"Até o Fim" e como um livro tinha tudo para ser o melhor do autor e não foi

Título: Até o Fim
Autor: Harlan Coben
Editora: Arqueiro (Cedido em parceria) 
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Sinopse: NOVO LIVRO DE HARLAN COBEN, AUTOR COM MAIS DE 70 MILHÕES DE LIVROS VENDIDOS NO MUNDO.Coben é conhecido como “o mestre das noites em claro" e é o único escritor a ter recebido a trinca de ases da literatura policial americana: o Anthony, o Shamus e o Edgar Allan Poe.
O detetive Nap Dumas nunca mais foi o mesmo após o último ano do colégio, quando seu irmão Leo e a namorada, Diana, foram encontrados mortos nos trilhos da ferrovia. Além disso, Maura, o amor da vida de Nap, terminou com ele e desapareceu sem justificativa.
Por quinze anos, o detetive procurou pela ex-namorada e buscou a verdadeira razão por trás da morte do irmão. Agora, parece que finalmente há uma pista.
As digitais de Maura surgem no carro de um suposto assassino e Nap embarca em uma jornada por explicações, que apenas levam a mais perguntas: sobre a mulher que amava, os amigos de infância que pensava conhecer, a base militar próxima a sua antiga casa.
Em meio às investigações, Nap percebe que as mortes de Leo e Diana são ainda mais sombrias e sinistras do que ele ousava imaginar.

 Dificilmente eu erro quando pego um livro do Coben para ler. Ele sempre é minha escolha quando quero algo com mais velocidade, e sempre esta nos pedidos com a editora quando aparece como lançamento, o que foi o caso de Até o Fim. E o que começou maravilhosamente bem, caminhando para se tornar meu livro predileto do autor, errou bonito no fim, o que me fez ter uma raiva maluca. Afinal, é Coben, e é sério quando digo que ele raramente erra. 

Em Até o Fim vamos conhecer um pedaço da história de Nap, um policial que tem uma tragédia familiar no passado, e que vive solitário na casa que seu pai deixou para ele quando morreu, fazendo de Nap o último remanescente da família, e um homem solitário que fez de projetos sociais e a família de sua melhor amiga como a sua própria. 

O livro já começa mostrando quem é o Nap e o que ele é capaz de fazer, e logo em seguida nos mostra que as impressões digitais da ex namorada, que sumiu na adolescência, apareceu em uma cena de crime, e mais, o assassinado era um ex amigo de escola dos dois. Era muita coincidência para ignorar. 

A partir disso Nap começa a investigar a morte do amigo e a aparição repentina da ex namorada, o que o leva a entrelaçar também à morte do irmão, que foi atropelado por um trem quando era adolescente. Todos os acontecimentos pareciam convergir para o mesmo lugar, e Nap não descansará até descobrir que lugar é esse. 

Sabe Stranger Things? O seriado? Bem, eu sou completamente apaixonada por ele, e acho que esse foi um dos motivos que me fez gostar tanto do caminho que a história estava tomando. Ela tinha uma nostalgia do passado, de adolescentes achando que eram donos do mundo em cidades pequenas. Da época da Guerra Fria, e aquele clima de conspiração norte americana no quesito experiências para estar à frente dos russos. Tudo era uma delicia de se ler.  

Contudo, apesar desse super ponto positivo, o livro ferrou com o final. Apressou as coisas, deu uma solução que o autor quis fazer com que fosse genial, mas para que mim soou como preguiça, e colocou um"remember crush"do passado do Nap que me fez revirar os olhos de agonia. Entenda, não possuo problemas nenhum com paixões repentinas e até acredito nelas, mas acho que Coben poderia ter feito melhor do que fez ali. Não combinava com a história, saca? Não combinava com o ritmo dela, e com quem Nap se tornou ao longo dos anos em relação as pessoas. Ele era desconfiado demais para isso. 

Enfim, não engoli o final do livro. Mas foi o finalzinho mesmo, as ultimas 20 páginas. Até então estava maravilhoso e caminhando mesmo para se tornar o melhor livro que li do autor. Uma pena. Mesmo. 


"O Destino das Terras Altas" e porque nem sempre uma capa linda é sinônimo de um livro bom

Título: O Destino das Terras Altas
Autor: Hannah Howell 
Editora: Arqueiro (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Em O Destino das Terras Altas, primeiro livro da série Os Murrays, Hannah Howell nos apresenta o esplendor da Escócia medieval com uma saga de guerra entre clãs, lealdades divididas e amor proibido.Quando o destino coloca Maldie Kirkcaldy na mesma estrada que sir Balfour Murray e seu irmão ferido, ela lhes oferece seus serviços como curandeira. Ao saber que tem em comum com sir Balfour um juramento de vingança, decide seguir com ele para cumprir a sua missão.
Mas ela não pode lhe revelar sua verdadeira identidade, sob o risco de ser acusada como espiã. Enquanto luta para negar o desejo que a dominou assim que viu o belo cavaleiro de olhos negros pela primeira vez, Maldie tenta a todo custo conservar o aliado.
Balfour, por sua vez, sabe que não pode confiar nela, mas também não consegue ignorar a atração que nasceu entre os dois. E, ao mesmo tempo que persegue seu objetivo de destruir Beaton de Dubhlinn, promete descobrir os segredos mais profundos dela e conquistar o seu amor. Para isso, não deixará que nada se interponha em seu caminho.


Saca aquele livro que a gente compra porque a capa e o título são maravilhosos? Esse é o caso de O Destino das Terras Altas. E é um daqueles episódios que a gente leva um toco dos grandes de decepção com a história. 

Balfour é o senhor de um grande clã, que tem um dos irmãos sequestrados pelo seu inimigo. Ao tentar resgatar o garoto, ele conhece Maldie, que é uma curandeira e que se tornou muito necessária quando o irmão do meio é ferido em combate. Só que ele não sabe nada sobre Maldie, e isso vai fazer muitas pessoas do clã erguerem a sobrancelha para ela, em desconfiança, enquanto a convidada está nas terras deles esperando Nigel, o irmão adoentado, melhorar. 

Esse livro teve muitas coisas que me irritaram, mas acho que a principal delas foi o insta love que acontece entre os protagonistas. O irmão do cara ta ali morrendo, no meio da estrada, e tudo o que ele consegue fazer é olhar para a mulher que brota do nada e notar como ela é linda e como ele a deseja. Sério? Tipo, sério mesmo? 

E depois disso é um relacionamento absurdamente mal construído e em cima de base alguma que seja estável. Hora Balfour é um grosso ridículo, e na outra cortês que passa dos limites, de tão enjoativo. Eu não engoli por um segundo o romance dos dois. Maldie se acha a forte que vai resistir a todos os homens porque não quer repetir os erros da mãe, mas tá ali na cama de um senhor que mal conhece e que tem um temperamento para lá de suspeito e imaturo. 

Insegurança é a palavra principal quando se trata de Balfour. Um senhor de clã, poderoso que só a porra, mas cheio de medos infantis acerca de coração e romance. Claro que as pessoas tem as suas fraquezas, mas como as ele dava agonia. Tenha dó, criatura! 

Para um romance de época, a melhor coisa foi sem dúvida as brigas entre os clãs. O mecanismo entre eles é uma maravilha de ler. Talvez se a autora tivesse tirado o foco de romance e colocado nas tramas entre os clãs, no estilo Game Of Thrones, as coisas teriam sido melhores. Nesse caso, ela trabalhou melhor isso do que qualquer outro segmento. 

Os protagonistas não tem qualquer carisma, o desenvolvimento do relacionamento é ridículo e o ritmo foi lento demais para mim. Então como romance de época, não rolou. Uma pena. 

Ainda planejo ler o segundo, porque gosto muito do Nigel e é dele que o livro vai falar. Mas esse primeiro, ao meu ver, foi um verdadeiro fiasco. 

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"Um Estranho Irresistível" e os melhores personagens de romance de época

Título: Um Estranho Irresistível
Autor: Lisa Kleypas
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Sinopse: A autora de best-sellers do The New York Times, Lisa Kleypas, lança o conto de uma jovem de beleza não convencional que encontra em um espião uma irresistível paixão.Uma mulher que desafia seu tempo.
Dr. Garret Gibson, a única médica mulher na Inglaterra, é tão ousada e independente quanto qualquer homem – por que não lidar com os próprios desejos como se fosse um? No entanto, ela nunca ficou tentada a se envolver com alguém, até agora. Ethan Ransom, um ex-detetive da Scotland Yard, é tão galante quanto secreto, e sua lealdade é um verdadeiro mistério. Em uma noite emocionante, eles cedem a uma poderosa atração mútua antes de se tornarem estranhos novamente.
Um homem que quebra todas as regras.
Ethan tem pouco interesse pela alta sociedade, mas é cativado pela preciosa e bela Garrett. Apesar da promessa de resistir um ao outro depois daquela noite sublime, ela logo será atraída para sua tarefa mais perigosa. Quando a missão dá errado, Garret usa toda a sua habilidade e coragem para se salvar. À medida que enfrentam a ameaça de uma traição do governo, Ethan fica disposto a assumir qualquer risco pelo amor da mulher mais extraordinária que já conheceu.

Um Estranho Irresistível vai contar a história de Ethan, um ex-detetive que hoje em dia faz alguns trabalhos escusos e misteriosos, e Garrett, a única melhor médica de toda a Inglaterra. Daí vocês podem me perguntar como isso se encaixa em uma série da família Ravenel, e vou precisar te responder que precisam ler para entender onde qualquer um dos dois se encaixam nisso. 

Tanto Garrett como Ethan aparecem em volumes anteriores da série, em momentos bem importantes dela, então se você leu os outros provavelmente deve saber de quem estou falando e deve ter algumas teorias acerca deles. 

Esse foi o livro da série com melhor construção, ao meu ver. Acredito que estou bem cansada da estrutura dos romances de época que leio, e esse veio como um fôlego para os demais. A mulher trabalha, é independente em algo além do controle da própria lingua. O carinha é irlandês, tem um passado misterioso e faz serviços estranhos para pessoas diversas. Ele em si é um completo mistério, e tirou toda aquela coisa de que estava acostumada de condes e duques e por ai vai. 

A condução do relacionamento deles é uma delicinha. Sexy na medida certa, e tensa quando precisa ser. Além de que, por ter um ex detetive na jogada, a gente sabe que o livro vai ter um pouquinho de ação, o que achei um verdadeiro deleite. 

Mas se teve algo que me deixou estressada aqui foi a reviravolta financeira que a autora dá a Ethan. De um homem pobre morando em um quartinho velho para... bom, vocês vão ter que ler. Mas já digo que isso me chateou o bastante. Dá a entender que toda e qualquer mocinha só pode ser feliz se for com um carinha endinheirado, e não é bem assim. Esses padrões me irritam absurdamente, e foi o motivo de ter tirado uma estrela do livro. 

Contudo eu digo e repito que ele vale a leitura. É diferente em coisas geniais, tem os melhores personagens de romance de época e a ação necessária para não te deixar cair no sono. Irritei-me apenas com a mudança de status de Ethan, mas nada que irrite as pessoas de maneira geral. Estou em um momento feminista, e talvez ler romances de época me deixam irritada num todo. Mocinhas seguindo regras ridículas de homens machistas. Argh! 

Mas, como disse, é um dos melhores que já li. 


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"A Caça" e os estranhos hábitos que os ricos tem

Título: A Caça
Autora: M. A. Bennet
Editora: Arqueiro
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Sinopse: O ano letivo começou e Greer ­MacDonald está se esforçando ao máximo para se adaptar ao colégio interno onde ela entrou como bolsista. O problema é que a STAGS, além de ser a escola mais antiga e tradicional da Inglaterra, é repleta de alunos ricos e privilegiados – tudo o que Greer não é.Para sua grande surpresa, um dia Greer recebe um cartão misterioso com apenas três palavras: “caça tiro pesca”. Trata-se de um convite para passar o feriado na propriedade de Henry de Warlencourt, o garoto mais bonito e popular do colégio... e líder dos medievais, o grupo de alunos que dita as regras.
Greer se junta ao clã de Henry e a outros colegas escolhidos para o evento, mas esse conto de fadas não vai terminar da maneira que ela imagina. À medida que os três esportes se tornam mais sombrios e estranhos, Greer se dá conta de que os predadores estão à espreita... e eles querem sangue.
Que a caçada comece!

Bom, ninguém pode negar que ricos tem formas estranhas de passar o tempo. A todo momento que lia esse livro ficava pensando que o problema desses guris era falta de um lavado de roupa para cuidar.  Resolveria rapidinho com uma surra de cinta e um dia de trabalho. 

Greer é uma novata nessa escola antiga e estranha de ricos. Ela é bolsista, e desde que chegou por lá ainda não fez amigos e se sente mega deslocada. Isso até receber uma carta misteriosa a convidando para passar o final de semana na mansão dos Warlencourt, a família mais galhada (entenda que galhadas aqui são super importantes) e podre de rica da escola. 

A premissa básica do livro é essa. Parece simples, né? E de fato é absolutamente simples. Não me incomodou o fato de ter uma premissa simples, já li muitos livros que a ideia era das mais banais, mas que ganhava corpo com o desenvolver da história. O que obviamente não foi o caso de A Caça. 

Para começo de história, acredito que cativar o leitor com os protagonistas é essencial. Se a história não é consistente o suficiente para cativar pelo enredo, então o protagonista precisa gerar empatia do leitor. Greer não conseguiu a minha. Talvez se o livro tivesse mostrado o antes de Greer com um pouco mais de entusiasmo, eu tivesse conseguido me conectar com ela. Mas tudo o que vemos é uma menina deslocada que aceita ir para um final de semana na casa de pessoas que não conhece, e que na real a despreza, por motivo nenhum em específico, mesmo recebendo um aviso assustador que ela não deveria ir. 

Quem merda aceita um convite desses? É por estar se sentindo deslocada? Na boa, guria, isso não é motivo o suficiente.  Os garotos são explicitamente escrotos, então que porra você vai fazer lá? 
Essas coisas me dão nos nervos. 

Também me deixou profundamente estressada a dinâmica na casa, no tal final de semana. Depois do dia da Caça era para todo mundo ter ido embora, mas foram? Não. E isso pareceu absolutamente normal. E daí isso se repete com os tiros, mas, de novo, pareceu normal todo mundo continuar na maldita casa, agindo como se tudo aquilo estivesse ok. 

Preciso dizer que o livro tem uma ideia interessante. Adolescentes com instinto de nazistas que acham que são melhore que os outros e que devem colocar cada um no seu lugar. Entendo isso, mesmo. Mas daí, como disse, a construção precisava ser mais sólida para me fazer acreditar em tudo o que estava lendo. No final das contas sabe o que senti? Que estava vendo um filme de sessão tarde que alguém teve preguiça de elaborar o enredo, e pior, que termina com um grande ponto de interrogação porque, aparentemente, deixar as pessoas na dúvida é maravilhoso. #sqn

Enfim, é um livro que tem uma ideia boa. Tenta ser interessante, mas peca com momentos bobos que caem nos enredos famosinhos de histórias de terror/suspense adolescente. Poderia ser infinitamente melhor. 

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Gatilho Emocional na escrita



Essa semana recebi uma inquietação de uma cliente em relação ao livro dela. Estava aflita por causa da nova história em que estava trabalhando.Achando que ela pudesse ter muitos gatilhos emocionais para pessoas suicidas, e que isso fosse deixar alguns leitores aflitos e com relutância em acabar o livro. O assunto gerou uma série de discussões saudáveis sobre o trabalho como escritor, não só com ela como com meus outros clientes. E achei o assunto abrangente e interessante o suficiente para vir falar com vocês também. 

O que é ser um escritor? 

Um escritor é um eterno catalogador do mundo em volta dele, e mais do que isso. Ele enxerga, compreende e usa o que vê ao redor como fórmula para escrever uma história. Normalmente o tema de um livro surge com uma inquietação humana. Em olhar pessoas passando por determinadas situações e achar que elas dão uma boa história. Às vezes até ele mesmo passou por coisas semelhantes e usa a escrita como um modo legal de externalizar isso e se livrar de alguns demônios (as vezes funciona. Minha terapeuta já indicou a escrita como tratamento). 

Se o livro tiver temas que provocam gatilhos mentais, como depressão ou estupro, por exemplo, é certo que ele vai atingir algumas pessoas mais fortemente do que atinge outras. Principalmente se as pessoas passaram por coisas semelhantes em suas vidas e veem isso como um problema ainda presente. Ou seja, não trataram dele como deveria. 

Usando minha própria vida como exemplo (gosto de fazer isso com vocês para que entenda que isso aqui é vida real), eu tenho sérios problemas em ler livros com crianças que morrem. Li um alguns anos atrás onde a mãe, protagonista da história, teve uma filha que morreu ainda bebê de problemas cardíacos. Isso me atingiu fortemente porque a minha primeira filha morreu do mesmo modo. Então é lógico que é um livro que vai me ferir muito mais do que feriria outras pessoas que não tiveram histórias semelhantes perto de si. E isso é normal. Todo ser humano tem grandes manchas sentimentais em suas vidas, e algumas feridas jamais cicatrizam. 

As vezes só em ler sobre traição e a pessoa entra em uma paranóia depressiva, porque passou por uma situação traumática envolvendo o assunto. Já esse tipo de questão não me atingiria em nada. Não da forma que atingiu essa pessoa. Entenderam onde quero chegar? Sempre alguém vai se sentir pessoalmente ofendido por uma questão tratada em algum livro, e você como escritor não pode se preocupar com isso ou jamais irá escrever. 

Colocando-me no papel de leitora, evito ao máximo livros que sei que tratam de crianças doentes ou pacientes com doenças terminais. As vezes acontece de não estar na sinopse ou de não saber nada sobre o livro e ser pega de surpresa. Nesse caso eu desisto de ler sem peso na consciência. Sei até onde posso ir com meu emocional e paro quando sinto que não vai me fazer bem. Mas jamais puniria o autor por esse motivo, como minha cliente estava se punindo por medo de atingir as pessoas. Porque a história estava lá, precisava ser contada e o autor aproveitou que ela lhe sussurrou ao ouvido. Aquilo que me fez mal, pode fazer bem a outras pessoas. Preciso respeitar isso e seguir adiante. 

Para se sentir tranquilo, o que você pode fazer é alertar no começo do livro que ele pode ter gatilhos para depressivos ou pessoas que sofreram abusos domésticos, por exemplo. Mas apenas se isso não for comprometer a surpresa do leitor com sua história. Se isso não for dar spoilers sobre ela. Se for, não coloque. E invés disso você pode, ao fim dela, dar uma solução para quem passa por traumas semelhantes. Números de Centros de Apoio é um bom exemplo. Apresentar a problemática e uma solução é o melhor modo de ajudar o leitor que viveu problemas desse tipo. 

Lembrem que nosso papel como escritor é contar uma história. Observar o entorno e registrar isso para que outras pessoas possam ter acesso a vida dos personagens que querem ser lidos. Como falei, mesmo que prejudique alguém por um momento, pode ajudar outros. Portanto não se limite como escritor por conta dos gatilhos emocionais. Tente não se preocupar com isso. Existe gatilho mais forte do que os jornais da TV? Acho que não, e ainda assim as pessoas insistem em ver. E aqueles que não gostam, simplesmente mudam o canal. O leitor tem que encarar a leitura difícil emocionalmente para ela da mesma forma. Se não der para digerir, simplesmente muda. A Tv não vai deixar de noticiar porque não te fez bem. Um autor também não pode deixar de contar uma história pelo mesmo motivo. 

Sejamos firmes quanto a isso, ok?



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Tiger Lilly e como pegar uma história batida e fazer uma obra prima

Título: Tiger Lilly
Autor: Jodi Lynn Anderson
Editora: Morro Branco
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Sinopse: Antes do coração de Peter Pan pertencer à Wendy, ele pertenceu à menina com penas de corvo nos cabelos...Tiger Lily não acreditava em histórias de amor ou finais felizes, até encontrar Peter na floresta proibida da Terra do Nunca. Diferente de todos que conhecia, ele era impulsivo, corajoso e fazia seu coração bater mais rápido. Mas como líder dos Garotos Perdidos, os mais temíveis habitantes da ilha, Peter era também uma escolha improvável para Tiger Lily. Ainda assim, ela logo se viu arriscando tudo - sua família e seu futuro - para estar com ele.
Com tantas diferenças ameaçando separá-los, o amor dos dois parece condenado. Mas é a chegada de Wendy Darling que leva a menina a descobrir que os inimigos mais perigosos podem viver dentro dos corações mais leais e amorosos.
Da autora best-seller do The New York Times, esse romance mágico e encantador entre uma heroína corajosa e o garoto que não queria crescer vai partir seu coração.

Eu imaginei duas coisas sobre esse livro. A primeira era que provavelmente iria gostar, já que sou aficionada em todo o universo da Terra do Nunca. A outra era que Tiger Lilly, a índia a qual eu não via graça nenhuma na história de Peter Pan, teria grandes chances de mudar meu pensamento sobre ela. Fico feliz em dizer que acertei duplamente. 

Esqueça tudo o que você sabe sobre A Terra do Nunca, Peter Pan, Gancho, os Meninos Perdidos, Wendy e Sininho. O que a autora faz aqui tem o pé em cima da história original, mas é muito mais do que isso. É uma mostra do quão diferente pode ser uma história, ainda que ela seja inspirada em algo que a gente cresceu ouvindo falar sobre. É uma desconstrução de ideia que carregamos desde sempre. 

Não vamos começar esse livro vendo três crianças felizes contando histórias de ninar em seus belas camas londrinas. Vamos ver uma garotinha orfã, que foi acolhida por um dos chefes de uma tribo e que agora é cuidada por ele. Trabalhando duro no lugar onde mora, e sendo prometida a um porco de homem porque foi esse o trato que o pai de criação dela fez ao trazê-la para morar com eles na tribo. 

Esqueça garotas delicadas que estão prestes a crescer e serem tratadas como damas. Aqui a protagonista é uma guerreira desde sempre. Do tipo que bate de frente com garotos e que causa medo ou inveja neles. Que é, de alguma forma, assustadora em muitos sentidos. 

Esqueça uma Sininho que joga pó mágico em cima das pessoas. Aqui a Sininho é uma narradora fiel que acompanha Tiger Lilly e Peter Pan em seus momentos. Que não tem poder algum de mudar qualquer coisa, e que funciona apenas como olhos da história desses dois para a gente. Sou grata a ela por isso. 

Esqueça mãos comidas por crocodilos ou Piratas sem propósito. Aqui o vilão é alguém de fé inabalável, só que nem sempre uma mesma fé funciona para todos os povos. Esqueça Terra do Nunca que se chega atravessando uma galáxia inteira na base do pó magico. Aqui o negócio é muito mais real e tangível, e quase pude acreditar que a Terra do Nunca era uma ilha comum escondida dos olhos simplesmente por uma neblina. 

Só duas coisas aqui são exatamente como na história original: Wendy Darling ainda tem aquele jeitinho cativante de fazer amigos e ser uma "mãe" para os Meninos Perdidos, e Peter Pan ainda é a figura antagônica dele mesmo. Nem bom nem mau. Nem certo nem errado. Vive como se tivesse a capacidade de sentir apenas uma coisa por vez, e segue firme com esse pensamento, não importando quem ele vai machucar no caminho. 

Tiger Lilly é um livro duro, por vezes difícil, mas real de um jeito que não achei que ele fosse ser. Eu senti muito mais personalidade nos personagens tratados aqui do que nos de James Barrie na história original. Aquela ideia onírica e suave aqui é tratada com uma crueldade real. Não que se perca todo encanto da magia, mas a magia aqui não tem nada a ver com poderes sobrenaturais, mas os reais que exercemos sobre as pessoas e sobre a natureza ao nosso redor. 

Terminei a leitura completamente apaixonada pela garota india, e com uma sensação de "deixa estar". Não era o final ideal para uma mente que ainda crê em romances em fantasia, mas era o final perfeito para essa história em específico. Era o final que ela precisava. 

Não tinha como dar outra nota que não fosse todas as possíveis. É um livro sobre possibilidades e que nem sempre precisamos de mágica para tomar decisões e ferrar com as pessoas por causa delas, ou usar a mágica para evitar isso em nossas vidas. Jodi desconstruiu toda a ideia de Terra do Nunca que eu tinha, e ainda que eu sinta que uma parte da minha infância se perdeu no caminho, eu ganhei um tipo extra de força adulta que me surpreendeu porque aconteceu por causa de uma história de criança adaptada por alguém que até um dia desses eu nem sabia quem era. 

Cativante e doloroso. Assim foi essa história para mim. Perfeita em cada pedaço dela. 



Personagens Quaterbacks de tirar o fôlego


Você aí, no mês de fevereiro, deve ter se deparado com alguma notícia do Superbowl, não é mesmo? Sim, aquela final do futebol americano cuja publicidade no intervalinho de poucos segundos vale mais que a minha vida e a sua juntas.
Então, reuni vários livros sobre o tema, porque afinal, quarterbacks ou não, a Jogada aqui é se eles têm pegada...

Livro Fair Catch - Meghan Quinn (não lançado no Brasil)

Olha, esse foi uma grande decepção. Porque começa promissor. A menina protagonista é o tipo atleta, bem torneada e bonita. Ou seja, tinha tudo pra ser a estrela do Campus junto com o Quarterback. Mas não, de forma bem criativa ela é justamente a garota mais introvertida da faculdade. Então, a primeira vez que o “estrela do time” a vê, ele se pergunta: que diabos eu estava fazendo que não vi esse deusa por aqui?
É bem original no começo, apesar de todos os outros recursos clichês que utiliza (cara popular e pegador). Mas quando finalmente eles cedem à Irresistível paixão lá pela metade do livro, a história antes legal fica chata e monótona.
Deus meu, acho que nunca li tanto “os músculos dos seus braços se flexionam de maneira incrível”. Tá fia, já entendi, esse cara aí tem um físico de lascar um coco, mas já deu... e os problemas criados para separar o casal são tão chinfrins que faria seu filho de sete anos se envergonhar. Pirraça é coisa de criança e não combina num universo new young!
Índice de fofurencia: 🤗
Índice de cenas quentes: 🔥(o exagero de “flexão de músculos” matou a química pra mim”
Índice de drama na medida: 😭(Protagonista + interessante do que o enredo)


O Jogador - Vi Keeland 
(Editora Charme)

Até hoje o melhor que já li (de futebol americano). Se souberem de algum tão bom quanto (e nesse tema) podem indicar nos comentários. A garota uma repórter esportiva. E que um dia vai entrevistar o famoso número 1 do futebol americano. Resultado? Enredo divertidíssimo, mas com certa preocupação em delinear o crescimento do relacionamento do casal (o que muitos NA esquecem de mostrar) e mesmo no quesito clichê: surpreende.
Índice de fofurencia: 🤗🤗
Índice de cenas quentes: 🔥🔥🔥(sobra química)
Índice de drama na medida: 😭😭(Protagonistas e enredo interessante)


Hate to love you - Tijan

Da famosa autora conhecida por excelentes new adults. Achei os personagens fracos apesar do enredo ser sutilmente original. Simples, com histórias do dia a dia que toda estudante universitária já viveu. Mas os protagonistas não tem química, nem mesmo são interessantes individualmente falando. E acho que foi muito mais por falta de abordagem profunda do que composição de suas características. Isso Deixou frágil a ligação entre eles e portanto, medíocre o romance.
Índice de fofurencia: 🤗
Índice de cenas quentes: 🔥(sem a química, não foi possível sentir aflição ou qualquer outro “ão” na história)
Índice de drama na medida: 😭
(Protagonistas não são chatos, só rasos)


A Jogada Perfeita - Jaci Burton 
Editora Angel 

Era pra ser sobre um bad boy regenerado. Acabou sendo mais um livro sobre um cara que só queria se aquietar. E foi isso. Uma mulher madura (com filho adolescente a tiracolo) cruzou seu caminho e assumiu o que muita mulher não quis antes: o homem por trás dos músculos de um quaterback profissional. 
Índice de fofurencia: 🤗🤗🤗
Índice de cenas quentes: 🔥🔥 (tem até excessos e cenas repetidas, mas vai lá, o cara é fofo)
Índice de drama na medida: 😭
(Mocinha não é chata, só não tava num momento bom)

E ai, qual o seu quaterback predileto? 
Vai lá no Instagram conversar com a gente!  @caroltelesbispo



Umbrella Academy e uma série despretensiosa e fantástica!


Heelloo, people!
Vamos conversar hoje sobre essa série que estou extremamente feliz de ter dado uma chance para ela, porque se tornou um dos meus mais novos xodozinhos da Netflix. Tanto que corri atrás da HQ e li em uma tarde. E ainda que a HQ seja uma delicinha, não se compara a sublime arte que fizeram com a série. 

Sinopse: Baseada na premiada série de quadrinhos com roteiro de Gerard Way e arte do brasileiro Gabriel Bá. A série acompanha um grupo superpoderoso de integrantes criados quando crianças para se tornarem heróis, pelo enigmático Sir Reginald Hargreeves. Nos dias de hoje, adultos, eles se encontram divididos e têm que se reunir para enfrentar um dos seus.



Acho que esse tem que ser um post que relate as diferenças entre a HQ e a série, que são inúmeras, e importantes de serem ditas para quem, como eu, se interessou em ler uma HQ pelo tamanho da bizarrice da série. Na boa? Eu queria ver se ela era tão louca no papel quanto era na tela, mas não era. Como vou fazer um post exclusivo sobre a HQ, vou falar poucas coisas sobre ela lá no final do texto, mas no geral vamos conversar sobre a série aqui, ok? 

Entenda o seguinte... Quarenta mulheres tiveram filhos em um único dia, espalhados em vários lugares do mundo. O único problema é que nenhuma delas estava grávida antes daquele dia. O tamanho da bizarrice do fato era tão grande, que um rico excêntrico chamado Sir Reginald Hargreeves, interessado no fato, consegue adotar sete deles. E a medida em que vão crescendo, ele vai ensinando os garotos como lidar com os poderes que aparentemente todos tem. Quer dizer, todos menos a número sete, Vanya. 

Os números são a forma que Sir. Reginald chama os novos filhos, a quem ele não trata exatamente como filhos. São mais como cobaias de laboratório a quem ele treina até a exaustão e desgaste emocional. 

Luther, o número 1, tem uma força descomunal. Diego, o número 2, consegue encurvar facas com precisão. Alison, a número 3, tem a capacidade de persuadir pessoas a fazer o que ela pede. Klaus, o número 4, conversa com os mortos. O número 5 não tem nome, mas ele é capaz de fazer viagens no tempo/espaço. O número 6, Ben, tem um tipo de polvo com muitos tentáculos que sai da sua barriga. E por último a número 7, Vanya, que não tem poderes nenhum, e por causa disso é tratada como uma excluída no grupo. 


As desavenças da vida acabam separando esses meninos a medida que eles vão crescendo, principalmente depois da adolescência, e só Luther fica por mais tempo com o pai, e por último acaba sendo enviado para a lua, sendo chamado pelos irmãos de Space Man (ou é Rocket Man, não consigo lembrar exatamente). 

Quando o pai, Sr. Reginald, morre, os meninos voltam adultos para o seu enterro e para descobrir que há algo de muito suspeito na morte do velho, o que faz cada um, em separado, começar a investigar o ocorrido. 

Ah, também importante dizer que o número cinco some na adolescência, depois de uma birra com o pai. E que Ben morre.  Então o que de início eram sete, começam a desintegrar e ficar apenas cinco, e espalhados pelo mundo - ou fora dele, no caso de Luther. 



Se tivesse uma única coisa ruim sobre essa série, é que as vezes os ritmos dos personagens não batiam. Diego estava em uma cena super corrida, e Luther introspectivo, por exemplo. Isso por si não seria um problema numa narrativa cinematográfica, mas em Umbrella Academy ficou meio estranho essa falta de um fio forte que ligue os acontecimentos. Entendo que pode ser uma escolha da direção, para mostrar como eles estão diferentes e distantes ao ponto de não contarem com ninguém para fazer nada, mas ainda assim acho que faltou um pouco mais dessa linha. Contudo, tirando isso, toda a série é um banho de perfeição.




Para começar, os personagens são simplesmente incríveis e caricatos. É fácil identificar cada um deles e decorar seus nomes com rapidez, de tão forte que eles grudam na gente. Os poderes não são importantes ou realmente incríveis em relação a trama, tirando o do Número Cinco, a quem o filme tem grandes linhas que convergem para (e dos) poderes dele. A grande maioria você fica o filme inteiro e nem vê que foi usado. 

Mas o comportamento, a personalidade de todos é bem delineada. E devo dizer que Klaus e o Número Cinco são simplesmente os meus prediletos. Sempre gostei de personagens malucos, e Klaus se encaixa nessa categoria, como amo os badass, e por incrível que pareça e mesmo que Diego force, Cinco é o badass da série. 

A trilha sonora é simplesmente um espetáculo - já adicionei a playlist ao meu Spotify, e ela tem uma entrada incrível em cenas de ação primorosas, e as vezes nem são em cenas de ação. As calmas também pedem músicas, e a equipe soube trabalhar muito bem a mixagem de som em cada uma delas. 

O visual da série é de babar. Ainda que não se diga em que época estamos especificamente, sabe-se que é um passado - pela falta de tecnologia, pelos carros e roupas retrôs, ao mesmo tempo que também pode ser um futuro, justamente pelos mesmos motivos. Engraçado, né? Mas só assistindo vocês vão entender o que quero dizer com isso. 


A diferença entre a HQ e a série são enormes, e não conseguiria enumerar tudo aqui. Choquei com o visual de Alison, por exemplo, que é totalmente diferente, e com a personalidade de Klaus, que é silencioso na HQ e mega espalhafatoso na série. Ou que o número Cinco tenha dez anos na HQ e na série seja um adolescente beirando os quinze, talvez. Mas isso é só um detalhe. 

Na HQ tudo é muito corrido e a gente não sente exatamente a história como deveria. É boa, mas não chega aos pés do que fizeram com a série. De desenvolvimento de personagem, de perspectiva da narrativa em relação aos arcos criados com os principais e coadjuvantes. Aqui temos tempos de conhecer e nos entrosar com as pessoas e suas problemáticas, na HQ não sobra espaço para isso. Vi uma história de crianças no papel, e vi uma série de adulto no Netflix que por vezes me lembrou bastante os filmes do Tarantino. Nada sombria, e por vezes dei boas risadas, mas ainda assim, uma série de adultos e com peso. Com muito peso. 

Se vocês gostam de ficção especulativa, se joguem com vontade em Umbrella Academy. É simplesmente um espetáculo! 

No meu sonho te amei, e como uma autora consegue ferrar com uma história

Título: No meu sonho te amei
Autor: Abbi Glines
Editora: Arqueiro
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Sinopse; Com 500 mil livros vendidos no Brasil, Abbi Glines é autora do best-seller Paixão sem limites e de diversos livros da lista de mais vendidos do The New York Times, do USA Today e do The Wall Street Journal.Na noite da formatura, Vale McKinley sofre um terrível acidente de carro. Junto com ela está Crawford, seu namorado, que acaba entrando em coma. Eles pretendiam aproveitar o verão fazendo planos para a universidade, com um futuro brilhante cheio de possibilidades. Agora, Vale passa longos dias no hospital, à espera de que Crawford acorde.
Lá, ela encontra por acaso com Slate Allen, colega de faculdade do seu irmão. O garoto aparece regularmente para visitar o tio, que está internado. Quando se esbarram, Vale não consegue negar a atração proibida entre eles. Ela tenta ignorar seus sentimentos, mas não é imune ao charme de Slate. Aos poucos, os dois se aproximam.
Depois de muito relutar em sair do lado de Crawford, Vale cede aos apelos da família e vai para universidade, pensando que o namorado gostaria que ela tocasse a vida. Só que agora a garota está no território de Slate e a história dos dois vai sofrer uma grande reviravolta.

Olha, eu sou uma pessoa que até gosta dos livros da Abbi Glines. Tenho um xodozinho especial por aquela série Limites que é dentro do universo de Rosemary Beach. Mas sabe quando um autor caga bonito com um livro? Ela fez com esse. 

Ele começa até promissor. Um jovem e apaixonado casal que está prestes a começar o semestre na faculdade sofre um acidente de carro que deixa o carinha em coma. A menina, depois de semanas em um zelo maluco em cima dele, resolve ir para a faculdade, porque em teoria  era isso o que ele iria querer que ela fizesse. 

Até ai beleza. Concordo plenamente que ela vá curtir a vida. O cara tá em coma, o que ela pode fazer? A guria é completamente apática e sem graça, mas o namorado tá em coma e criei uma certa empatia por ela por causa dele. Até relevei o fato dela ser uma porta sem personalidade. 

Ok, ela foi para a faculdade e reencontra por lá um amigo do irmão, que estava no mesmo hospital que ela, cuidando do avô. E eis que boom, em pouco tempo a guria já esta maluca pelo cara e criando situações ridículas e clichês para chamar a atenção dele. Na maioria dos momentos a autora faz parecer como se nem o namorado em coma existisse mais. Ele não é nem um peso na consciência dela quando começa a se envolver com o maravilhoso Slate. E o irmão que tinha tanto alertado a ela como o ara era cafajeste, simplesmente esquece desse fato quando eles começa a se envolver só porque viu um rabo de saia. Sério? Sério???

Tá, damos outros crédito, esperando o momento que o namorado vai acordar e confrontá-la sobre o novo amor na vida dela. Mas ele acorda? Não exatamente. 

A autora joga um trem louco na história que dá uma reviravolta absurda de doida. E não foi daquelas boas. Foi do tipo que precisei de páginas e páginas para entender o que diabos estava acontecendo, e quando finalmente entendi e vi a quantidade de páginas que faltavam para acabar o livro, percebi que ela iria fazer merda. E fez. 

A segunda metade do livro é mal começada e mal acabada. Os personagens mudam drasticamente - e não é para o lado bom, e o desenvolvimento deles é inexistente. Parece que ela jogou um monte de coisas e apressou o fim, que é uma verdadeira porcaria. Sério, é risível de tão ruim. Parece que eu estava lendo um livro feito por uma menina de doze anos que nunca teve acesso a leitura. Então acreditem em mim quando digo que dei três estrelas porque a primeira metade tem coisas interessantes, e Slate é um bom personagem. Fora isso? Jogo na fogueira. Nem parece que é a Abbi Glines que escreveu Paixão sem Limites. 

5 Motivos para ler o Roteiro de Animais Fantásticos e onde Habitam


Hello, people!
Ler roteiros é complicado, não é? Principalmente para a gente, que ama estar envolvido no clima da magia que um livro como Harry Potter entrega. Um roteiro pode ser algo frio e estranho, em comparação ao livro, mas ainda assim existe um certo tipo de magia nesse tipo de leitura. Por um momento, é como ser transportado para uma tela de cinema de pertinho. 

Veja abaixo uma lista com 5 motivos para ler e curtir essa obra prima. 


  1. Você só vai encontrar o que ler de Animais Fantásticos em forma de roteiro. Não existe livro romanceado da história. Foi escrito pela própria J. K. e mesmo em diálogos e descrições curtas de lugar, dá para ver o dedo dela na escrita. 
  2. É muito mais fácil de entender certas coisas com a leitura do roteiro do que vendo o filme. Como é um filme de fantasia, cheio de explosões visuais, as vezes nos perdemos no ver invés de entender o que os personagens estão fazendo ou dizendo. 
  3. Entendi muito mais Newt lendo esse roteiro do que vendo o filme. O ator é ótimo e soube segurar legal as pontas do personagem, mas nada melhor do que ler ele para senti-lo. A vontade de passar despercebido, de se fundir ao ambiente. Isso está no filme, mas é algo que compreendi melhor depois que li o roteiro. Se já o amava antes, hoje tenho uma verdadeira idolatria pelo personagem. 
  4. Detalhes. O cinema é um arte que nos coloca para entender as coisas por pontos de vista subjetivos. Cada pessoa interpreta algo das situações que aparecem, e as vezes a gente não sabe se foi uma jogada de câmera, apenas, ou se aquele closer tinha algum significado maior. Lendo você sabe que se dão importância de aparecer, é porque é importante. Consegui sentir muito mais os segundo-salemianos com essa leitura. 
  5.  A experiência de um tipo de leitura nova é sempre importante. Se arriscar entre teatro, romance, poesia, roteiros... Tudo é válido quando se trata de leitura. Sempre sou a favor de me arriscar em algo, e não me arrependi nem um pouco por tentar ler esse roteiro. 
É isso ai. 
E para dar mais um motivo para ter esse livro, ele é simplesmente uma das edições mais belas que já vi. É o típico artigo de colecionador.