Resenha de "As Cordas Mágicas" (Mitch Albom)

Título: As Cordas Mágicas
Autor: Mitch Albom
Editora: Arqueiro (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Francisco Presto nasceu numa pequena cidade da Espanha em plena guerra civil. Com a infância marcada por tragédias, Frankie se torna pupilo de um professor de música cego, que se dedica a lhe ensinar tudo o que sabe.
Ao completar 9 anos, ele foge para os Estados Unidos carregando consigo apenas seus bens mais preciosos: um violão e seis cordas mágicas.
Com um talento fora do comum para tocar e cantar, Frankie rapidamente alcança o estrelato e influencia o cenário musical do século XX, apresentando-se ao lado de nomes consagrados como Elvis Presley e Little Richards.
No entanto, seu dom se transforma em um terrível fardo quando ele percebe que pode afetar o futuro das pessoas: uma corda de seu violão fica azul cada vez que uma vida é alterada.
No auge do sucesso, assombrado por seus erros e por seu estranho poder, Frankie sai de cena por anos, apenas para ressurgir para um espetacular e misterioso adeus.
  

Eu sou uma pessoa completamente ensandecida por música. É tanto que o primeiro livro que consegui escrever na minha vida tinha uma relação com o meio musical. Na verdade é música que escorre das páginas de A Mais Bela Melodia. Para mim o som é uma extensão da alma de alguém, seja o artista que a compôs ou o ouvinte que a sentiu ao ponto de perceber sua alma engrandecer numa ligação pessoal com aquela melodia. Existe algo de mágico com a música, e quando vi a sinopse desse livro, senti que precisava dele para ontem. E que maravilhosa surpresa descobrir essa joia rara. 

O livro começa com o enterro do músico Francisco Presto, o Frankie. E isso não é nenhuma novidade, ok? Está realmente nas primeiras páginas do livro. Nesse enterro, que é narrado de um modo bastante peculiar pelo autor, ficamos conhecendo, através de relatos de conhecidos, quem foi Frankie e o que ele representou para a música da época. É ai que vamos conhecendo a história do protagonista, numa visão em terceira pessoa de um mundo particular que é muito próximo a nós de uma maneira delicada. 

Eu poderia passar o dia aqui tecendo elogios acerca desse livro, e ainda assim não seria suficiente. Acredito que não consiga passar metade do que senti durante essa leitura, e acho de verdade que ela é do tipo para ser sentida. A vida desse protagonista é como se fosse uma página da poesia do seu autor de poemas predileto. Faz sentido? Talvez não, mas como falei, é difícil explicar. 

O autor usa de uns recursos narrativos escandalosos de bom para contar certas coisas. Seja com a cobertura jornalística no enterro de Frankie, ou simplesmente inserir o protagonista com grandes nomes da música, como se de fato ele estivesse estado lá. Chega a ser um apanhado histórico sobre a música da época de Elvis. Sabe o que me lembrou? Forrest Gump. Não num todo, mas nessas inserções na história da música de forma tão verossímil. 

Ainda que tenha momentos enfadonhos durante o livro, principalmente as lições sobre violão, as partes fluidas superam em muito. Acredito que elas tenham sido necessárias, apesar de cansativas. Não acredito que o autor deu ponto sem nó. O livro é todo necessário. Como se fosse aquele símbolo do infinito que faz um looping e volta para o ponto inicial. 

O fato da Música ser uma narradora dessa história também é algo bastante interessante. Como se ela comandasse as linhas escritas. Como se tivesse o poder que de fato tem na vida das pessoas, mas de uma maneira literária. Algo sublime de ser lido. 

Esse livro me lembrou de muita coisa boa na minha vida. Eu podia jurar até ter sentido o cheiro de alguns lugares a medida que a história ia sendo narrada. É muito bom quando um livro chega ao ponto de ser sensorial. Isso significa que o autor é uma pessoa delicada com o que escreve e com o "como escreve". 

Estou encantada com tudo. Com a trajetória musical da vida de Frankie, com o estilo de narrativa do autor, com o pouco de realismo fantástico presente na ideia das Cordas Mágicas, que para mim é mais uma alegoria a ideia da perseverança por um sonho do que qualquer outra coisa. 

É um livro sobre dons, e sinto muito se você não acredita nisso. Não dá para conceber pessoas como Beethoven ou Tolstói sem pensar em dom. Ainda que exista um treino para o alcance da perfeição, aquelas pessoas nasceram para isso, sem sombra de dúvida. Poderiam ter sido banqueiros? Sim! Mas não foram, e isso faz toda a diferença. 

Completamente apaixonada pelo o que autor construiu aqui, pela sensação que ele deixou em minha alma quando acabei de ler o livro, e por pensar que ele pode tocar outras pessoas exatamente como fez comigo. 

Se não leu, vá ler. Agora!

Resenha de "A Menina dos olhos molhados" (Marina Carvalho))

Título: A Menina dos Olhos Molhados
Autor: Marina Carvalho
Editora: GloboAlt (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Bernardo é jornalista por vocação: curioso, comprometido e muito bom com as palavras. Trabalha há anos em um importante jornal da cidade e suas matérias investigativas são sempre elogiadas. Ele só tem uma limitação... Odeia trabalhar em equipe. Há alguns anos, Bernardo sofreu com uma grande decepção amorosa, o que contribuiu para o seu jeito fechado e antipático. Por isso a incumbência de levar Rafaela – a nova estagiária do jornal – para todos os lugares é como o inferno para ele. Bernardo não perde nenhuma oportunidade de evitá-la, mas Rafa, além de ser uma jornalista extremamente talentosa, não engole desaforo. Com o passar dos dias, Bernardo percebe que não conseguirá seguir seu plano de ignorar a estagiária, muito menos todos os sentimentos que ela desperta nele. Entre reportagens intrigantes e perigosas, eles vão descobrir que têm muito mais em comum do que a imensa paixão pelo jornalismo...

Antes de vir escrever a resenha desse livro fui reler a de Azul da Cor do Mar e percebi como meu julgamento de leitura mudou nos últimos anos. Estou muito mais rigorosa com as coisas que leio, e isso tem seu lado positivo, porque me torna uma leitora exigente, e seu lado negativo, porque me transformo numa completa vaca com coisas bobas na leitura. Foi mais ou menos o que aconteceu com esse livro.

Para começar defendendo, devo dizer que foi total culpa minha não ter lido com atenção a sinopse e ter percebido que na verdade ele é o ponto de vista masculino de um livro que eu já havia lido, o Azul da cor do mar. E só vim perceber isso a medida que ia lendo e reconhecendo detalhes na trama. Só então foi pesquisar e entendi a semelhança, e daí entortei a boca porque simplesmente detesto livros com a mesma história, narrados pelos olhos do outro. Para mim isso é um completo desperdício de papel, quando tem tantas histórias novas para serem publicadas por ai.

Na resenha de Azul da Cor do Mar eu gostei de aspectos na história que hoje em dia acharia um saco, como a previsibilidade. Será que é porque já sabia o final? Pode ser, mas isso me irritou tanto que passei perto de abandonar o livro.

Outra coisa era o protagonista... minha gente, quase nada na vida do cara justificava ele ser um completo babaca mal educado, e ainda assim ele era, e a Rafa, a mocinha, aguentava isso numa boa porque precisava daquele trabalho. Era uma relação de amor e ódio dele para com ela que me lembrava coisa de adolescente que não sabe o que fazer quando começa a sentir algo por alguém.

Tá, Marina tem aquela coisa de me conquistar na narrativa. Ela é boa no que faz - muito boa - e é raro pegar um livro dela para ler e demorar muito nele. A coisa é fluida e prática. Não há como negar o talento da mulher para romances, e não seria uma boa blogueira literária se não admitisse isso. Acho que já li todos os livros da Marina lançados, e tem alguns que amo, como tem outros que foi um martírio a leitura, mas em nenhum dos casos demorei muito para ler. De alguma forma, a escrita dela me lembra o da Kiera Cass, que escreveu aquela bomba, que foi A Seleção, mas que eu comia em uma sentada graças a escrita maravilhosa da mulher.

Não me liguei a nada pessoalmente. O protagonista é um babaca, a mocinha uma lesada, e a história eu já conhecia, e por isso tive dificuldade de me encantar, já que não havia novidades para isso e sou muito ligada nas coisas inéditas. Dificilmente hoje em dia você me verá relendo algum livro, e te dou um real se achar na minha estante um livro que conte a mesma história pelo ponto de vista de outro personagem e que eu tenha comprado ou pedido voluntariamente. Não é minha praia.

Você pode ler ele independente de Azul da Cor do Mar. Claro que o contexto do outro ajuda, e pela minha resenha eu gostei bem mais dele do que desse. A parte bacana aqui é que conhece o passado de Bernardo e entende "razoavelmente" como ele chegou naquelas condições de cara chato e ranzinza. Fora isso não há muitas novidades. Mas é um livrinho interessante para se passar uma horinha se distraindo.

Resenha de "Sway" (Kat Spears)

Título: Sway
Autor: Kat Spears
Editora: GloboAlt (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Sway é o apelido de Jesse Alderman, por causa de seu talento para conseguir qualquer coisa para qualquer pessoa, como providenciar trabalhos escolares, fazer com que pessoas sejam expulsas da escola, arrumar cerveja para as festas, entre outras coisas, legais ou ilegais... É sabendo dessa fama que Ken Foster, o capitão do time de futebol da escola, pede a ele um trabalho controverso: Ken quer que Bridget Smalley saia com ele. Com seu humor ácido e seu jeito politicamente incorreto de ver a vida, Sway terá que encarar o trabalho mais difícil que já teve: sufocar todos os sentimentos que Bridget desperta nele, a única menina verdadeiramente boa que ele conheceu em toda a sua vida.


Ok, talvez eu esteja sendo extremamente chata com a nota que dei para esse livro. Mas se tem uma coisa que me irrita mais do que um conjunto de obra ruim, quando se trata de um livro, é um conjunto excelente e que não te diz nada, no final das contas. Que tinha tudo para ser excelente e que por algum motivo - sei lá qual diabos foi - pecou na resolução de tudo. 

Sway tem uma sinopse super babaca de tão simples. Jesse é um desses carinhas que não dá a mínima para o que os outros acham dele, e que vê a vida como um verdadeiro negócio. Ele negocia de tudo, sério, e aqui falo até de drogas. Segue a vida nas próprias regras que basicamente se resumem em "nada é bom ou mau, o pensamento é que torna as coisas assim". Então por ai já dá para perceber que ele na verdade não encara o que ele faz de maneira ruim. 

É o tipo de personagem que eu adoro. Atrevido, com as próprias ideias de vida e com um baita humor ácido. Como mãe acredito que um filho dessa forma seria um completo pesadelo, mas como leitora e escritora, ele é do tipo que gosto. O fato de ser uma espécie de "contrabandista de vontades", como costumo chamá-lo, é um charme nele. Entendo o pensamento do garoto... a escolha é de quem me pede. Eu só faço o que me pedem e que se ferre o resto! Penso parecido em metade do meu tempo, e já tenho provavelmente o dobro da idade que Jesse tem. 

Só que um simples cliente, com um simples pedido, faz com que o garoto comece a reavaliar seus pensamentos de vida. Quando Ken Foster o contrata para que consiga um encontro com Bridget Smalley, Jesse é obrigado a conhecer melhor a garota para obter um bom trabalho, e nessa de conhecer a resiliente Bridget, ele encontra o seu pesadelo - e sua salvação. 

O típico livro de romance adolescente, não é? E até que é, mas Sway tem algo de diferente em sua ideia, e isso me ganhou totalmente. Seja porque o mocinho é tremendamente aceitável para mim, ou por levantar questões interessantes para jovens, preconceito, deficiência e coisas do tipo. A autora conseguiu mostrar ideias bacanas em 250 páginas. Só que aí penso no problema que encontrei aqui... Sway pedia muito mais. 

Tá, agora que citei as coisas que amei nele - e foram muitas - vou citar as que não gostei. Primeiro que Bridget segue um estereotipo tão batido que me deu nos nervos. Esse negócio de ver a vida toda em rosa pink me dá agonia. Ela é toda sorrisos, ajuda e carinho. Ah, faz favor, ninguém é assim aqui do lado de fora! E tá que a autora precisava equilibrar a balança que era Jesse "malvado" com um bomba de bondade, mas ela não precisava forçar tanto a barra, né? A garota é tão de boa vida que parece falsidade ou insanidade. Não engulo gente assim. Nem na literatura. Revirei os olhos no mínimo umas cinco vezes para ela. Me sentia vendo unicórnios saltitantes em nuvens de algodão doce azuis.

Outra coisa que me irritou foi o final. Fui conquistada já na primeira página pelo tipo de pensamento do protagonista, e depois disso sempre esperei mais de tudo na história. Mas acaba que ela cai na mesmice e isso foi decepcionante para mim. Poxa, com tanta coisa bacana para trabalhar melhor, e voltamos para a merda de bater na mesma tecla irritante dos livros adolescentes mal desenvolvidos. 

Tenho que admitir que temos diálogos interessantes aqui, e personagens tão bons quanto. O fato de ter diversos fatores a favor da história me fez ficar mais irritada ainda com o final previsível e piegas que a autora criou. Caramba, mulher, você tinha um puta protagonista e ele pedia uma puta história além de um romance de colégio. Sério, isso me irritou profundamente. 

Mas eu indico Sway para um final de tarde. Um livro pequeno e tão simples de ler que a pessoa tira de letra em uma sentada. Só me irritou mesmo essa coisa da previsibilidade, mas foi passável para mim pela honra de conhecer Jesse. Por um mundo onde existam mais personagens como ele: adolescentes sendo adolescentes. Com seus próprios pensamentos deturpados e nada convencionais.

Resenha de "Eterno Namorado" (Nora Roberts)

Título: O Eterno Namorado
Autor: Nora Roberts
Editora: Arqueiro (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Tudo o que acontece na vida de Owen Montgomery é meticulosamente organizado em uma planilha ou lista de tarefas. No trabalho não é diferente, e é graças a sua obsessão por ordem que a Pousada Boonsboro está prestes a ser inaugurada – dentro do cronograma. A única coisa que Owen jamais previu foi o efeito que Avery MacTavish teria sobre ele. A proprietária da pizzaria em frente à pousada sempre foi amiga da família e agora, enquanto vê em primeira mão a fantástica reforma pela qual o lugar está passando, também observa a mudança gradativa de seus sentimentos por Owen.
Os dois foram namorados de infância, e desde então tinham estado bem distantes dos pensamentos um do outro. O desejo que começa a surgir entre eles, porém, não tem nada de inocente e é impossível de ignorar.
Enquanto Owen e Avery decidem se render à paixão e levar seu relacionamento a um nível mais sério, a inauguração da pousada se aproxima e dá a toda a cidade um motivo para comemorar. Mas quando os traumas do passado de Avery batem à porta e a impedem de se entregar, Owen sabe que seu trabalho está longe de terminar. Agora ele precisa convencê-la a baixar a guarda e perceber que aquele que foi seu primeiro amor pode também ser seu eterno namorado.

Não morro de amores por Nora Roberts como um todo, mas gosto dessa série. Muito mais por conta da pousada Boonsboro do que necessariamente pelo romance retratado. Vai ver eu deveria ter sido arquiteta, e não professora ou bibliotecária. Ai... estou velha demais para isso. 

Então, vocês viram que eu amei o livro anterior (resenha). Sei que devo isso ao fato de me identificar loucamente com mães solteiras, e a protagonista ser uma. Então não é que não tenha gostado desse segundo volume, só que em comparação ao primeiro ele não foi tão bom. Questão apenas de afinidade, ok? 

Nesse volume vamos acompanhar a história do irmão centrado e altamente organizado, Owen, e da ruiva maravilhosa e louca que é dona da pizzaria em frente a pousada, dona Ashley. Apesar de amar o casal do livro anterior, não há como negar que esses dois juntos são ótimos e equilibram uma balança confortável no quesito relacionamentos. Ao inferno com essa coisa de iguais! Se há vontade de fazer funcionar, então há como moldar para que tudo se ajuste ao necessário para um relacionamento dar certo. 

Owen e Ashley tiveram um namorico de menino quando eram jovens. Acabaram se afastando porque a vida é estranha mesmo, e desde então mantem uma distância agradável um do outro. Mas isso está prestes a mudar quando Owen se descobre completamente apaixonado pela ruiva, e tem que fazer de tudo para tirar os traumas de infância que ela mantem desde que a mãe foi embora e deixou o pai para dar conta de tudo sozinho. Para ela, casamento é um tipo de instituição falida. Não posso negar, já que penso igualzinho. 

Então o foco desse livro é em como Owen vai fazer Ashley reaver esse conceito e convencer a mulher a continuar ao seu lado. Tarefa difícil, mas esse irmão Montegomery é focado demais no que quer e sempre dá um jeitinho de fazer dar certo. 

O casal funciona, mesmo com o clichê de amor de infância. Na verdade acredito que todo mundo nessa cidade acaba tendo um tipo ou outro de ligação. Cidade pequena e todos cresceram juntos, então é inevitável que haja algum relacionamento, mesmo um namorico infantil. 

Gosto demais dessa série por conta da pousada, e já disse isso aqui. Tem todo aquele clima de mistério que já comentei na resenha do livro anterior, e uma áurea que qualquer amante de literatura vai se encantar. Um lugar delicioso e tão bem escrito pela autora que dá para sentir até o cheirinho de madeira sendo cortada só com o passar das páginas. 

Ver a família Montgomery junta é um bônus extra. Amo o conjunto que eles formam, e como são leves e práticos uns com os outros.  Deus sabe que as famílias estão precisadas disso hoje em dia. Fazer do drama a comédia, as vezes, é uma coisa boa. 

Enfim, é um livro gostoso para passar uma tarde. Não tão bom quanto o primeiro, e como já disse, isso é uma questão de afinidade, mas ainda assim muito bom. 

Fica a dica. 


Resenha "Depois daquela Montanha" (Charles Martin)

Título: Depois daquela Montanha
Autor: Charles Martin
Editora: Arqueiro
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Sinopse: O Dr. Ben Payne acordou na neve. Flocos sobre os cílios. Vento cortante na pele. Dor aguda nas costelas toda vez que respirava fundo.
Teve flashes do que havia acontecido. Luzes piscavam no painel do avião. Ele estava conversando com o piloto. O piloto. Ataque cardíaco, sem dúvida.
Mas havia uma mulher também – Ashley, ele se lembra. Encontrou-a. Ombro deslocado. Perna quebrada.
Agora eles estão sozinhos, isolados a quase 3.500 metros de altitude, numa extensa área de floresta coberta por quilômetros de neve. Como sair dali e, ainda mais complicado, como tirar Ashley daquele lugar sem agravar seu estado? À medida que os dias passam, porém, vai ficando claro que, se Ben cuida das feridas físicas de Ashley, é ela quem revigora o coração dele. Cada vez mais um se torna o grande apoio e a maior motivação do outro. E, se há dúvidas de que possam sobreviver, uma certeza eles têm: nada jamais será igual em suas vidas.
Publicado em mais de dez países, Depois Daquela Montanha chegará às telas de cinema em 2017, com Kate Winslet (de Titanic) e Idris Elba (de Mandela) escalados para os papéis principais de uma história que vai reafirmar sua crença na vida e no poder do amor.

Não sei o motivo, mas livros com clima frio sempre me deixam depressiva. Toda vez que leio algo desse tipo, fico nostálgica e me sinto triste. Realmente triste. Acabo demorando mais do que gostaria na leitura, e normalmente culpo o clima. Não sei se de fato faz sentido, mas é o que percebo. 

Depois daquela montanha vai narrar um bom pedaço da vida do Dr. Ben Payne, um médico cirurgião que durante uma pausa em um aeroporto, esperando voltar para casa, acaba conhecendo Ashley, uma jornalista que está indo para o mesmo caminho. 

Com o mau tempo todos os vôos são cancelados, e na pressa que ambos estão para voltar para casa, Ben porque tem uma cirurgia marcada e Ashley porque vai se casar, acabam fretando um voo particular. E, claro, isso acaba não saindo como o planejado quando o avião cai no meio do nada, e ambos ficam presos na neve. A mulher com muitos ferimentos, e o médico com o suficiente deles para achar que ambos iriam morrer ali. 

Ben é um personagem carismático. Apesar de na dele e daquele jeito maduro que costuma me afastar dos personagens por falta de empatia, ele tem um carisma natural que acaba sendo a graça de sua personalidade. O fato de tudo dividir com um gravador de voz, chega a nos aproximar muito do personagem ao ponto de querer colocá-lo no braço. Ver flashs narrados por ele do que era sua vida até aquele momento nos dá forças como leitores para fazer com que Ben saia daquela situação e volte para casa. 

Já Ashley a gente só conhece pelo ponto de vista dele, e pelas coisas que ela mesma diz. E apesar de não ser necessariamente a protagonista, ela tem um papel fundamental em toda trama. Ela quem faz o médico reavaliar muita coisa em sua própria vida. Além de que, é outra personagem maravilhosa. Não tão taciturna como ele. Na verdade ela tem um humor tão bom que por vezes ficava me questionando a realidade da mulher. "As chances de sobreviver são mínimas, então vamos fazer uma piada sobre isso!". 

Acompanhamos no livro a tentativa do médico de tirar ambos daquela montanha de neve. O profissional Ben Payne sabe que não tem muita chance se ficar ali parado esperando por ajuda, então arregaça as mangas e leva Ashley até alguém que possa ajudá-los. Essa trajetória, que costumo chamar de jornada do herói, é nítido nesse livro. Nítido e muito bem escrito. 

Apesar de parado em muitos momentos, afinal estamos falando de duas pessoas cansadas demais para conversar e prestes a morrer, o livro tem a velocidade necessária para esse tipo de narrativa. Cansativo, talvez, até pelas explicações médicas do doutor acerca das condições físicas de ambos, mas pessoalmente isso não me irritou. Como disse, aqui tudo é necessário. 

É um bom livro. Belo, crescente como deve ser, e comovente na medida certa. Não tem como acabar a leitura sem sentir uma gastura nos olhos. A gente fica se questionando se torce pelo correto pelo ponto de vista ético, ou se vai atras do conceito de romantismo que nos faz suspirar. 

É... de fato um bom livro. 

Resenha de "O Medo mais Profundo" (Harlan Coben)

Título: O Medo mais Profundo
Autor: Harlan Coben
Editora: Arqueiro (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Na época da faculdade, Myron Bolitar teve seu primeiro relacionamento sério, que terminou de forma dolorosa quando a namorada o trocou por seu maior adversário no basquete. Por isso, a última pessoa no mundo que Myron deseja rever é Emily Downing. Assim, ele tem uma grande surpresa quando, anos depois, ela aparece suplicando ajuda. Seu filho de 13 anos, Jeremy, está morrendo e precisa de um transplante de medula óssea – de um doador que sumiu sem deixar vestígios. E a revelação seguinte é ainda mais impactante: Myron é o pai do garoto.Aturdido com a notícia, Myron dá início a uma busca pelo doador. Encontrá-lo, contudo, significa desvendar um mistério sombrio que envolve uma família inescrupulosa, uma série de sequestros e um jornalista em desgraça.
Nesse jogo de verdades dolorosas, Myron terá que descobrir uma forma de não perder o filho com quem sequer teve a chance de conviver.

É bem difícil eu dar cinco estrelas para um livro policial. Primeiro porque não é um gênero que me agrade sempre, visto que sou chegada num drama e esse tipo de livro costuma ser bastante pragmático, e depois porque quero tudo comparar a Agatha Christie e Conan Doyle, e jamais haverá comparação possível. Não para mim. Então eu de fato fiquei impressionada quando acabei o livro e percebi o quão incrível ele era. Não li muito Coben, mas dentre os que li, O Medo mais Profundo ganha em disparada dos demais. 

Nesse título voltamos a ver mais um pouco da vida de um dos meus personagens prediletos da literatura policial, Myron Bolitar. Dessa vez tentando desvendar o caso do desaparecimento de um doador de medula óssea que salvaria o filho de uma antiga namorada e, pelo o que ela diz, filho dele também. Imagina como Myron não fica com essa nova informação em sua vida?!

Uma das coisas que acho mais interessante nos livros do Myron é a sua condição enquanto personagem. Não é um detetive, nem policial, nem nada que pareça comum nesse tipo de romance. É um agente esportivo a quem pessoas buscam para resolver "crimes" ou coisas semelhantes. E ainda que ele não tenha formação específica no assunto, o filho da mãe é fantástico como investigador. 

Nem vou ficar narrando sobre o incrível senso de humor que Myron tem. E quando se junta com Win, o melhor amigo, é garantia de boas risadas, ainda que seja durante uma cena tensa. Um desses piadistas que mereciam um palco de stand up. Tá, não vou dizer que ele também não fica muito bem no papel do "cara mal", quando necessário, mas como Win diz, ele não tem essa tendência e fica péssimo toda vez que precisa ser mal. É de uma moralidade sem igual, e quando vem atingir o pico de agressão, é porque foi levado a algum beco sem saída. 

Deixando as características maravilhosas do protagonista de lado, podemos nos focar ao enredo simples, porém delicioso, desse livro. Acredito que o fato da problemática "acabei de descobrir que sou pai de um adolescente" tenha sido um dos fatores que mexeu emocionalmente comigo, como mexeu como o Myron. Porque mesmo que o foco seja a questão do mistério envolvido no desaparecimento do doador, existe sempre aquele fundo pesado sobre toda a situação. O garoto não sabe de nada, foi criado por um pai diferente, e que Myron pessoalmente detesta. Os fatores ao redor de toda a problemática são incríveis de bem trabalhados, e não podia deixar de me emocionar quando Myron colocava o lado tão humano dele para fora nessa situação. Seja no desespero em achar o doador, ou apenas em lidar com a condição de saúde do garoto. Garanto cenas singelas e belíssimas. 

Como sempre, Coben faz um trabalho delicinha montando a teia do mistério envolvendo o doador. De uma forma que vai até além do que se espera. Se uma teia normal tem pontos específicos, esse autor costuma explorar o "debaixo dos panos". Aquilo que ninguém costuma dar importância. Você senta para ler e fica comendo as unhas até a última página, eu fiquei. A ligação com o caso é muito maior do que o normal, por conta do filho, então os nervos estão a flor da pele tanto para o protagonista, quanto para o leitor. 

Apesar de não ser especialista em Coben, ou mesmo em Myron, eu posso dizer que esse livro é simplesmente delicioso em toda a sua extensão. Não tem momentos perdidos ou desnecessários. Tudo aqui é bem feito e, pelo menos comigo, foi altamente bem aproveitado. Fazia tempo que não me ligava a algo nesse gênero, e foi uma grata surpresa quando acabei de ler e fiquei olhando o teto, tentando entender meus sentimentos tão sensíveis por ele. 

Enfim, indico de olhos fechados, seja você apreciador de romances policiais, ou não. 

Resenha de "A Garota Dele" (Simone Eikeles)

Título: A garota dele
Autor: Simone Elkeles
Editora: GloboAlt (Cedido em Parceria)
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Sinopse: A garota dele é o aguardado spin off de Amor em jogo, de Simone Elkeles. No livro, a autora best-seller explora a história conturbada de amor e de amizade entre Monika e Victor, personagens já apresentados no primeiro livro.Victor Salazar tem má fama no colégio por causa das brigas em que se envolve e por suas notas baixas. À parte as impressões superficiais, Victor tem um bom coração e está sempre tentando proteger as pessoas que ama. Filho de mexicanos, o garoto não tem uma boa relação com o pai e vive com o dilema angustiante de ser apaixonado por Monika, a namorada de seu melhor amigo Trey.
Inteligente e educado, Trey parecia ser o par perfeito para Monika, mas assim que o terceiro ano começa, ele deixa o namoro em segundo plano para se dedicar às missões de se tornar o primeiro da classe e vencer o campeonato estadual de futebol. O relacionamento dos dois começa a esfriar e alguns acontecimentos surpreendentes vão aproximar Monika do “bad boy” Victor.
Com capítulos intercalados, que narram a história sob a perspectiva ora de Monika ora de Victor, o romance preserva o ritmo de suspense e também a complexidade e os desejos de cada um dos personagens. Assim como em Amor em jogo, Simone Elkeles apresenta uma linguagem descontraída ao mesmo tempo em que constrói um enredo profundo e comovente, no qual discute questões como família, amadurecimento e princípios.

Detesto expectativa! Detesto de todo coração! 

Até hoje só li outro livro da autora, que foi o Química Perfeita. Lembro da quantidade de emoções grandiosas que senti com aquele livro, que entrou fácil na minha lista de melhores livros do ano quando li. Isso alguns anos atrás. Então quando peguei A Garota dele esperei de verdade que os sentimentos exacerbados que senti com o outro livro fossem se repetir aqui. Estava redondamente enganada. 

Esse livro é o segundo de uma série que, pelo o que entendi, dá para ser lido sem problema sem ter lido o anterior. Eu não li e entendi perfeitamente. 

Aqui conhecemos Vic Salazar, melhor amigo de Trey, que é namorado de Monika, a quem Vic nutre um amor eterno. Confuso né? Nem tanto. É aquele velho clichê que estamos todos enjoados, e que pessoalmente detesto quando se trata de amigos (o que soaria como ironia se levarmos em consideração que escrevi A Mais Bela Melodia). 

Não tem muito o que se falar em relação ao enredo. Ele é tão absurdamente idiota que me deu nos nervos. Gosto dos personagens da Elkeles, apesar de extremamente parecidos e caricatos. Seguem um padrão interessante, que algumas pessoas podem achar ruim, mas que pessoalmente funcionam comigo. O que me irritou nesse livro não foram eles, e sem o desenvolvimento da trama. Ou melhor, o não desenvolvimento da trama. 

O que me irrita mais do que um livro que não tem um pano de fundo aproveitável, é quando ele tem um pano de fundo aproveitável e o autor trabalha com ele como se fosse o primeiro rascunho de algo que poderia ser grandioso. Sério, eu senti falta de tantos momentos aqui dentro. Momentos que poderiam ser memoráveis se tivessem aparecido.

Seja nas interações familiares de Vic com as irmãs e o pai - que até esse momento não entendo porque o trata daquela maneira; ou de Monika com a família depois da tragédia que cai sobre todos eles. São os pontos em aberto que me irritaram. Era ter tanta coisa boa para explorar e nem terem sido abordadas, ou apenas citadas de leve. 

Estou acostumada com Elkeles trabalhando bem as respostas dos personagens as ações que a vida lhes jogam. E quando eles não reagem? Porque foi isso que senti aqui. Como se ela tivesse começado a escrever e não tivesse terminado. Na verdade, por muitas vezes fiquei me perguntando se realmente tinha sido ela quem escreveu esse livro. Ele é muito abaixo do que sei que ela é capaz de fazer, e isso me irritou profundamente. 

A forma como resolveu o "triângulo amoroso" chega a ser ridícula. Por favor, Simone, você poderia muito bem ter feito algo melhor do que isso, mulher! Jogou coisa que só o cacete e não acabou nenhuma delas! Dá até vontade de chorar. 

Sem contar o final, que me arrisco dizer que é o pior final de livro do ano. Para falar a verdade não tenho ideia de porque dei três estrelas a esse livro. Acho que em consideração a autora, ou ao que sei que ela poderia ter feito aqui. Ele merecia menos. Falhou feeeeio!!

Uma pena, porque Química Perfeita é incrível! 

Resenha de "Pecados do Inverno" (Lisa Kleypas)

Título: Pecados do Inverno
Autor: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Agora é a vez de Evangeline Jenner, a Wallflower mais tímida que também será a mais rica quando receber sua herança. Mas primeiro ela tem que escapar das garras de seus ambiciosos parentes, Evie recorre a Sebastian, visconde de St Vincent, um conhecido mulherengo, com uma proposta incrível: que se case com ela!
A fama de Sebastian é tão perigosa que trinta segundos a sós com ele arruínam o bom nome de qualquer donzela. Mesmo assim, esta cativante jovenzinha se apresenta em sua casa, sem acompanhante, para lhe oferecer sua mão.
Mas a proposta impõe uma condição: depois da noite da lua-de-mel, o casal não voltará a ter relações íntimas. Evie não deseja torna-se apenas mais uma que Sebastian descarta sem piedade, o que significa que Sebastian simplesmente tem que trabalhar mais duro na sua sedução... ou, talvez entregar seu coração pela primeira vez em nome do verdadeiro amor.

 Apesar de gostar por demasia de romances de época, não é um gênero que leio com frequência por opção. Preciso de tempo entre um e outro para não sentir que estou lendo a mesma coisa, com personagens diferentes, porque no final das contas é isso que são: iguais, com nomes diferentes. E não falo isso como uma crítica. Pessoalmente gosto da zona de conforto desse tipo de livro, mas tenho que dar uma tempo entre um e outro, ou não aproveitaria o que deveria dele. 

Uma peculiaridade acerca dessa leitura, é que não li os outros dois livros anteriores da série. Eu sei, isso é meio esquisito, mas os romances são independentes, e ainda que você não tenha lido o que se passou antes, vai entender tranquilamente o que se passa agora. 

Em Pecados no Inverno vamos focar na Evie, a mais quieta do grupo de quatro amigas. Mora com tios, que a criam apenas pelo dinheiro que seu pai manda. Está prestes a ficar noiva de um primo que ela não suporta, só para manter a grana entre eles. Como um modo de escapar do futuro nada promissor, ela procura Sebastian, um homem perigoso que está prestes a falir, e que aceita a proposta de casamento dela visando o dote que receberá pelo casamento. Um arranjo vantajoso para ambos, visto que Evie precisa de um pouco de liberdade para cuidar do pai doente. 

Podem imaginar o que vem disso, não é? Pois é. 

Eles que tinham o casamento apenas como um acordo comercial, acabam se apaixonando um pelo outro. Principalmente pelas coisas que abominam um no outro. 

O casal funcionou comigo perfeitamente. Apesar de preferir mocinhas mais astutas e linguarudas, a autora criou uma protagonista que, apesar de ter esse jeito mais dócil, tem uma personalidade forte e marcante, e tende a ganhar suas lutas com docilidade e uma dose extra de persistência. 

Já Sebastian é o típico mocinho de livros desse tipo. Mulherengo e que acha que jamais vai se apaixonar por ninguém além dele mesmo. Gosto dele também. Ambos tem uma química interessante juntos. 

O crescimento do casal é visível durante a trama. Eles crescem como seres humanos, e também como uma dupla inseparável. É gostoso de acompanhar esse desenvolvimento, e talvez por isso seja o tipo de livro que só leve algumas horas para ler. 

Tem coisas interessantes nessa leitura, como aparecimento de personagens diferentes, intrigas de passado que também convencem e outros pontos pequenos que chamam a atenção do leitor já acostumado com esse tipo de livro. Ler rápido passa a ser um critério, não o desejo. Porque ainda que você saiba exatamente como o livro vai acabar, você quer mais do casal e dos pequenos problemas que os cercam. 

Uma coisa muito bacana aqui é a jogada do casal do próximo livro. Quando estamos em uma história de um casal, raramente vemos pontos de vistas de terceiros, a não ser que seja sobre o casal principal. Mas aqui a autora jogou uma cena deliciosa sobre os protagonistas do próximo livro, pela visão deles, e colocada de uma forma encantadora. Pessoalmente gostei muito disso, e estou ansiosa por mais deles.

É um livro padrão para romances, e não por isso menos instigante. Recomendo com certeza!


The OA e a poesia da expressão da alma


Título: The OA
Criado por Zal Batmanglij, Brit Marling (2016)
Com Brit Marling, Emory Cohen, Scott Wilson...
País EUA
Gênero Drama
Status Em produção
Duração 60 minutos 

Sinopse: Prairie Johnson é uma garotinha cega que desaparece. Sete anos depois, ela retorna, com a visão perfeita. A jovem (Brit Marling) tenta explicar aos pais o que aconteceu durante a sua ausência. Para a surpresa de todos, ela diz que nunca realmente se foi, mas estava em outro plano da existência... Num lugar invisível.



Minha ausência tem uma explicação: Filhos. 
Se com um deles eu achava complicado dar conta de tudo, avalie agora que tenho dois e que a caçula parece ter morado algum tempo com o Pan, aquele da floresta, porque sinceramente nunca vi menina tão danada e inquieta. Eu em casa não paro dois minutos. 

Então imagina como deve estar difícil assistir ou ler ou fazer qualquer das coisas que eu sempre gostei muito, mas que exigia tempo meu. Adivinhem como consegui então assistir uma temporada inteira de uma série? Isso! Virando duas madrugadas. 

Minha intenção não era essa. A ideia consistia em ver um episódio por noite e em pouco mais de uma semana concluir. Mas quem disse que eu consegui? Eu precisava de mais. Minha alma pedia mais. 

Ok, não dá para falar muito de The OA sem revelar demais, e acho que uma das coisas mais espetaculares ao longo da serie, é descobrir como as coisas acontecem, e ir gamando nelas aos poucos, sem cobranças ou expectativas. De fato não tinha expectativa alguma sobre nada, só me deixei levar pela sinopse e o teor de ficção científica que ela apresentava, e fui indo, sendo guiada por um roteiro pra lá de inteligente e emocional. 



Até o quinto episódio eu estava mais pela curiosidade acerca de Prairie, do grupo que ela recrutara e o que diabos ela iria querer com eles. Não tinha gostado de personagem algum além de Steve, que era o menos carismático - e mais problemático - de todos. Mas eu sempre tive uma queda por personagens problemáticos, então isso não foi bem uma novidade. Mas depois do quinto episódio eu fiquei simplesmente por paixão ao conjunto de tudo o que vi e senti. Principalmente ao que senti. 

Se não tinha apego a personagem algum até então, parece que todos ganham uma dimensão inenarrável a partir disso. Três episódios, já que a série conta com oito ao todo, foram suficientes para me fazer terminar de assistir e entender que as coisas chegam quando tem que chegar para mim, e eu precisava sentir tudo o que está no meu peito nesse momento depois de duas madrugadas sem dormir por causa de The OA. 

Posso estar sendo levada pela falta de sono benéfico ao falar isso? Sim, claro! Afinal, muitas das críticas sobre a série foi acerca da falta de ação, da lerdeza em muitos momentos, e de a maioria das pessoas não encararem a série como ficção científica, como o Netflix vendeu. Já li de tudo desde que a série foi lançada, e acho que em muitos momentos as críticas fazem sentido. Se eu fosse cheia de expectativas, eu teria quebrado a cara. Tem ficção? Sim, só que ela fica por debaixo dos panos do tapete psicológico construído pelos roteiristas com coisas cotidianas, como família ou morte e vida e a forma como quem fica encara isso. 


Temos dois núcleos de personagens, que a única coisa que tem incomum é a Prairie. O primeiro que nos é apresentado, é composto por um grupo de adolescentes desfuncionais (meu tipo de adolescente predileto), uma professora com muitos problemas, e a garota que era cega e que agora é o milagre da cidade. No outro núcleo, do qual não posso falar muito para não perder a graça, também temos um grupo de pessoas que de início eu achava um saco, mas que foram me ganhando de uma forma que nem sei explicar. Hoje, ao final da temporada, não a enxergo sem eles. Parece que todos são pedaços de um quebra cabeça cósmico. De fato a série nos faz entender o papel de cada ser humano na Terra, mesmo aqueles que acham que não tem papel algum. Como somos ligados e nem percebemos isso. 

Existem milhares de pontas soltas, não vou mentir. Mas na verdade isso não tirou o amor que senti por tudo, só me deixou mais curiosa. Quando terminei de assistir e me peguei rindo e chorando, de olho para o teto, sem saber exatamente o que pensar, foi que percebi que talvez o negócio com The OA não fosse para se pensar, mas realmente para se sentir. Existe poesia na ideia da morte, e a série trabalhou isso com outros temas, mais ficcionais, que deixa uma sensação de plenitude em quem já perdeu alguém que amava muito. 


Outra coisa que adorei foram as atuações em conjunto com os esteriótipos de cada personagem, principalmente os adolescentes. São tipos sociais que você acha com frequência por ai, e que na maioria das vezes ninguém dá muita corda para eles, mas são sensacionais. De um modo que eles nem percebem, são incríveis por enxergarem um mundo tão ao extremo, de qualquer lado que seja, e isso foi muito importante para o plano de Prairie. Eles são nós em uma linha resistente e única feita de material estelar e inquebrável. 

Existe algo de teatral nessa série. Não sei dizer exatamente o que é, mas há momentos em que o uso do corpo é tão exagerado e potente que você se pergunta se não foi dirigido por um diretor de teatro, que queria com isso elevar o grau de sentimentos de quem assistia. No cinema um pequeno gesto já é necessário, mas aqui eles são grandes. Os movimentos tem significado e sentimento, as expressões tem significado e sentimento, e não tem como negar que elas tocam você em algum lugar que te faz querer rir ou chorar. Ou os dois, como foi o meu caso. 


O final da série foi de uma poesia alucinante, e você fica nervoso porque vai ter que esperar um bocado para saber como vai continuar, porque ela finaliza de uma forma que ainda que fiquei pontas soltas, é um final, e é belo e significativo em graus absurdos de emoção. Então ele se faria completo, e fico receosa (e ansiosa) por como vai continuar. 

Eu vi algo em The OA que muita gente não viu. Possivelmente você também poderá ser uma dessas pessoas. Não senti como se estivesse vendo uma série de ficção, como Stranger Things, por exemplo. Para mim foi muito mais drama e sentimentos, e isso pode não agradar geral. Normalmente não agrada. Mas para mim foi algo. Algo tão grande que estou até agora em paz. Uma sensação de plenitude surreal. 

Se OA for o som do eterno, acho que me atingiu exatamente como deveria. Nesse momento eu posso fechar os olhos e de certeza sentirei o cosmo respirando em seu silêncio. Me inserindo nesse processo, e me mostrando que sou parte dessa rotina, e que ela me pertence. 

Talvez essa "resenha" tenha sido subjetiva demais, mas é preciso assistir The OA para entender que é preciso subjetividade para explicá-la. Não vá esperando ação, mas vá de peito aberto para sentir tudo o que ela lhe proporcionar. E sinta. 

Resenha de "50 anos de Jornada nas Estrelas" (Edward Gross e Mark A. Altman)

Título: 50 anos de Jornada nas Estrelas
Autor: Edward Gross e Mark A. Altman
Editora: Globo Livros
Skoob: Adicionar

Sinopse: Após seis séries de tv, treze longas e cinco décadas como ícone da cultura pop, Jornada nas estrelas se tornou uma das franquias mais duradouras e rentáveis de Hollywood. Na mesma época da estreia no Brasil de Star Trek: Sem fronteiras, nova adaptação para os cinemas, a Globo Livros lança o primeiro volume de 50 anos de Jornada nas estrelas. A coleção reúne histórias de bastidores narradas por pessoas diretamente ligadas à série, como seu criador Gene Roddenberry. Repleto de revelações surpreendentes, cartas, roteiros alterados e memorandos trocados entre a equipe, este primeiro volume aborda o período que vai da criação do conceito da série original estrelada por William Shatner e Leonard Nimoy até os anos seguintes ao seu cancelamento.
Jornada nas Estrelas foi uma das primeiras séries a debater questões como política e injustiça social e foi também uma das primeiras a apresentar um elenco multicultural e multirracial. Talvez por isso a série tenha conquistado uma legião de fãs apaixonados, que inclui nomes que vão de Martin Luther King Jr. a Barack Obama, de Angelina Jolie a Eddie Murphy. Para mostrar como o lendário piloto lendário criado por Roddenberry vendera há cinco décadas viria a se tornar uma franquia que impactou o mundo, dois dos maiores especialistas mundiais em ficção científica, Edward Gross e Mark A. Altman, conversaram com profissionais e personalidades que tornaram esse fenômeno possível. Além do genial criador de Jornada nas estrelas, a dupla ouviu produtores de cinema e tv, executivos de emissoras de televisão, roteiristas, diretores como J. J. Abrams Philip Kaufman e Robert Wise, e membros do elenco, como William Shatner, Leonard Nimoy e Nichelle Nichols, que interpretaram respectivamente os lendários capitão Kirk, sr. Spock e tenente Uhura.
Dedicado tanto aos fãs da franquia e aos apaixonados pela cultura pop quanto àqueles que querem conhecer um pouco mais sobre os surpreendentes bastidores das produções hollywoodianas, 50 anos de Jornada nas estrelas é a coleção definitiva sobre uma série que se tornou objeto de culto e um verdadeiro mito contemporâneo.

Se vocês me acompanham há algum tempo sabem o quanto sou apaixonada por todo esse universo ficcional intergaláctico. Comecei com Star Wars, e quando ele não me foi mais suficiente, pulei também para Star Trek. E ainda que as pessoas falem da semelhança ou da cópia que o segundo é em relação ao primeiro, vejo particularidades em Jornada nas Estrelas que não via em Guerra nas Estrelas, e vice e versa. Cada um tem o que contar para seu público. Amo absurdamente ambos, e quando estou procurando algo bem mais leve e que sei que não vai me cansar, é em Jornada que aposto. 

Quando a Globo surgiu com a ideia desse livro, eu já estava em êxtase. Não morro de amores por livros que são histórias não autorizadas sobre filmes ou séries. De alguma forma me sinto lendo algo que não posso exatamente confiar, e esse é o único motivo que me fez tirar uma estrela do livro. Enquanto fã eu quero a verdade, e me pergunto o quanto tem de floreio por parte de quem o organizou. 

Não é um livro para você que quer começar a entender Jornada nas Estrelas. Realmente acredito que vocês devam começar pela série clássica, passar para as posteriores e só assim tentar um livro sobre bastidores. Afinal, é um livro para fãs. Para pessoas que querem expandir os conhecimentos acerca da série. 

Se você tem problemas com a falta de tecnologia e ritmo dessas séries mais antigas, como eu tive com as primeiras temporadas de Doctor Who e o próprio Jornada nas Estrelas, então comece pelos filmes mais recentes, que seriam o Star Trek de 2009, o Star Trek Into Darkness de 2013 e o Star Trek Beyond de 2016. Se você gostar dos filmes, aí sim recomendo ir para as séries clássicas e livros, porque já estará encantado pelos personagens e todo o universo da Frota Estelar. 

Esse livro comemorativo dos 50 anos de Jornada é voltado exclusivamente para fãs e vai contar com diversos relatos da equipe que participou da série. Relatos curtos, e isso talvez tenha me irritado um pouco. Quando parecia que eu estava envolvida numa entrevista, mudava para a de outra pessoa, que tinha uma perspectiva diferente dos acontecimentos. É legal ver como as ideias se cruzam e se afastam acerca de um filme de ficção na década de 60, onde a corrida espacial estava no meio de uma guerra fria entre os EUA e a União Soviética. Até o fato de ter como um dos protagonistas um russo, o Chekov, gerou uma certa polêmica na época, e até isso está ali subtendido nas entrelinhas das entrevistas. 

O cinema de alguma forma tem um pé muito forte na política. Veja que quando algo grande está acontecendo no mundo, os cineastas usam isso como ponto de partida para criar histórias que certamente puxarão um grande público interessado naquilo. Seja nas duas grandes guerras, na guerra civil americana, no atentado ao World Trade Center... Tudo de grandioso na nossa história gera um conteúdo cinematográfico, e isso não foi diferente na criação de Jornada nas Estrelas. 

Para os fãs, eu recomendo a leitura e até como parte do acervo de coleção. Não é totalmente informativo, mas tem fatos interessantes que eu, como fã, gostei muito de ler sobre.