Resenha de "O dueto Sombrio" (Victoria Schwab)

Título: O Dueto Sombrio
Autor: Victoria Schwab
Editora: Seguinte
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Sinopse: Na sequência final de A Melodia Feroz, Kate Harker precisa voltar para Veracidade e se unir ao sunai August Flynn para enfrentar um ser que se alimenta do caos. Kate Harker não tem medo do escuro. Ela é uma caçadora de monstros — e muito boa nisso. August Flynn é um monstro que tinha medo de nunca se tornar humano, mas agora sabe que não pode escapar do seu destino. Como um sunai, ele tem uma missão — e vai cumprir seu papel, não importam as consequências.
Quase seis meses depois de Kate e August se conhecerem, a guerra entre monstros e humanos continua — e os monstros estão ganhando. Em Veracidade, August transformou-se no líder que nunca quis ser; em Prosperidade, Kate se tornou uma assassina de monstros implacável. Quando uma nova criatura surge — uma que força suas vítimas a cometer atos violentos —, Kate precisa voltar para sua antiga casa, e lá encontra um cenário pior do que esperava. Agora, ela vai ter de encarar um monstro que acreditava estar morto, um garoto que costumava conhecer muito bem, e o demônio que vive dentro de si mesma.


Eu sou bem suspeita para falar dos livros da Schwab. Gosto demais da escrita da autora, e nem posso dizer que realmente sou especialista nos livros dela, já que se li três foi muito. Mas ela é daquele tipo de escritora de fantasia que deixa a gente com um calorzinho no coração. Que ainda que não tenha lido livros realmente fodásticos dela, sei que sempre me lembrarei dos que li.

Dueto Sombrio é o segundo de uma duologia que começa com A Melodia Feroz, que já tem resenha AQUI. Então não vou esmiuçar o que acontece nesse livro, porque também não morro de amores por spoilers, mas vou colocar o que senti com ele.

Primeiro preciso dizer que o ritmo é arrastado. E não, não era de se esperar, porque o final do primeiro livro é desses que te deixam roendo as unhas para o próximo. Não exatamente um gancho de continuação direta, mas a gente sabe que vem merda, e ela de fato vem. Mas até que a merda se desenvolva de verdade, demora pra cacete.

O fato dos dois protagonistas estarem distantes um do outro em boa parte do livro também me deixou agoniada porque o que tinha de melhor no primeiro era a interação deles. O funcionamento da relação dos dois. Daí a gente vem pra esse volume e morga esperando eles se encontrarem. Demora uma eternidade, e quando acontece é bem passável. Nada que fizesse meu coração sambar.

Além dos vilões que já sabíamos que tinha no livro anterior, aparece um novo, e bem mais poderoso. Não tem rosto, mas é uma força que acaba movendo a protagonista mais do que gostaria. Fiquei esperando entender exatamente como ele surgiu e como ele funciona, mas ou eu prestei pouca atenção ao livro, ou de fato não era o foco da autora.

Tem momentos bonitos nesse livro, ainda que o mundo esteja acabando. De doação total por parte dos personagens, e achei isso muito bacana. Quer dizer, estamos falando de uma história onde ser bom e ser mau faz toda a diferença, e se isso passar despercebido pelo leitor, então ele não cumpriu a função. Mas funcionou, e muito bem. Talvez pudesse explorar mais isso com Kate, mas ficou eficiente nos pontos certos. Me fez pensar o que determina se uma pessoa é boa ou má, e qual o ponto de ruptura disso. Se uma única ação em um único momento pode mudar completamente quem você é.

Nos agradecimentos desse livro a autora fala que esse foi um dos que acabou com ela. Que a deixou exausta, e compreendo de verdade, ainda que não tenha sido um livro melhor do que o primeiro e eu ter passado mais da metade dele morrendo de tédio. Ele é exaustivo em muitos sentidos. Te leva para baixo, sabe? Você passa a acreditar pouco na bondade do mundo ao lê-lo, e olhe que o negócio é bem superficial. Eu estava tão cansada ao final da leitura que precisei de dias para conseguir articular uma resenha que fizesse sentido. Sem contar que o final dele é de cortar o coração. Entendi. Entendi de verdade o que ela quis fazer. Que fez o que foi necessário e que não tinham muitos caminhos viáveis com as possibilidades que tinha, mas ainda assim fiquei arrasada. Você se apega, poxa! Ser leitor as vezes é muito cruel.

Enfim, não é um livro melhor do que o primeiro, passa longe de ser em termos de ritmo e estrutura, mas ele deixou o recado que precisava deixar, e acho que era exatamente o que a autora queria com ele. Não engrandecer um final, ou um casal, mas trazer uma realidade crua para uma fantasia perversa e crua também. 

Ordem de leitura Myron Bolitar


Olá, gente!
Vamos dar uma olhadinha nesse vídeo super bacana sobre a ordem de leitura dos livros do incrível Myron Bolitar? Se vocês gostam de policial, tem que se aventurar pelos livrinho desse personagem maravilhoso.


A Canção das Águas (Instagram)


Passando só para divulgar mais uma das fotos no nosso IG. Lá também falei um pouquinho do que achei da leitura de A Cancão das Águas.
Bora lá conferir?
@caroltelesbispo

Meus livros de capa dura (1ª parte)


Boa tarde,  irreparáveis!
Passando para divulgar por aqui o mais novo vídeo do canal sobre minha coleção de livros de capa dura. Aqui está apenas a primeira parte do vídeo, porque são muitossss livros, mas em breve lanço o próximo e venho avisar por aqui também. 
De qualquer modo, não esquece de se inscrever no canal e ativar o sininho, para ficar por dentro das novidades. 




Resenha de "A Casa Assombrada" (John Boyne)

Título: A Casa Assombrada
Autor: John Boyne
Editora: Companhia das Letras
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Sinopse: Londres, 1867. Eliza Caine tem 21 anos e acaba de perder o pai. Totalmente sozinha , como os heróis de Dickens sobre os quais tanto lê, e sem dinheiro para pagar o aluguel na cidade, ela depara com o anúncio de um tal H. Bennet, que busca uma governanta para se dedicar aos cuidados e à educação das crianças de Gaudlin Hall, uma propriedade no condado de Norfolk, leste da Inglaterra. O anúncio, contudo, não menciona a idade ou quantas crianças são, nem mesmo dá qualquer outro tipo de explicação.Eliza não vê alternativa além de largar o emprego de professora em uma escola só para meninas e partir para o condado, onde pretende começar uma nova vida. Chegando a Gaudlin Hall, no entanto, ela se surpreende ao encontrar apenas Isabella, uma menina que parece inteligente demais para sua idade, e Eustace, seu adorável irmão de oito anos. Os pais das crianças não estão. Não se veem criados. De fato, não há nenhum adulto na propriedade, e a identidade de H. Bennet permanece um mistério.
A governanta recém-contratada busca informações com as pessoas do vilarejo, mas todos a evitam. Nesse meio tempo, fica intrigada com janelas inexplicavelmente fechadas, cortinas que se movem sozinhas e ventos absurdos na propriedade. E logo coisas de fato assustadoras começam a acontecer.
Em A Casa Assombrada, o autor best-seller John Boyne faz uma homenagem às clássicas histórias de fantasmas do século XIX. Mas a novidade é que ele cria aqui uma heroína que pretende arregaçar as mangas e chegar ao fundo da questão sozinha. Conseguirá esta boa mulher encerrada em um mundo claustrofóbico desenterrar os horríveis segredos de Gaudin Hall e confrontar os demônios de seus passado? E mais ainda: conseguirão ela e as crianças, sobreviver a tudo isso?

Não sei se vocês são assim, mas eu tenho períodos que só quero ler um determinado gênero de livros. Isso acontece com mais frequência do que eu gostaria, e não adianta mesmo ir contra porque vou empacar e não ler nada. Então melhor remar com a maré. 

Foi desse modo que cheguei até A Casa Assombrada. Queria ler um livro de suspense/terror e os únicos que tenho aqui são os do King, que demandam um tempo grande para ambientar, e queria algo rápido. Então fuçando no Kindle acabei encontrando esse antigo do John Boyne, e como adoro histórias sobre casas assombradas, não pensei duas vezes antes de começar a ler. 

O livro vai focar em Eliza, uma jovem moça que acabou de perder o pai e que aceita um emprego oferecido em um jornal para ser governanta de duas crianças em um interior da Inglaterra. Lá Eliza começa a perceber que tem algo de estranho com tudo em relação a esse emprego. Ninguém cuida das crianças além dela. Não há nenhum parente, e tudo o que ela precisa resolver recorre ao advogado da família. Sem contar que os meninos são peculiares, com a inteligência aguçada de Isabella e o carisma quase doce demais de Eustace. O lugar, de algum modo, tem suas próprias vontades, e Eliza entende que não é bem vinda a aquela casa, por vivos e por mortos. 

Olha, não posso dizer que é um livro realmente aterrorizante. Tem uns momentos interessantes, mas de modo geral ele entretêm mais do que assusta.  A casa, que deveria ser um organismo vivo, como a maioria das histórias com casas assombradas, é mais um palco onde coisas estranhas acontecem. Então talvez eu ache que faltou um pouco mais de exploração na questão da casa em si.

Os personagens são ótimos. A protagonista é carismática e segura bem o leitor para entender tudo sob sua ótica. Já as crianças são um tanto excêntricas. Não gostei muito de nenhuma delas, mas acho que isso era o modo do autor de conversar conosco. Criando duas crianças que não deveriam se apegar a nada nem a ninguém. Pessoalmente eu tinha medo delas. 

Os acontecimentos vão surgindo de maneira gradativa e suficiente para te prender até a página seguinte. Logo no início a gente entende que alguém - ou alguma coisa - quer expulsar Eliza da casa. O negócio é justamente o porquê. O motivo. E isso vai te fazer comer a história até perto do fim, quando enfim entende o que está acontecendo. Mas vou te contar... até que essa revelação chegasse foi um tormento ver a coitada da Eliza tentando entender o que acontecia com a casa e ninguém querer contar para ela por sei lá que motivo. Se fosse eu dizia logo "Minha filha, volta correndo para Londres porque aqui a treta é perversa!" 

De modo geral eu gostei do livro. Conheci Boyne com outro tipo de narrativa, mas que ele não deixa longe da sua história de fantasma. Enxergamos nitidamente o estilo "Boyne", e quando chega o final fica aquela sensação de que era mais um terror psicológico do que um terror físico, e em ser terrorista da mente o autor é mestre. 

Enfim, foi um bom livro para o feriado. Ainda não era o tipo de livro que estava esperando, mas foi suficiente para segurar as pontas até encontrar aquele terror que me prenda. Se você tem uma boa sugestão nesse sentido, passa lá no meu IG (@caroltelesbispo) e deixa sua indicação. Vou adorar! 

Até a próxima, pessoal!

Resenha de "Volta para casa" (Harlan Coben)

Título: Volta para casa
Autor: Harlan Coben
Editora: Arqueiro (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Dez anos atrás, dois meninos de 6 anos foram sequestrados enquanto brincavam na casa de um deles, uma mansão em um bairro elegante de Nova Jersey. Mas, após o pedido de resgate, as famílias nunca mais tiveram notícias dos sequestradores nem de seus filhos.
Agora, Myron Bolitar e seu amigo Win acreditam ter localizado um deles, o adolescente Patrick, e farão de tudo para resgatá-lo e obter as respostas pelas quais todos anseiam:
O que aconteceu no dia em que foram raptados?
Onde ele esteve durante todo esse tempo?
E, o mais importante, onde está Rhys, seu amigo ainda desaparecido?
Após cinco anos sem escrever nenhum livro da série Myron Bolitar, Harlan Coben brinda os leitores com Volta Para Casa, um suspense explosivo, como só o seu talento pode criar. Um thriller profundamente comovente sobre amizade, família e o verdadeiro significado de lar.

Não sei explicar como isso acontece, mas todos os livros do Coben me deixam com uma nostalgia tremenda quando acabam. Uma sensação gostosa de saudade, o que é bem raro em se tratando de livros policiais. A tendência é que eles te deixem eufóricas, não é? Perplexa, até. Mas saudosa? Isso é algo próprio de Coben. E digo mais... próprio de Myron Bolitar. 

Nesse livro Myron vai ajudar seu amigo Win a investigar o reaparecimento de Patrick, um dos dois garotos desaparecidos do quintal da prima de Win dez anos atrás. Eles inclusive participam ativamente do resgate do menino. 

Só que Patrick está mudado. Diferente. E essa pulga atrás da orelha, como o desespero em encontrar Rhys, o outro menino, faz com que Myron e Win movam mundo e fundo em busca da resolução do caso. 

Eu poderia dizer que fiquei bem surpresa com o que Coben faz nesse livro, mas dizer isso seria tipo um clichê dos mais ridículos, porque sempre estou surpresa com o que ele é capaz de escrever. Poderia dizer que amei o livro com tamanha força que estou até agora, um dia depois de ter lido, que só faço pensar nele de maneira constante. Mas também seria patético, visto que sou apaixonada por tudo o que esse cara escreve. Então, o que diabos vim fazer aqui? 

Primeiro dizer que esse livro tem participação narrativa de Win, o que me faz amá-lo mais ainda. Porque se com Myron a gente tem aquele cara que usa a tensão e transforma em comédia, com Win é só a tensão. O bad boy que realmente faz jus ao nome. Está duvidando de mim? Leia só o primeiro capítulo do livro que a gente conversa depois. 

Quer mais um motivo para se jogar nessa história? A participação deliciosa de Mickey Bolitar, o sobrinho de Myron que tem três livros só com ele protagonizando. O pivete é de uma sagacidade impressionante! E quando se junta com Ema e um amigo nerd deles, passa a perna em muito detetive por ai. Adoro o trio juntos! E fico com frequência pensando se Coben não criou o menino para dar continuidade a família detetivesca de Myron quando este se aposentar. 

Se tenho algo para reclamar desse livro é na verdade uma crítica para a própria editora, que lança os livros da série do Myron na ordem errada e, ainda que sejam individuais, a gente perde muito do enredo de vida do protagonista. Me peguei em vários momentos tentando entender o que aconteceu com a agência de Myron e Esperanza, porque diabos Win havia saído pelo mundo, como Myron e Terese acabaram juntos... Coisa boba para o entendimento desse livro em específico, mas importante para quem gosta do personagem. Então, se vocês ainda não começaram a ler esse aqui, sugiro ler pelo menos os dois últimos anteriores a esse da série dele, que é o Quando ela se foi e Alta Tensão. 

O final é realmente um escândalo. Depois que a gente descobre a resolução do problema principal, o autor ainda nos presenteia com uma revelação deliciosa de Win e  mais algo sobre a prima dele. Sério, o tipo de final realista que me deixou batendo palmas para a ousadia do autor. Nunca fui fã de mocinhos. Tudo mundo tem seus dias de vilão. 

Enfim, mais um livro da série de Myron e que me deixou mais um pouco apaixonada pelo autor! Preciso dos outros que ainda não tenho na estante. Devagar vou desvendar tudo que Coben já lançou de um dos meus detetives (que nem é detetive) prediletos. 

Aos Perdidos, com Amor e socos contínuos no estômago

Título: Aos Perdidos, com Amor
Autor: Brigid Kemmerer
Editora: Plataforma 21
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Sinopse: Juliet Young sempre escreveu cartas para sua mãe. Mesmo depois da morte dela, continua escrevendo – e as deixa no cemitério. É a única coisa que tem ajudado a jovem a não se perder de si mesma. Já Declan Murphy é o típico rebelde. O cara da escola de quem sempre desconfiam que fará algo errado, ou até ilegal. O que poucos sabem é que, apesar da aparência durona, ele se sente perdido. Enquanto cumpre pena prestando serviço comunitário no cemitério local, vive assombrado por fantasmas do passado. Um dia, Declan encontra uma carta anônima em um túmulo e reconhece a dor presente nela. Assim, começa a se corresponder com uma desconhecida... exceto por um detalhe: Juliet e Declan não são completos desconhecidos um do outro. Eles estudam na mesma escola, porém são tão diferentes que sempre se repeliram. E agora, sem saber, trocam os segredos mais íntimos. Mas, aos poucos, a vida real começa a interferir no universo particular das confidências. E isso pode separá-los ou uni-los para sempre. Entre cartas, e-mails e relatos, Brigid Kemmerer constrói uma trama intensa, repleta de descobertas e narrada sob o ponto de vista dos dois personagens. Uma história de amor moderna de arrebatar o coração.

Em meio a um mar de livros que começava e não conseguia acabar, Aos Perdidos, com Amor me chegou de maneira incomum. Estava entediada, olhando os mais de 600 ebooks no meu Kindle, tentando encontrar um que realmente quisesse ler, mas nenhum parecia chamar minha atenção. Foi quando a tela travou na página onde ele estava, e percebi que tinha tempo que não lia um jovem adulto decente. Na verdade tinha tempo que não lia um jovem adulto e fim de papo. 

Então comecei, e sabe o que me prendeu na história? A dor. A dor da primeira carta a que temos acesso, e que a Declan tem acesso também. Na verdade, a dor e a referência a fotografia, visto que a mãe de Juliet era uma fotógrafa de zonas de guerra, e esse assunto é falado a todo momento na história. Isso me lembra bastante o Sebastião Salgado, e vocês bem sabem que ele é meu fotógrafo predileto no mundo. 

Então, movida a dor e a curiosidade, fui firme na leitura. E eu, que não tinha esperança de me ambientar com facilidade, me vi devorando em dois dias. Estava ligada. Estava apaixonada, e até com raiva. E quando um livro consegue provocar sentimentos tão controversos no leitor, normalmente é porque é um bom livro. 

Temos Juliet, que teve a mãe morta em um acidente de carro, e a quem ela deixa cartas no túmulo com frequência, porque era algo que elas faziam quando a mulher estava viva. E temos Declan, que está cumprindo pena educativa em um cemitério por ter bebido e destruído um prédio com o carro do pai. Ele acaba encontrando a carta de Juliet e deixa uma resposta, e assim começa um relacionamento "a distância". Ambos dividindo dores da perda. Ambos se ajudando a seguir em frente e agir inesperadamente. 

Olha, eu fico procurando hoje motivos para reclamar desse livro e não encontro. Os personagens principais são bons, e bons no sentido de bem construídos, porque eles tem defeitos que por muitas vezes me deu vontade de socar os dois, como todo adolescente. Mas a gente entende que os defeitos é parte de quem eles são, e, porra, são ótimos personagens! Sem esses defeitos não teriam a mesma humanidade que ambos tem. 

Os coadjuvantes também não ficam atrás. Até os ruins são cativantes, porque eles precisam ser ruins para a história funcionar. Na verdade o leitor entende que tudo em Aos Perdidos, com amor funciona como um organismo vivo e único. Eles se completam e precisam estar no mesmo lugar para funcionarem. Do melhor amigo de Declan, ao padastro dele. Da melhor amiga de Juliet, ao pai dela, aos professores "anjos" de ambos. Tudo tem seu lugar e seu jeito de acontecer. 

O ritmo da história é muito bom, e a autora joga um certo mistério que te faz ficar preso no livro até o fim. E acho que esse é um super ponto positivo para esse livro: A forma como a autora constrói a trama, como se fossem galhos de uma árvore. Você precisa de mais. Não existe aquele momento de stand by no livro. É sempre algo. Uma vontade de matar um padastro, uma vontade de sacudir um pai, um desejo de gritar para os dois que eles precisam enxergar que um esta exatamente ao lado do outro, em todos os sentidos. 

Enfim, não encontrei defeitos. Tudo amarradinho da maneira correta. Gosto de livros de dores adolescentes, e esse entrou fácil na minha lista de prediletos na categoria. Muito, muito amor por essa história. 


Chronos e as várias viagens no tempo para lá de loucas!

Título: Chronos
Autor: Rysa Walker
Editora: Darkside
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Sinopse: Na vida, tudo tem uma ordem certa para acontecer: os sapatos devem ser colocados depois das meias, a geleia deve ser passada no pão depois da manteiga — netos nascem depois dos avós. Kate Pierce-Keller nunca havia dado atenção a este último item, até sua avó surgir com revelações e um objeto que podem colocar sua existência em risco.Os eventos da premiada Trilogia Chronos se iniciam quando Kate descobre que sua avó é uma historiadora viajante do tempo — nascida alguns séculos à frente, mas presa ao presente por conta de um acidente — e possui um artefato, um medalhão azul reluzente, que permite realizar saltos temporais para qualquer época e local.
Tudo parece um absurdo no início, mas uma leve interferência na linha temporal faz com que os pais de Kate sumam do mapa e ela seja a próxima da lista. Arriscando sua vida, ela aceita a missão de tentar voltar no tempo para evitar um homicídio que é a chave de tudo e colocar as coisas no seu devido lugar. Mas se ela for bem sucedida, a interferência também terá um custo pessoal.
Neste primeiro volume, o leitor é transportado para a Exposição Universal de 1893, em Chicago, quando a Roda Gigante foi apresentada pela primeira vez e o serial killer H. H. Holmes dirigia um hotel construído especialmente para receber os visitantes da feira (e sumir com seus corpos). Em meio a tantos fatos históricos e curiosos, Kate precisa agir pontualmente para não estragar nada, e ainda impedir a ascensão de um culto religioso bastante poderoso que ameaça afetar o universo como o conhecemos.
A viagem no tempo sempre fascinou o ser humano e foi tema de obras que marcaram época como o clássico A Máquina do Tempo, de H. G. Wells, O Fim da Eternidade, de Isaac Asimov, o filme mais querido da década de oitenta, De Volta para o Futuro, o cult que impressionou uma geração, Donnie Darko, e a aclamada série Outlander, de Diana Gabaldon. Todo mundo já quis mudar alguma coisa do seu passado, mas é difícil calcular o impacto disso no presente. Além do mais, quem decide que essa mudança pode ser feita? Esses e outros dilemas são construídos e trabalhados de maneira afiada por Rysa Walker em seu romance de estreia, que chega ao Brasil pela DarkSide® Books em uma edição especial que vai durar séculos — e deixaria até mesmo Doctor Who curioso.
Chronos: Viajantes do Tempo, o primeiro volume da Trilogia Chronos, foi ganhador do prêmio Amazon Breakthrough Novel Award em 2013 e, com isso, recebeu o sinal verde para ser impresso pela Skyscape Publishing, um selo editorial da Amazon. Com o reconhecimento da obra, Rysa Walker passou a se dedicar integralmente ao seu ofício de escritora e deu continuidade às viagens de Kate pelas décadas. Agora, a autora também integra a coleção DarkLove, a linha editorial da DarkSide® Books que revela as vozes femininas mais surpreendentes do nosso — e de qualquer outro — tempo.

Chronos me ganhou a princípio pela capa - os livros da Darkside são um show a parte - e pela sinopse intrigante. Vamos combinar que ler sobre viagem no tempo sempre é uma das delicinhas da ficção científica. E da forma deliciosa que a autora fez aqui, fica melhor ainda. 

Olha, livros com viagens no tempo podem ser complicados de explicar, então vou tentar fazer o melhor que puder aqui, ok? 

Para começar temos essa menina, Kate, que tem uma família bem desestruturada. Não do tipo "meu pai bate em mim", porque tanto o pai como a mãe são ótimos. Mas estão divorciados, não se falam muito e a menina é obrigada a dividir o tempo de maneira que esteja igualmente com os dois. E ainda tem a avó, que aparentemente teve uma briga grande com a mãe de Kate no passado e não vê a filha ou a neta há anos. 

Mas isso está prestes a mudar quando ela as procura para dizer que está morrendo, que quer um pouco da presença da neta antes disso, e para te deixar um medalhão aparentemente inofensivo. Bem, pelos menos em teoria, porque para pessoas como Kate, ele é um poderoso recurso para viajar no tempo. 

Entenda que nessa história a viagem no tempo é quase uma ciência. Sim, algumas pessoas nascem com predisposição a usar o tal medalhão, mas ainda assim é algo com um regime firme de um tipo de organização dos viajantes do tempo e que necessitada do recurso do objeto para funcionar. Então, como Kate, existem várias outras pessoas com esse poder. Eles são uma espécie de documentadores da história. Viajam para fazer estudos. Isso até alguém começar a alterar a história, e Kate se vê envolvida nisso afim de mudar os planos da tal pessoa. 

Devo dizer que a sinopse desse livro não ficou tão boa. Ele fala de um momento específico que Kate tem que ir, e de um assassino em série, no entanto isso se dá já no finalzinho do livro, e quando acontece é tão curto que passa e a gente nem sente. 

O foco da história é Kate tentando aprender a usar o tal medalhão com a avó, e em dois romancecinhos que ela arranja -sim, porque um triângulo é algo comum em livros adolescentes. E já vou avisando que são terrivelmente mal desenvolvidos, portanto não espere muito disso nesse primeiro volume. 

Para mim os pontos fortes se devem a sacada da autora em utilizar a viagem no tempo como uma espécie de ciência do estudo da história, e não apenas uma pré-disposição genética a ela. E ainda que o livro tenham páginas intermináveis de cenas lentas demais, num todo eu gostei. Decidi que quero ler os próximos, porque tem muita coisa para explicar aqui ainda. 

Vingança e Redenção, uma montanha russa de emoções

Título: Crooked Kingdom - Vingança e Redenção
Autor: Leigh Bardugo
Editora: Gutenberg
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Sinopse: “Confiar na pessoa errada pode custar a própria vida.”Após se safarem milagrosamente de um ousado e perigoso assalto na notória Corte do Gelo, Kaz Brekker e sua equipe se sentem invencíveis. Mas o destino está prestes a dar uma perigosa guinada e, em vez de dividir uma vultosa recompensa, os seis comparsas terão que se munir de forças, de armas e de seus talentos para lutar pelas próprias vidas. Traídos e devastados pelo sequestro de um valioso membro da equipe, o Clube do Corvo agora conta com poucos recursos e aliados, e quase nenhuma esperança. Enquanto isso, forças descomunalmente poderosas se abatem sobre Ketterdam para desenterrar os segredos mais sombrios da potente droga conhecida como jurda parem, ao passo que antigos rivais e novos inimigos surgem para desafiar a perspicácia de Kaz e testar a frágil lealdade de seus parceiros. Agora, todos terão de enfrentar seus próprios demônios, e será preciso muito mais do que sorte para sobreviver à guerra que está se armando nas ruas obscuras e tortuosas desse implacável submundo – uma batalha por vingança e redenção que decidirá o futuro do mundo Grisha.


Levei praticamente três meses para acabar esse livro. E longe dele ser ruim, julgo dizer que foi uma das melhores experiências da vida, mas ele exigia muito de mim. De ter que dizer adeus a personagens que eu realmente era bastante apegada. Foi um parto fechá-lo pela última vez. Ainda acho que um pedaço de mim ficou ali, e estou desolada por isso. 

Todo mundo que leu Six Of Crows sabe que aquele final matou o leitor, não é? O tipo de fim que você fica falando palavrões por horas só para aplacar os acontecimentos malucos que se desenrolam nele. E, como uma perfeita continuação, Crooked Kingdow segura bonito o peso da primeira história. Com uma verdadeira maestria, para falar a verdade. 

Todo mundo sabe que não morri de amores pela outra série da autora. Tinha momentos bons, mas de modo geral era maçante e eu tinha um verdadeiro ranço com a protagonista. Portanto, foi uma série legal e só isso.  Mas Six of Crows... Ah, meus amigos... é um verdadeiro deleite para os amantes de fantasia. E não é só por ter o mais incrível grupo de bandidos reunidos envolta do melhor deles - Kaz - como por em nada perder em ritmo a ponto de ser cansativo. Claro que tem seus momentos tensos, mas de modo geral o leitor é surpreendido pela quantidade constante de interjeição que a história provoca em nosso cérebro. 

Não há muitos momentos de respiro, e os que tem são regados a planos mirabolantes que você acha que entendeu tudo, mas que na verdade a autora te faz de trouxa em todas as vezes. Nunca, nem um milhão de anos, eu imaginaria tudo aquilo. Era uma surpresa atrás da outra, e eu morria de amores por cada uma delas, sem contar que xingava a maestria de Leigh cada vez que percebia que Kaz estava um passo na frente dos outros. 

Para mim o forte dessa série sempre foi os protagonistas. A autora conseguiu fazer seis pessoas individualmente perfeitas, e que em conjunto se tornam as criaturas mais inteligentes e perigosas do mundo. Eles são FODA! 

E não diferente do primeiro volume, esse aqui também é cheio de tiros, explosões e bombas. Parecia que eu estava assistindo aquele tipo de filme frenético que sempre te engana no final, saca? Tipo um Truque de Mestre. Sim, meu querido Kaz Brekker é um Mestre com "M" maiúsculo. 

Estou com saudade, com certeza. Amo esses garotos, amo o ritmo desse livro e toda a trama que se desenvolve nele. É o tipo de história que você, amante de fantasia, vai querer manter na estante pelo simples prazer de tê-la lá e ser uma constante lembrança de quão foda um autor pode ser. 

Claro que não bateu Red Rising no segundo lugar no meu coração - tá para nascer um livro que desbanque Red Rising, mas Six Of Crows, e sua continuação maravilhosamente perfeita, vem logo atrás. 

Resenha de "Um Sedutor sem Coração" (Lisa Kleypas)

Título: Um Sedutor sem coração
Autor: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
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Sinopse: Devon Ravenel, o libertino mais maliciosamente charmoso de Londres, acabou de herdar um condado. Só que a nova posição de poder traz muitas responsabilidades indesejadas – e algumas surpresas.A propriedade está afundada em dívidas e as três inocentes irmãs mais novas do antigo conde ainda estão ocupando a casa. Junto com elas vive Kathleen, a bela e jovem viúva, dona de uma inteligência e uma determinação que só se comparam às do próprio Devon.
Assim que o conhece, Kathleen percebe que não deve confiar em um cafajeste como ele. Mas a ardente atração que logo nasce entre os dois é impossível de negar.
Ao perceber que está sucumbindo à sedução habilmente orquestrada por Devon, ela se vê diante de um dilema: será que deve entregar o coração ao homem mais perigoso que já conheceu?
Um sedutor sem coração inaugura a coleção Os Ravenels com uma narrativa elegante, romântica e voluptuosa que fará você prender o fôlego até o final.

Olha, de modo geral esse foi um dos romances de época que mais gostei de ter lido. O que rendeu crítica por parte de outras pessoas, foi algo positivo para mim. O achei maduro e com um tempo de construção de relacionamento convincente entre o casal. Claro que depois de Mais Lindo que a Lua, tudo é lucro em relação a tempo de relacionamento. 

Nesse livro vamos conhecer Devon Ravenel, que depois da morte do primo acabou herdando suas terras e o comando da sua casa, com a viúva dentro e mais as três irmãs dele. E isso era algo que certamente Devon não queria, visto que a terra está afundando em dívidas, e ele é do tipo que gosta de curtir a vida com liberdade. Mas algo em Kathleen, a viúva, tira Devon dos eixos, e ele começa a pensar na possibilidade de cuidar do lugar e das mulheres, invés de simplesmente vender tudo. 

Um romance de época, e portanto tem muito do mesmo. Mas surpreendentemente tem muita coisa nova também. Primeiro que a mocinha, a qual recebeu muitas críticas por parte de muita gente, é um deleite. Ela realmente é atrevida e tem muitos nomes feios na ponta da língua. Quando as pessoas dizem que todas as mocinhas desses livros são empoderadas é porque não conheceram Kathleen ainda. Isso sim é uma mocinha pra frente. Tanto que ela passa a sensação para muita gente de que é chata. Pessoalmente a adorei. 

Outro super ponto positivo é que o livro não fica apenas focado no casal principal, rendendo muitas cenas gracinhas para a a irmã mais velha e Rhys, o próximo casal da série. Ajuda a dar uma descansada na história. 

E ai vai mais um ponto super bacana, que é o irmão de Devon. Ele é de longe meu personagem favorito. Tem um humor maravilhoso, é super amigo do irmão e das meninas. Uma pessoa que realmente queria ter ao meu lado. Me conquistou desde o princípio, e é um personagem que visivelmente cresce com a trama. Só não entendi o por quê ele ficou sem livro próprio. Pelo o que vi da série, apenas as meninas tem livros. Uma decepção, porque posso dizer que ele é um xodozinho. 

Enfim, o livro tem muitos momentos maravilhosos. Dos últimos romances que li, ele foi de fato meu predileto. Claro que tem os clichês, ou não seria um romance de época, mas são superáveis dentro do contexto geral da obra. Gostei mesmo.