitura, sem contar que a escrita de Mia é gostosa e você lê num fôlego só. 

Resenha de "2111 D.C. - O Condado dos Expatriados" (Ricarte Sales)

Título: 2111 D.C. 
Autor: Ricarte Sales
Editora: Ler Editorial (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Em dezembro de 2036, um mês após eclodir a Terceira Grande Guerra, uma série de catástrofes, aparentemente naturais, e uma suposta arma química em forma de vírus, dizimou, a nível global, mais de 99,9% da espécie humana.Nos seis meses que se seguiram, o nível do mar subiu cerca de 70 metros, ao passo em que a crosta terrestre tornou-se instável, salvo um conjunto de arquipélagos recém-formado, nas proximidades fronteiriças das antigas nações da Costa Rica e Panamá. Por motivos ainda não conhecidos, essa passou a ser a única área estável do planeta de que se tem notícia.
Nas primeiras duas décadas após o Dezembro de 2036, ou “D36” como ficou conhecido, esta área foi sistematicamente ocupada pelos últimos remanescentes da população humana. A maior parte, resgatada e trazida por expedicionários, dos mais variados rincões dos antigos continentes.
Doze Cidades-Estado emergiram e a zona estável, com as mais de duzentas ilhas que a compunha, foi demarcada e subdividida entre elas. Posteriormente, este número cairia para onze Cidades-Estado.
E é neste instável cenário político, de mares salpicados por ruínas, navegantes exploradores e criminosos expatriados de vida nômade, que o Capitão Cananeu Zus Airã narrará os 111 dias de uma saga que poderá conduzir a zona estável e suas novas e últimas nações, para aquilo que uma profecia “Pós-Apocalipse” alude ser: o Quarto e Último Grande Conflito entre Tribos.

Olha, vocês bem sabem que sou a maluca das distopias. Não tem nada que me deixe mais agoniada para ler um livro do que saber que ele é distópico. E quando eu recebi de surpresa o 2111 aqui em casa, fiquei feliz a beça! Já estava pensando em solicitar ele para a Ler Editorial antes mesmo dessa grata surpresa. 

Demorei um pouco para começar a ler por problemas de logística das minhas leituras. As coisas estavam acumulando e tinha que dar prioridade aos antigos. Acabei deixando esse para depois, e isso foi gerando uma expectativa que talvez tenha atrapalhado meu envolvimento com a história. 

Depois de dois capítulos eu já estava perdida, voltando páginas para entender o excesso de informação que o autor já lança a princípio, e que te deixa meio desnorteado. Pelo menos comigo deixou. E não acho que, de modo geral, tenha sido uma problemática do livro. Simplesmente é o modo que o Ricardo tem de escrever. Só não me adaptei a ele de maneira agradável, e o livro se tornou uma tortura para mim a medida que as páginas iam passando. Repito: Não foi um problema na trama, mas na escrita do autor, a qual EU não me adaptei. 

Acredito que Ricardo tenha passado muito tempo trabalhando a base da história. Ele criou sociedades bem organizadas e estruturadas entre si. Com suas moedas e línguas específicas. Isso deve ter levado um tempo danado, e creio que em algum momento da série - sim, é uma série - saber disso fará diferença para o leitor. Nesse primeiro livro não fez diferença alguma para mim saber quem usava que tipo de moeda ou falava que espécie de língua. 

Tem um momento que gostei bastante. Quando o protagonista, Zus, está numa fuga desesperada para conseguir manter sua vida. Ali eu me vi ligada na história. Achei bem parecido com algumas cenas do livro Fênix: A Ilha, que adoro. Só que depois a trama entrou em período de calmaria e fiquei meio cansada dela. 

Como um livro de ficção pós apocalíptico eu acho que a história funciona. Existe muita explicação sobre os acontecimentos que levaram a humanidade até aquele patamar e isso ajuda na construção do mundo na cabeça do leitor. Não me envolvi com o protagonista ao ponto de torcer por ele, mas também não sei se essa era a ideia do autor. Talvez Zus tenha sido criado para se manter neutro e deixar que a trama funcione como protagonista de fato. 

Pensando como distopia, acho que falhou um pouco. Faltou aquela coisa do governo totalitário que a gente facilmente reconhece em distopias. Até porque no caso desse livro, o mundo está bem dividido e parece independente em cada parte dele. Como tribos. Até que achei a forma de organização muito estruturada para um mundo que passou pelo desastre que o nosso passou, no caso dessa trama. Contudo temos que lembrar que as pessoas veem tudo como distopia hoje em dia, e existe uma leve diferença entre elas e livros pós-apocalípticos, por exemplo. Isso fica para outro tópico. 

Em relação a parte estética do livro não tenho do que me queixar. Margens boas, livro bem diagramado e com letras favoráveis a visão de qualquer um. Não tem muito enfeite, e até prefiro que seja assim. 

Não tenho intenção de continuar a série, mas eu até indico para quem gosta do gênero. O que não agradou a mim pode agradar a outros. Realmente foi um problema de ligação da história comigo, e não dela em si. 

Resenha de "Obsidiana" (Jennifer L. Armentrout)

Título: Obsidiana
Autor: Jennifer L. Armentrout
Editora: Valentina (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Começar de novo é uma porcaria. Quando nos mudamos para West Virginia antes do último ano de curso, eu tinha me resignado ao sotaque engraçado, ter conexão de internet ruim e me cansar da vida monótona como uma ostra... Até que eu vi meu vizinho sexy, tão alto e com esses impressionantes olhos verdes. As coisas pareciam estar melhorando. E então ele abriu a boca. Daemon é insuportável e arrogante. Nós não nos damos bem. Nada, nada bem mesmo. Mas quando um estranho me atacou e Daemon congelou o tempo, literalmente, com um movimento de sua mão... Bem, algo aconteceu... Inesperado. O sexy alienígena que vive do outro lado da rua. Sim, você ouviu direito. Alien. Acontece que Daemon e sua irmã têm uma galáxia cheia de inimigos que querem roubar suas habilidades, e o toque de Daemon fez com que eu parecesse um daqueles sinais luminosos em Las Vegas. A única maneira de sair dessa viva é ficar colada a Daemon até que minha "luz" extraterrestre se apague. Isso se eu não matar a Daemon antes, claro.

Obsidiana foi o tipo de livro que me divertiu bastante, apesar de também ter me irritado em demasia, e por muitos momentos. Gosto de algumas coisas nele que raramente vejo em outros livros, mas acho que peca no mesmo problema dos demais YA: Romances irreais, e não estou me referindo ao sobrenatural, mas romances tão forçados que são ridículos.  

Kat está se mudando. Tem um humor até bacana ao encarar essa mudança, nada de dramalhão fora do normal adolescente. e possui um senso de humor delicioso. É blogueira, e provavelmente esse foi um dos motivos que me fez gostar bastante dessa protagonista. Eu entendia as problemáticas as quais ela passava quando falava do seu trabalho com o blog. Vivo isso diariamente, 

Como a nova casa fica em um lugar bem afastado do mundo movimentado, Kat sente uma certa inquietação por conta da inércia e tédio, que só melhora quando conhece o casal de irmãos que mora na casa ao lado da sua, que são qualquer coisa menos entediante. 

A garota é alegre e parece bem receptiva a criar amigos novos. Na verdade ela está desesperada por isso. Já o cara, Daemon, é um grosso psicótico que não conhece o significado da palavra educação. Mas que, de alguma forma, desperta um lado meio animal em Kat. Ele desperta isso no leitor também. A gente não sabe se pula no pescoço do menino para matá-lo ou tascar um beijo pra ver se para de ser tão imbecil. 

Você fica super envolvido nesse relacionamento de cão e gato de início, mas sabe que existe algo de sobrenatural nos irmãos e em tudo o que os envolve, Situações estranhas com eles nas proximidades, e a forma muito liberal com que parecem viver. Pouco comum para adolescentes. E foi nisso que me apeguei para tentar solucionar o mistério de quem eram aqueles dois. 

Confesso que gostei bastante quando descobri "o que" eles eram. Me lembrou um seriado que vi quando era menina sobre o tema, e possivelmente a autora até se baseou um pouco nessas séries antigas para construir o sobrenatural dessa história. Elementos semelhantes e outros que ela deixou a imaginação criar livremente, já que tudo em relação a ELES é apenas uma suposição da mente humana.  

Quanto ao mistério que os envolvia, eu super curti. Foi o motivo que me fez levar o livro para todos os lados enquanto lia. Mas em relação ao relacionamento do casal, não engoli muito bem. Não consigo absorver que uma garota se apaixone por um cara totalmente grosso e sem atrativo algum além da beleza. E como as coisas se desenvolvem rápidas demais nesse tipo de romance, fiquei altamente incomodada. 

Outra coisa que me deixou meio "nhem" foi como a questão familiar dos irmãos se assemelha a família Cullen, de Crepúsculo. Não por parecer com eles em si, mas pela familiaridade sensorial que ler sobre essa família me causou em relação a outra. Não foi nada que me incomodasse a ponto de fechar o livro, até porque só a conhecemos perto do fim, mas fez perder uns pontinhos comigo. 

É uma série, e pelo o que entendi uma das longas. Não cheguei a dar uma olhada no Goodreads, mas sei pelas fanáticas nela que não vai ser rápido ver a conclusão dela por aqui. Pelo menos cinco livros tem nessa série Lux. Se mantiver a mesma linha de ação do primeiro, acredito que não terei problemas com isso. Do contrário terei dos sérios. Não curto séries longas e cansativas. 

Foi uma leitura muito gostosa e que devorei em um ou dois dias. Vou continuar a acompanhar a história com entusiasmo, torcendo para que a autora não me deixe entediada. De modo geral eu adorei o sobrenatural com o qual ela trabalhou aqui. 



Resenha de "Minha Vida Mora ao Lado" (Huntley Fitzpatrick)

Título: Minha Vida Mora ao Lado
Autor: Huntley Fitzpatrick
Editora: Valentina (Cedido em Parceria)
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Sinopse: “Minha mãe nunca ficou sabendo de uma coisa, algo que ela reprovaria radicalmente: eu observava os Garrett. O tempo todo.”Os Garrett são tudo que os Reed não são. Barulhentos, caóticos e afetuosos. São de verdade. E, todos os dias, de seu cantinho no telhado, Samantha sonha ser uma deles, ser da família. Até que, numa noite de verão, Jase Garrett vai até lá e...
Quanto mais os adolescentes se aproximam, mais real esse amor genuíno vai se tornando. Contudo, precisam aprender a lidar com as estranhezas e maravilhas do primeiro amor. A família de Jase acolhe Samantha, apesar dela ter que esconder o namorado da própria mãe.
Até que algo terrível acontece, o mundo de Samantha desmorona e ela é repentinamente forçada a tomar uma decisão quase impossível, porém definitiva. A qual família recorrer? Ou, quem sabe, Sam já é madura o bastante para assumir suas próprias escolhas? Será que está pronta para abraçar a vida e encarar desafios?
Quem você estaria disposto a sacrificar pela coisa certa a se fazer? O que você estaria disposto a sacrificar pela verdade?

Estou em um momento da minha vida em que deveria estar correndo de romances, mesmo de romances adolescentes. Ou eles me deixam depressiva ou enjoada. Pior ainda quando me deixam com os dois. Mas com a propaganda que a Valentina fez desse livro, me senti altamente inclinada a solicitá-lo. Aproveitei que final de ano minha agenda de leitura iria folgar um pouco e pedi. 

Demorei a pegar, da mesma forma que demorei a pegar todos os livros que achei que daria conta até a virada de ano. Na verdade, não lembro de dois meses mais corridos na minha vida como foram dezembro e janeiro. Ainda estou cansada e o mês nem acabou. Mas isso é assunto para outro tópico. O que o importa é que peguei, e devorei em dois dias, como era de se esperar desse tipo de livro em minhas mãos. 

De início não encontramos um dramalhão adolescente. Temos duas irmãs vivendo numa casa com a mãe super chata, e uma família aparentemente bagunceira e enorme se mudando para a casa ao lado. Para a mãe de Samantha e Tracy é um sacrilégio que uma família queira, e tenha, tantos filhos, mas assim são os Garrett, que desde o momento que pisaram por ali chamaram a atenção da caçula a ponto de fazer com que ficasse horas no telhado de casa de olho nas várias crianças felizes e nos pais amorosos. Coisas que passavam um pouco longe do que estava acostumada. 

A história dá um super pulo de anos. Samantha e Tracy são proibidas de falar com os Garrett pela mãe, mas isso não impede que Samantha, durante um verão solitário em que a irmã vai passar fora, comece uma amizade despretensiosa com um deles: O Jase. 

No fundo o leitor sabe que isso deveria ser a espinha principal da história. O que a guia e a preenche. Sinceramente? O romance foi o que menos me tocou aqui. E não que a história num todo tenha sido incrível e cheia de reviravoltas, mas tem um pouco da pitada de Sarah Dessen, que consegue transformar o banal em algo bem feito e gostoso de se ler. Pessoalmente gostei mais da construção que Fitzpatrick fez na história do que a que Dessen fez nos livros que li dela. Tem algo de mágico na forma delicada e lenta com que as coisas acontecem em "Minha Vida Mora ao Lado", e não digo nem no relacionamento do casal, mas familiar. 

A princípio você não entende, mas com o tempo começa a enxergar que ambas famílias são meio destrutivas a seu modo. Comecei amando os Garrett e detestando a família de Samtanha. Depois vi a genialidade da autora em nos mostrar que mesmo as famílias aparentemente mais felizes também podem ser nocivas. No caso dos Garrett você enxerga isso com o excesso de amor, que gera o excesso de filhos e uma expectativa de futuro profissional limitada para todos eles. Ao contrário da mãe de Samantha, que teve duas filhas, cria ambas com tudo do bom e do melhor, e tem dinheiro fácil para o futuro delas. 

E quando você acha que o livro não tem como ir mais fundo nessa questão das famílias e diferenças, eis que a autora insere algo que faz você reavaliar tudo de novo e pensar o que faria em ambas situações. Se colocando nos dois lados da história. Não é nada que vá fazer seu queixo cair, só deixar um pouco desnorteado com as opções perigosas e limitadas que a vida pode apresentar em determinados momentos. 

Foi um livro que não me tocou pelo romance, como disse, mas pelas questões familiares e o modo como elas se resolvem - ou não. A autora deixa um pouco em aberto como tudo irá se desenrolar, mas até que achei isso interessante. Não reclamaria de receber mais três ou quatro páginas de explicação, contudo gostei da abertura que ela deixou. Faz o leitor criar possibilidades e trabalhar com elas de forma a construir uma ideia, que é o que todo livro deveria fazer. 

Recomendo pra caramba o livro! Como romance jovem, como drama familiar... Enfim, você pode tirar muitas coisas interessantes dessa história. Se jogue!


Resenha de "A Menina da Neve" (Eowyn Ivey)

Título:  A Menina da Neve
Autor: Eowyn Ivey
Editora: Novo Conceito (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Alasca, 1920: um lugar especialmente difícil para os recém-chegados Jack e Mabel. Sem filhos, eles estão se afastando cada vez mais um do outro. Em um dos raros momentos juntos, durante a primeira nevasca da temporada, eles constroem uma criança feita de neve. Na manhã seguinte, a criança de neve some. Dias depois, eles avistam uma criança loira correndo por entre as árvores. Uma menina que parece não ser de verdade, acompanhada de uma raposa vermelha e que, de alguma formam consegue sobreviver sozinha no frio e rigoroso inverno do Alasca. Enquanto Jack e Mabel se esforçam para entender esta criança que parece saída das páginas de um conto de fadas, eles começam a amá-la como se fosse sua própria filha. No entanto, nesse lugar bonito e sombrio, as coisas raramente são como aparentam, e o que eles aprenderão sobre essa misteriosa menina irá transformar a vida de todos.

Fechei esse livro pensando em como ele era triste, e como ao mesmo tempo era tão bom. Gostoso de ler até nos momentos incertos, e dolorido em vários graus por conta do relacionamento dos personagens.

Como diz a sinopse, começamos acompanhando Jack e Mabel, um casal maduro que resolve se mudar para o Alasca, em prol de reconstruir suas vidas depois que seu único filho nasce morto. Mabel acredita que eles só precisam se afastar de tudo da vida anterior para que fiquem bem, cuidando do terreno, da casa, e vivendo um em função do outro. 

As coisas ficam difíceis quando o dinheiro acaba e o inverno chega, adiando o plantio e deixando Jack desesperado, sem saber o que fazer para sustentar a si mesmo e a esposa., a quem anda cada dia mais distante emocionalmente, como se o frio do Alasca também tivesse congelado seus corações. 

Em um dia aparentemente bom, o casal faz uma menina de neve no jardim de casa, com cachecol e luvas. Tornando uma noite gostosa para ambos, como há muito não tinham. Só que no outro dia o cachecol e a luva somem, como também a menina de neve, e rastros de pegadas partem de onde estava a boneca até a floresta. Isso se torna um mistério para o casal, e faz Mabel se lembrar de uma história antiga que ouviu do pai, sobre uma menininha que foi criada da neve, e que volta para ela depois de certo tempo. 

E como um passe de mágica, ambos começam a ver uma menininha arrodeando a residência ao lado de uma raposa. Ela não fala com ninguém, e quando eles vão atrás dela, a garota desaparece na floresta. 

Até o dia em que ela vai cedendo, e tomando espaço na vida do casal de maneira singular. Para as outras pessoas do povoado a garota não existe, e aquilo é uma alucinação provocada pelo frio. Para eles, é um milagre. Jack, mais racional, acredita que a menina é real e vive na floresta, como um Mogli ou Tarzan. Mabel já acha que ela foi de fato criada no dia da menina de neve. 

Acontece que a garotinha nunca dorme com eles, não suporta muito tempo o calor, e costuma sumir nas outras estações do ano que não o inverno. Mas a essa altura o casal já não quer saber de onde ela vem ou para onde vai, e se contentam em ter um pouco dela poucas vezes ao ano. 

Isso é o que vocês que não leram precisam saber para entender o pano de fundo, mas não é a única coisa interessante da história. Provavelmente isso não é nem metade dela, já que temos momentos distintos desse livro, com a menina criança e outro com ela mais velha. 

Não se sabe, nem mesmo quando o livro acaba, se ela é real ou uma menina surgida da vontade de um casal de velhos de ter filhos. Isso foi uma das coisas que mais me angustiou, e que mais me deixou feliz por ter lido esse livro. Não é necessário uma resolução de todos os mistérios para se ter uma boa história, e essa é uma boa história. 

A autora soube aprofundar os relacionamentos dos personagens de maneira poética, e eu realmente me senti ligada a Mabel, Jack, os amigos, e a menininha. A ingenuidade dela juntamente com a inteligência eram singulares e incríveis. O livro tem o clima frio do inverno do Alasca, mas consegue ser aconchegante com o leitor. Como se estivesse sentado em frente a uma lareira, comendo biscoitos com leite e ouvindo histórias da vovó. 

Eu gostei de coração do livro! Tive um ou outro problema com ele, mas nada que apague o quanto foi envolvente e forte para mim. Triste, sim, mas aplicável a tudo que a autora criou. Ele realmente tinha que acabar daquele modo, por mais revoltante que tenha sido para mim. Os sentimentos estavam lá, todos eles, os bons e ruins, e para mim isso bastou. 

Resenha de "Não olhe para trás" (S.B. Hayes)

Título: Não olhe para trás
Autor: S.B. Hayes
Editora: Bertrand Brasil
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Sinopse: Desde a infância, Sinead é compelida a cumprir uma promessa a seu manipulador irmão Patrick: a de que sempre seguirá os passos dele. Quando ele desaparece misteriosamente, ela então se vê obrigada a procurá-lo. As dicas que Patrick parece deixar sobre o seu paradeiro levam-na à Casa Benedict, um lugar onde o tempo não tem sentido — onde um segundo parece durar uma eternidade.Lá, ela conhece James, que está em busca de respostas sobre o seu passado, e por quem se apaixona. Juntos, os dois descobrirão verdades terríveis que irão testá-los até o limite. Apesar de seu novo amor, Sinead permanece aflita por Patrick e acredita que ele, de alguma forma, seu irmão está por perto e a observa. E ela não conseguirá descansar até encontrá-lo.

Queria ter gostado desse livro. Queria MESMO que ele tivesse funcionado para mim como um sobrenatural jovem adulto que me desse um certo medinho, e que tivesse um desfecho maravilhoso. Mas não foi o caso por muitos motivos.

Nunca li nenhum livro da autora, mas a premissa do livro era típica das histórias que costumo gostar. Algo entre suspense e sobrenatural, como foi com Mara Dyer. E como a autora era conhecida com ótimas críticas justamente por esse gênero, resolvi arriscar. Precisei de mais de mês para concluir essa leitura e entender que não era para mim. Que na verdade estava com muita raiva da autora ter tido uma ideia incrível, mas um desenvolvimento fraco. 

Sinead é uma adolescente cheia de problemas. Mora com a mãe e tem um irmão mais velho, que logo no início da história sabemos que está desaparecido e que deixou pistas para que a irmã pudesse encontrá-lo, como faziam quando eram crianças. Também logo no início entendemos que ela não se dá muito bem com Patrick, o irmão desaparecido, e que a mãe é uma louca psicótica que tem uma fissura por esse irmão, e que parece não dar a mínima para ela. 

Essa é a premissa básica desse livro: irmão desaparecido deixa pistas macabras para que Sinead o encontre. Menina cheia dos problemas sociais que parece viver num mundinho isolado e que se sente na obrigação de ajudar porque ele é seu irmão. 

O que me incomodou desde o início aqui foi justamente a forma com a qual Sinead e a mãe tratam o desaparecimento de Patrick. E o modo como a própria polícia reagiu a isso, sem dar a mínima para um jovem desaparecido. As pistas eram legais e curiosas, e isso foi um ponto positivo, mas Sinead parecia meio doida quando o assunto era Patrick e as loucuras que ele fazia. Parecia que eu estava lendo uma história de uma personagem em um mundo paralelo onde só havia uma mãe que não ligava se a filha passava dias sumida procurando o outro filho, um amigo que gostava de sofrer nas mãos dessa garota, e ela, com as peculiaridades que pessoalmente não consegui entender nem quando foram explicadas na história. 

Uma das pistas de Patrick acaba levando até uma mansão aparentemente abandonada um pouco afastado da cidade. A Casa Benedict. As coisas ficam mais estranhas ainda quando ela passa a trabalhar uns dias por lá em prol de receber uma outra pista de uma freira maluca e sinistra que vive na propriedade. Como diabos uma pessoa aceita um convite desses em um lugar assombroso e feito por uma mulher assombrosa? Isso não entrava na minha cabeça, gente!

E quando um outro personagem entra na história, fazendo com que a fria Sinead se apaixone completamente em um espaço ridículo de dez dias, é que o negócio fica pouco lógico e que passou a me dar agonia de ler. O clima do livro lembra bastante o dos livros do Zafón, que considero um autor perfeito em descrições de lugares e pessoas. De fato Hayes descreve bem as locações, mas se afasta absurdamente de Zafón quando força uma situação que não condiz com quem é a personagem. Algumas autoras tem mania de fazer isso. 

E então quando a história acaba revelando o paradeiro de Patrick, o babado fica confuso pra caramba e não me deixou entender o que a autora queria com aquela explicação. Na verdade o livro inteiro é um apanhado confuso do cacete! As ideias eram brilhantes, mas foram trabalhadas de maneira errada na construção das coisas que deveriam ter sido aprofundadas, e mesmo quando ela usa a mitologia com uma boa mistureba de Dante Alighieri, o que deveria agradar bastante o leitor, voltou a confundir as ideias. 

Existe um final, e não tenho como dizer que ele ficou com pontas soltas, só que ficou pouco crível. Daí vocês dizem: mas, Carol, é um sobrenatural e abre brechas para esse tipo de situação. Pois é, concordo, mas onde fica a lógica do que passei 300 páginas lendo? Se Sinead fosse outro tipo de garota eu poderia entender, mas ela não era, e isso fragilizou a narrativa, ao meu ver. É cruel o que fazem com ela, e cruel como ela aceita de boa, sem consequências alguma em sua vida ou na das pessoas (duas?) que a cercam. 

Enfim, queria ter gostado mais pela ideia ser tão boa, mas infelizmente não gostei de como foi escrito esse livro, e das resoluções - em relação a personagem - dele. 

Resenha de "Ligeiramente Escandalosos" (Mary Balogh)

Título: Ligeiramente Escandalosos
Autor: Mary Balogh
Editora: Arqueiro (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Freyja Bedwyn é uma mulher diferente das outras damas da alta sociedade: impetuosa e decidida, ela preza a independência e a liberdade acima de qualquer coisa – até mesmo do amor.Até que o destino lhe apresenta Joshua Moore, o marquês de Hallmare, um homem cheio de charme e mistério, dono de uma beleza estonteante e de uma reputação terrível. Quando ambos se encontram a caminho da pacata cidade de Bath, a química entre os dois é imediata.
Entre encontros e desencontros, conflitos e provocações, Joshua faz uma proposta inusitada: pede que Freyja finja ser sua noiva, para evitar que uma artimanha de sua tia o leve a se casar com a própria prima.
Para uma dupla que acha graça das convenções sociais, esta parece ser a oportunidade perfeita para se divertir. Mas a brincadeira acaba trazendo consequências inesperadas. Aos poucos, suas máscaras vão caindo e ambos se revelam pessoas bem diferentes do que aparentam.
Neste terceiro livro da série Os Bedwyns, Mary Balogh se aprofunda ainda mais nos segredos e desejos dessa família incomum e extremamente sensual.

Romances de época são sempre gostosos para serem lidos numa tarde fria de inverno, ou em uma tórrida de verão. Com a praticidade de serem lidos rapidamente, qualquer lugar e qualquer hora é hora para sentar e ler um desses livrinhos. 

Se não me engano esse é o terceiro livro dessa série da Mary que leio. Gostei pouco do primeiro, o segundo já achei uma delicinha, e esse foi um deleite, principalmente por causa de Freyja, que é minha Bedwyn predileta do grupo de irmãos. 

Nesse livro a jovem está de viagem, indo ficar algumas semanas na casa de uma amiga para poder fugir do nascimento do filho do eterno amor de sua vida. Nesse viagem ela acaba esbarrando em Joshua, que é um cínico e um libertino incurável. Claro que de início rola aquela animosidade por parte de Freya, que tem muito orgulho e força de vontade para se dobrar ao charme do jovem, mas ainda assim a forma com a qual ele aparece fica guardado na cabeça dela pela peculiaridade com a qual aconteceu. 

Eles voltam a se encontrar em outro momento constrangedor, e Joshua acha delicioso a forma atrevida com a qual Freya se comporta com o mundo, sem se preocupar com o que os outros vão achar da moral dela por agir de um jeito ou de outro que não seja condizente a uma dama da sociedade da época. 

Por conta de um casamento com uma prima que estão querendo empurrar para ele, Joshua propõe a Freya que finjam um noivado por um tempo, até que as coisas se acalmem e a pressão pare. Ela é a única mulher que aceitaria um plano maluco desses, o que realmente faz sem pestanejar, até porque para ela também é meio que uma fuga de um outro problema. 

Só que esse noivado de mentirinha acaba virando uma bola de neve quando uma série de fatores passam a unir esses dois. E o que parecia simples no início, fica complicado com o envolvimento das famílias e o relacionamento deles que começa a amadurecer aos poucos. 

Bom, como adoro a protagonista, esse foi um livro fácil para mim. A autora criou um casal que se completa de maneira orgulhosa e birrenta, características típicas de Joshua e Freya. Eles separados eram ótimos de acompanhar, mas eles juntos eram uma graça. Um tinha sempre o que retrucar do outro, mas sempre estavam lá, caso caíssem. Foi um relacionamento que cresceu de forma singela e sem que eles percebessem, até o momento em que estavam completamente ligados um ao outro. 

A autora também insere a problemática da história de modo suave e curioso. O leitor fica a todo momento querendo saber o que aconteceu no passado de Joshua , e como foi exatamente que a situação entre Freya e seu antigo amor chegou naquele ponto insuportável. 

É um romance, e tem todas as características desse tipo de livro, mas tem um diferencial sutil quando se trata do desenvolvimento dos dois protagonistas em relação aos seus problemas individuais e a eles como casal. Achei bem feito e fez com que a leitura acontecesse mais rápido do que planejava que fosse. Eu realmente tive vontade de não largar esse livro, e isso é raro para mim, que não morro de amores por romances tanto assim. 

Enfim, indico demais a leitura! Dá para ser lido individualmente, mas é legal quando se acompanha a linha da história como foi escrita. 


Resenha de "IT - A Coisa" (Stephen King)

Título: IT - A Coisa
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
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Sinopse: Durante as férias escolares de 1958, em Derry, pacata cidadezinha do Maine, Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly aprenderam o real sentido da amizade, do amor, da confiança e... do medo. O mais profundo e tenebroso medo. Naquele verão, eles enfrentaram pela primeira vez a Coisa, um ser sobrenatural e maligno que deixou terríveis marcas de sangue em Derry. Quase trinta anos depois, os amigos voltam a se encontrar. Uma nova onda de terror tomou a pequena cidade. Mike Hanlon, o único que permanece em Derry, dá o sinal. Precisam unir forças novamente. A Coisa volta a atacar e eles devem cumprir a promessa selada com sangue que fizeram quando crianças. Só eles têm a chave do enigma. Só eles sabem o que se esconde nas entranhas de Derry. O tempo é curto, mas somente eles podem vencer a Coisa. Em 'It - A Coisa', clássico de Stephen King em nova edição, os amigos irão até o fim, mesmo que isso signifique ultrapassar os próprios limites.


Melhor e Pior de Outubro


Lógico que dá para saber pela foto quais os livros entraram nesse vídeo, mas é preciso dar uma conferida para saber o motivo que me fez colocar justamente esses dois por aqui.
Então vai lá ver!


[Papo de Mãe Leitora] Ler antes de dormir? Só se o filho deixar


Essa semana cheguei em casa enfadada. Trabalho perto, mas o sol anda tão quente que o caminho de lá para cá passa a ser uma andada no deserto do Saara (sou exagerada mesmo). E essa temperatura está no Brasil em peso, então não tenho muito porque me explicar. Vocês sabem do que estou falando. Vai dizer que nunca sentiu como se tivesse passado a manhã na praia, sem a parte da cervejinha gelada, depois de um tempo andando no sol?  Aquele peso no corpo me mata! 

O fato é que todos os dias quando chego em casa minha rotina é a mesma: olhar se Rafa comeu, se tirou a farda. o que está fazendo e conferir o que tem na agenda da escola. Só depois consigo almoçar e ainda tiro um cochilo de meia hora, dependendo dos meus afazeres do dia, e quando acordo vou ajeitar o que precisa na casa. 

A noite o processo é: Dar banho nele, fazer a tarefa (o que é um martírio), ajeitar a janta, e então sento para ler alguma coisa. Isso perto de nove horas, quando apago a luz do quarto e o coloco para dormir. Ou tento, porque como dormimos no mesmo quarto, não fico completamente no escuro, já que também tenho minhas funções como blogueira e preciso cumprir minha meta de leitura do dia, que costuma ser 150 páginas. Coisa que só faço nesse horário, a não ser em finais de semana. E o fato de ter o mínimo de luz possível faz com que o sono do menino vá para qualquer lugar, menos o corpinho dele. 

É nessa hora que Rafael decide conversar. Passo o dia querendo saber como foi a manhã dele, mas é na hora que deito para dormir que ele fala sobre o amiguinho que brigou com ele, ou que foi para a cadeira do castigo porque não quis fazer a tarefa. Costuma ser nessa hora também que me diz a lista - enorme - do que ele quer para o natal, e quando ele estará disponível para me ajudar a escrever a carta do Papai Noel. 

Quando dou um basta na conversa e o mando dormir - pela quinta vez - ele chega ao lado da minha cama e diz que escutou um barulho embaixo da cama dele e que está com medo. Então cedo um espaço na minha cama minúscula, e faço carinho até ele ficar molinho. 

É nessa hora que pego o livro, e nisso já passa das onze. Pois justamente ele desperta, pede água e volta a conversar sobre o Minecraft que jogou naquela tarde. Sinceramente? Só tenho vontade de chorar de desespero. 

Então o que faço? Levanto, dou água, desisto de ler, apago a luz e volto o carinho até ele pegar no sono. Só então abro o livro, o que não dura nem meia hora poque costumo desmaiar em cima dele. Acordo no meio da madrugada cheia de dor no braço porque Rafa dormiu em cima, e com os óculos tortos na cara. Levanto, ponho ele de volta na cama, tiro os óculos e vou dormir. 

Claro que nem todos os dias é esse sufoco, mas a maioria deles é. Nos dias difíceis eu me esforço para transferir a meta de leitura para o dia seguinte, juntando duas. Nesses dias eu perco a meia hora de cochilo da tarde e roubo um tempo de trabalho das manhãs para ler. Tenho trabalho a fazer, e filho para criar. No fundo a gente faz o que pode com o que tem, e me acho uma guerreira por isso. 

Não é fácil ser mãe, não é fácil ser mãe solteira e não é fácil ser mãe solteira e blogueira. Duvido alguma de vocês que seja mãe não ter passado por algo parecido ao menos uma vez num mês. E nem me venham dizer que o problema dele é falta de limite. Acredite, ele tem limites, e costuma ser um menino que os segue de modo quase religioso. Mas a hora de dormir é um tormento para ele, e por consequência para mim também. Acredito que o fato de Rafa não ter um "cantinho todo seu", influencie muito na rotina da criança. Mas o que se pode fazer? Tem meses que não consigo nem pagar todas as minhas contas, quem dirá arrumar um canto para nós dois! 

Cada caso é um caso, e todos devem ser entendidos dentro das capacidades de cada mãe e de cada criança. Não é? Pois é! Vou fazendo o que dá, continuando a dormir com os óculos tortos no rosto.