Resenha de "Anna Vestida de Sangue" (Kendare Blake)

Título: Anna Vestida de Sangue
Autor: Kendare Blake
Editora: Verus
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Sinopse: Cas Lowood herdou uma vocação incomum: ele caça e mata os mortos. Seu pai fazia o mesmo antes dele, até ser barbaramente assassinado por um dos fantasmas que perseguia. Agora, armado com o misterioso punhal de seu pai, Cas viaja pelo país com sua mãe bruxa e seu gato farejador de espíritos. Juntos eles vão atrás de lendas e folclores locais, tentando rastrear os sanguinários fantasmas e afastar distrações, como amigos e o futuro.
Quando eles chegam a uma nova cidade em busca do fantasma que os habitantes locais chamam de Anna Vestida de Sangue, Cas espera o de sempre: perseguir, caçar, matar. Mas o que ele encontra é uma garota envolta em maldições e fúria, um espírito fascinante, como ele nunca viu. Ela ainda usa o vestido com que estava no dia em que foi brutalmente assassinada, em 1958: branco, manchado de vermelho e pingando sangue. Desde então, Anna matou todas as pessoas que ousaram entrar na casa vitoriana que ela habita. Mas, por alguma razão, ela poupou a vida de Cas.
Agora ele precisa desvendar diversos mistérios, entre eles: Por que Anna é tão diferente de todos os outros fantasmas que Cas já perseguiu? E o que o faz arriscar a própria vida para tentar falar com ela novamente?

Sabe quando um livro tinha tudo para ser bom e acaba caindo naquele lopping chato que os autores criam quando não sabem como prosseguir com a história? Foi o que senti com esse livro, o que é uma pena porque adoro a sinopse dele, além de ter essa capa maravilhosa. 

Logo no início do livro a gente sabe que Cas, o protagonista, é um caçador de fantasma. Algo que ele herdou do pai, tipo na série Supernatural, e é tão enraizado na cultura da família que chega a ser comum a mãe ajudar a remendar o filho adolescente quando ele volta para casa ferrado depois de uma noite de trabalho. Esse foi um dos pontos que mais me irritaram. 

Quando Cas recebe o chamado para pegar um fantasma nessa cidade, ele começa a fazer o processo natural das suas caçadas: reconhecer com que tipo de fantasma está trabalhando. Precisa montar um plano e essa é a parte essencial de tudo.

Nessa de conhecer o fantasma ele descobre que existe algo diferente em Anna Vestida de Sangue, adolescente que foi assassinada anos atrás e que assombra a casa onde morava com a mãe. E daí os planos de Cas vão por água abaixo na busca de outra perspectiva para enfrentar a situação.

De início a história me agradou. Gostei da primeira cena de caçada de Cas e toda a ideia que envolve a família dele com a coisa do "caça-fantasma", tirando a parte onde a mãe vai tirar um cochilo enquanto aguarda para ver se o filho volta para casa vivo ou não. Sério? Se eu fosse a mãe iria estar arrancando os cabelos. Aí alguém me diz que é algo tão natural entre eles que ela já se acostumou. Me desculpe, mas jamais me acostumaria a ver meu filho arriscar a vida dessa forma e com essa frequência. 

Outra coisa altamente irritante foi o instalove do protagonista. Ah, vá! Da primeira vez que Cas ver Anna ela é super brutal, e no minuto seguinte ele já está atraído por ela? Meu amigo, você tem problemas! 

Sem contar que essa coisa de Anna mudar da noite para o dia não rolou comigo. Talvez o meu maior problema com esse livro tenha sido a superficialidade com a qual a autora trabalhou essa história, e principalmente os personagens,talvez tirando Cas. Era patético! Penso que se ela tivesse escrito em mais páginas a coisa teria andando melhor, mas não foi o que aconteceu. 

Instalove, instafriends... pois é, isso também rola aqui. E parece que os garotos se conhecem há anos, dado o grau de envolvimento entre eles. Isso foi bem chato também. Sem contar as coisas que caiam do céu quando eles precisavam. Como é isso? Cadê a dificuldade da situação? 

Enfim, se pudesse dizer duas coisas que curti nesse livro foram: a ideia, e o protagonista. De resto tive mais raiva do que risos. 

Anna Vestida de Sangue termina de uma forma que sugere uma continuação. Não vou mentir... se tiver eu vou ler, porque quero ver o que diabos a autora vai aprontar dessa vez com os Ghostbusters. 

[Especial Renee Ahdieh] Quotes de A Fúria e a Aurora


Olá, pessoal!
Vamos a mais um post da semana especial de Renne Ahdieh? 
Separei alguns quotes de A Fúria e a Aurora para vocês. Espero que se encantem como eu me encantei por cada uma delas. <3

"Algumas coisas existem em nossa vida apenas por um breve instante. E nós as devemos deixar seguir para iluminar outro céu."


"Quando você encontra aquele que a faz sorrir como nunca sorrio antes, chorar como nunca chorou antes... não há nada a fazer senão se render."


"Na minha vida, a coisa mais importante que aprendi é que ninguém alcança a plenitude de seu potencial sem o amor dos outros. Não fomos feitos para ser solitários, Sherazade. Quanto mais uma pessoa afasta os outros, mais evidente se torna a sua necessidade crítica de ser amada."


"- Você está certa. Você não é minha. - Ele tirou a mão da porta. - Eu é que sou seu."


"Se você puder, dê a ele o amor que lhe permitirá ver por seus próprios olhos. Para uma alma perdida, esse tesouro vale seu peso em ouro. Vale seu peso em sonhos"


"Uma verdadeira praga de moça. E ainda assim uma rainha em cada sentido da palavra." 


"Se esforce mais, Shazi. Minha rainha não tem limitações. Ela não tem limites no que quer que faça. Mostre a eles."


"Amor é uma força poderosa, sayyidi. Por amor, as pessoas pensam no inconcebível… e muitas vezes fazem o impossível. Eu não menosprezaria seu poder. "


“Se você puder, dê a ele o amor que lhe permitirá ver por seus próprios olhos. Para uma alma perdida, esse tesouro vale seu peso em ouro. Vale seu peso em sonhos.”


[Especial Renee Ahdieh] Khorasan - O Coração Persa


Eu sempre digo que para se gostar de literatura, deve-se ter um mínimo gosto por história mundial. Claro que nos livros as coisas são quase sempre inéditas e fora do usual, mas o ato de contar e criar histórias é muito mais antigo do que o próprio ato de ler. Então uma coisa que começou com a oratória de passar de gerações para gerações lendas e verdades sobre um povo, foi parar em páginas de livros - com histórias muito fantasiosas ou não. 


E onde exatamente eu quero chegar com essa mini aula sobre história? Bem, é que para entender um pouco do que vamos falar hoje, que é sobre Khorasan, a cidade onde se passa a história de Renee Ahdieh, é importante compreender o papel fundamental que a história do povo árabe desempenha sobre esse lugar.



De acordo com o Wikipédia - que é uma péssima enciclopédia digital, mas a mais abrangente - Khorasan era uma região da antiga Pérsia. Olha só o que diz lá: 

O Antigo ou Grande Coração (também Corasão e Coraçone; em persa: خراسان بزرگ or خراسان کهن, transliterado como Khorasan em muitas líguas europeias) é uma região histórica da Pérsia. Englobava partes dos atuais Irã, Afeganistão, Tadjiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão.
Os limites geográficos de Coração, cujo nome em persa Khorasan significa "terra do oeste" ou "terra do sol", sempre foram imprecisos. Na época do Império Sassânida, Coração foi uma das quatro províncias do império e incluía, entre outros, os distritos de Nishapur e Tus (hoje no Irã), Balkh e Herat (hoje no Afeganistão), Merv (no Turcomenistão), e Bucara (no Uzbequistão). Porém, no passado o nome chegou a ser usado para uma área maior no oeste da Pérsia (Irã), que se estendia do rio Oxus (Amu Dária) e Transoxiana ao norte até o Mar Cáspio a oeste, passando pelos desertos do centro do Irã e Bamiyan, no Hindu Kush. Geógrafos árabes estendiam seu território até a antiga Índia, talvez até o vale do rio Indo, no atual Paquistão.
De província sassânida, Coração passou a ser uma província árabe após a conquista da região pela dinastia omíada em 651-652. No século VIII, a região foi o centro de uma exitosa revolta contra os omíadas, liderada por Abu Muslim Khorasani, que foi um passo na conquista do poder do califado pela dinastia abássida. Nos séculos seguintes, Coração foi incorporada a vários reinos da Ásia Central como os safáridas, samânidas, gaznávidas, seljúcidas, corásmios, gúridas e timúridas.
Em 1881, definiram-se as fronteiras de Coração como província a leste do Irã moderno. Essa grande província foi, em 2004, subdividida em três: Coração do Norte, Coração do Sul e Razavi Coração.

Claro que a Pérsia já não é mais um lugar, e quando nos referimos a ela hoje em dia é mais a coisa de ter existido um Império Persa em algum momento entre 550 e 330 a.c. Um grande império com cidades majestosas e que era composto por gente temida por onde quer que fossem. Se você já assistiu 300 deve ter uma noção do que estou falando. Tá, eles não eram os mocinhos da história, mas na real, quem determina o lado mocinho é o lado que está narrando a guerra naquela momento. Como digo, tudo é uma questão de ponto de vista. 

E antes, o que era um império conquistador e pomposo, deu lugar a um dos cantos mais temidos do mundo: A região do Irã. Ainda que esse pensamento seja, de modo geral, exagerado em muitos sentidos. Não é aquele mar de metralhadoras e gente morta. Aliás, Teerã, a capital, é muito mais organizada que a maioria das cidades de países de primeiro mundo. 


O Império Persa antes de cair conquistou muitas cidades da Ásia, Europa Oriental e um pedaço da África. Infelizmente deu de cara com Alexandre, O Grande, quando quiserem tomar aqueles pedaços. E convenhamos, ninguém batia de frente com ele por ali. Graças a essa mistura de culturas, por conta dos diversos países conquistados, um bocado do que conhecemos hoje em dia tem a influência desses lugares. Por isso as vezes me confundo com o que é de origem árabe, ou indiana, por exemplo. 


Com os anos, perda de domínios e diversas outras conquistas e "desconquistas", Khorasan deixou de ser o importante centro que era na época e deu vez a cidades menores, hoje apenas restando lugares pequenos e que aqui, no ocidente, muita gente passa despercebido do fato de existir, ainda que repartida geograficamente, o que garantiria um acesso maior as informações sobre os lugares que ainda existem.


Foi nesse lugar suntuoso, e porque não dizer esquecido, que a autora de A Fúria e a Aurora ambientou sua história, fazendo justiça a questões pequenas da cultura, como também as grandes. A parte do Califado foi bem importante na época, e é retratado de maneira bastante fiel ao que já estudei sobre o assunto. Na verdade, é um livro interessante para inserir os jovens na cultura Persa. Do livro podemos fazer diversos panoramas históricos, literários, geográficos... 

História e literatura são ramos do mesmo galho. Duas coisas interligadas que coexistem em espaços próximos o suficiente para se confundirem em alguns momentos. Acho importante entender o contexto histórico de tudo o que se lê, sejam os livros mais antigos e que realmente contavam a história de um povo ou de uma época, ou de livros modernos, com menos da verdade, mas igualmente possíveis de serem analisados num contexto social do autor. 













[Especial Renee Ahdieh] 5 Motivos para ler A Fúria e a Aurora



Olá, gente!
Então, a Editora Globo mobilizou os parceiros para organizar uma semana voltada para A Rosa e a Adaga, que é o segundo volume da série A Fúria e a Aurora. O Irreparável não poderia ficar de fora.
Nesse primeiro post vou falar um pouco sobre cinco motivos que me fariam interessar pela história, caso ainda não tivesse lido. Caso queiram olhar a resenha que fiz, só acessar AQUI.
Simbora!



1- A cultura árabe

Fala sério, gente! Tem coisa mais linda visualmente do que a cultura árabe? E sim, mesmo que estejamos falando sobre livros, o que exige muito da nossa imaginação, é nítido como a autora conhece bem a cultura e escreve sobre ela de uma forma que ajuda bastante a imaginação a trabalhar. Como é algo que amo (cultura árabe), não precisei recorrer a estímulos visuais para imaginar tudo o que se passa aqui, mas uma boa recomendação é colocar uma bela imagem da Pérsia no celular e olhar bem para ela nos intervalos da leitura.

2- Khorasan

Tá, tem muito do motivo anterior, mas é Khorasan, gente! Uma cidade que imaginei nos meus mais antigos sonhos adolescentes depois de assistir milhões de desenhos sobre os contos de Mil e Uma Noites, e de ler livros com essa mesma temática.
Ainda que hoje em dia a cidade não seja um terço do que já foi no seu tempo de esplendor, ela ainda exerce um verdadeiro fascínio. Uma coisa bacana é pegar uma imagem do que seria a Khorasan antiga, e a de hoje em dia. Esse comparativo será uma das nossas próximas postagens nessa semana de Especial Renee Ahdieh.

3- Baseado nas Mil e Uma Noites

Claro que tive um ódio mortal da protagonista por escolher se casar com um cara pelos motivos que Shazi escolheu. Qualé, o que diabos se passava na cabeça da guria?! Achou que se tornaria uma versão feminina de Rambo depois do casório? E ok que a parte das "mil e uma noites" se perde totalmente depois que a autora começa a andar a trama dela para um caminho diferente. Mas eu sou uma pessoa que, ainda que não curta releituras de maneira geral, sempre abro espaço para elas. Gosto de ser surpreendida, e de certo modo A Fúria e a Aurora consegue fazer isso.

4- Shazi.

Começa me deixando nauseada por tamanha burrice, mas tenho que admitir que tem uma personalidade bem atrevida e única. Talvez atrevida demais, e por isso meta os pés pelas mãos em diversos momentos. É uma personagem que cresce de maneira positiva, e acredito que tenha muita coisa legal para mostrar no próximo volume da série. Espero que tenha, ou vocês verão um assassinato a um personagem literário logo logo.

5- O Deserto.

Acho que se me dessem a oportunidade de viajar para qualquer lugar do mundo, eu iria escolher um deserto. Sempre digo, e vou repetir aqui, que os desertos tem vida própria. Eles se movem, tem seus sons, cheiros e sabores. Ele pode tirar facilmente uma vida, ou devolver uma. Sou apaixonada por toda a ideia dele desde que era menina, e cada vez que leio um livro onde o deserto existe e tem um seu potencial escrito como se fosse um personagem, dou meu crédito a ele.

Resenha de "O Par Perfeito" (Nora Roberts)

Título: O Par Perfeito
Autor: Nora Roberts
Editora: Arqueiro (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Mesmo sendo conhecido como o mais durão dos irmãos, Ryder Montgomery deixa as mulheres aos seus pés quando coloca seu cinto de ferramentas. Nenhuma delas é imune a seu jeito sexy quando está no trabalho. Sem contar, é claro, Hope Beaumont, a gerente da Pousada BoonsBoro.
Ex-funcionária de um luxuoso hotel em Washington, Hope está acostumada à agitação e ao glamour, porém isso não significa que ela não aprecie os prazeres da cidade pequena. Sua vida está exatamente como ela deseja – exceto pela questão amorosa. Sua única interação com alguém do sexo oposto são as frequentes discussões com Ryder, que sempre lhe dá nos nervos. Ainda assim, qualquer um vê que há uma química inegável entre os dois.
Enquanto o dia a dia na pousada transcorre sem problemas graças aos instintos infalíveis de Hope, algumas pessoas de seu passado estão prestes a lhe fazer uma indesejável – e humilhante – visita. Mas, em vez de se afastar ao descobrir que Hope tem seus defeitos, Ryder só fica mais interessado por ela. Será que pessoas tão diferentes podem formar um par perfeito?
No livro que encerra a trilogia A Pousada, Nora Roberts apresenta Ryder Montgomery, que, ao tentar driblar o amor refugiando-se no trabalho, acabou sendo surpreendido pelo sentimento mais nobre e profundo que já teve.

Vamos finalizar mais uma série por aqui? Simbora! 

Ok, Par Perfeito é o último livro da série deliciosa da Nora Roberts chamada A Pousada. Não sou muito amores por Nora - vocês bem sabem disso - mas com essa série eu fui embora. Claro que como toda série tem aquele livro mais fraco, e o livro mais forte. Para a maioria das pessoas o forte é esse, mas para mim o amor eterno ainda fica com o primeiro. Possivelmente por conta da identificação que tive com a protagonista - dona de uma livraria e mãe. 

Nesse último volume vamos acompanhar a história do último irmão Montgomery, o Ryde, que é aquele tipo de cara curto e grosso e que não tem muito tempo para sentimentos exacerbados. Na verdade ele não acredita muito nisso, apesar dos irmãos estarem completamente felizes com as mulheres que amam. E no outro lado temos Hope, que veio de uma cidade grande e de um emprego grande para se tornar gerente da Pousada BoonsBoro, que é da mãe dos irmãos. 

Temos dois mundos bem diversos quando se trata de Ryde e Hope. Por isso se tornam o casal mais diferente em relação aos dos outros dois livros. Hope está magoada com as coisas que aconteceram ao seu coração quando ainda estava na cidade grande, graças ao seu ex chefe. Quer distância desse tipo de relacionamento, e quando se vê atraída pelo bruto Ryde, filho da sua chefe de agora, sabe que logo terá problemas. O mesmo acontece com ele, que ainda não vê como isso pode ter acontecido, mas que aconteceu mesmo assim. 

Eles mantem aquele tipo de relacionamento onde as pessoas dizem "é só um divertimento para passar o tempo", quando na verdade existe muito de sentimento em ambos, e que cresce gradativamente. O tipo de relacionamento cão e gato que a maioria dos leitores de romance adoram. Eu sou uma delas. 

Além de ver essa interação do casal, também é uma delícia ver como a pousada tem uma vida própria. Digo isso desde o primeiro volume... Boonsboro respira junto com os personagens, e esse foi um dos motivos que me fizeram apaixonar por essa série. Ver o lugar na ativa é mais do que maravilhoso. É como se a gente, leitor, tivesse pensado no projeto junto aos irmãos e agora o visse tomar vida. Sem contar que aquele mistério fantasmagórico é desvendado aqui, e vou te contar, morrendo de amores por ele. 

Enquanto romance, esse é o melhor livro dos três. Ainda que meu predileto seja o primeiro, a sintonia entre o lugar e os personagens ganham mais vida nesse último volume, sem contar o "cão e gato" que citei acima. 

Não sou muito chegada a Nora, como já comentei, mas essa série eu recomendo. Tem o selo de aprovação de Carol. 

Resenha de "O Garoto dos meus sonhos" (Lucy Kesting)

Título: O Garoto dos meus sonhos
Autor: Lucy Kesting
Editora: GloboAlt (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Desde quando consegue se lembrar, Alice tem sonhado com Max. Juntos eles viajaram o mundo, passearam em elefantes cor-de-rosa, fizeram guerra de biscoitos no Metropolitan Museum of Art... e acabaram se apaixonando. Max é o garoto dos sonhos – e somente dos sonhos – até o dia em que Alice o vê, surpreendentemente, na vida real. Mas ele não faz ideia de quem ela é... Ou faz? Enquanto começam a se conhecer, Alice percebe que o Max dos Sonhos em nada se parece com o Max Real. Ele é complicado e teimoso, além de ter uma namorada e uma vida inteira da qual Alice não faz parte. Quando coisas fantásticas dos sonhos começam estranhamente a aparecer na vida real – como pavões gigantes que falam, folhas de outono cor-de-rosa incandescente, e constelações de estrelas coloridas –, Alice e Max precisam tomar a difícil decisão de fazer isso tudo parar. Mesmo que os sonhos sejam mais encantadores que a realidade, seria realmente bom viver neles para sempre?


Vejam essa capa. Agora olhem de novo e percebam o quão incrível ela é. E pessoalmente é mais linda ainda. Acho que ela tem tudo a ver com o livro. Pena que a capa me fez esperar muito dele e, como já disse, esperar muito de algo é uma completa porcaria.

No livro conhecemos Alice, uma garota que está para se mudar junto com o pai. Vão morar na casa da avó, já falecida. A mãe estuda primatas em outro lugar do mundo e está longe há muito tempo. Tempo demais. Para se refugiar da porcaria que anda sua vida, ela se esconde nos sonhos, que é onde sempre encontra Max, um lindo menino que compartilha as mais incríveis experiências ao seu lado.

As coisas começam a ficar loucas quando logo no primeiro dia de aula ela encontra nada mais, nada menos do que Max! O seu Max dos sonhos, na sala de aula. E pior, ele parece não fazer a mínima ideia de quem ela é. Aliado a isso Alice começa a ver coisas dos sonhos na vida real, coisas que seriam impossíveis, e começa a se perguntar se está ficando maluca.

O livro tem um enredo bem intrigante. Adoro coisas sobre viagem no tempo/espaço e sonhos. Contudo são temas complicados de serem trabalhados sem cair em erros óbvios e clichês juvenis. E tá, o livro é para adolescentes e acredito que ao público ao qual ele se destinou está mais do que ótimo. O problema é que a maioria dos adultos pedem mais com temas que podem entregar mais, que foi o caso desse livro. O assunto era ótimo, e tinha muita coisa para se aprofundar. Invés disso a autora preferiu ficar numa zona de conforto como escritora e nos entregou pouco para o muito que pedia.

A narrativa dela é gostosa e o livro te leva com facilidade. Apesar de algumas explicações parecerem fantásticas demais, algumas delas tinham comprovação científica explicadas pela autora durante a história. Acredito realmente que ela pesquisou para escrever o livro, e isso é bem legal de ver. Existe todo um mundo nos sonhos, e ele é bem pouco desvendado pelas pessoas.

E ainda temos o drama adolescente de Alice apaixonada por um cara, que tem uma vida bacana e uma namorada mais bacana ainda. Eu até entendo o drama juvenil da menina e esse relacionamento complicado deles, mas daí a autora inclui outros personagens que não fazem sentido existirem, e até agora estou me perguntando a finalidade deles ali. Eram tão absurdos em alguns momentos que me davam nervosismo.

Se eu for analisar a história de maneira superficial, até que é boazinha. Tem seus momentos interessantes. Mas como uma leitora chata de jovem adulto, eu precisava de mais. Não se pode colocar um tema tão bacana como sonhos e não detalhar isso com cuidado, ou trabalhar com grandiosidade, como merecia. Acabou que a explicação ficou bem rasinha e o final bem previsível. Sério, estou cansada de adivinhar o final. E até tinha uns pensamentos sobe rumos que a autora poderia ter dado melhores do que o que ela deu, mas realmente ela foi para o lógico. Uma pena.

A nota baixa do livro é simplesmente pela construção rasa. Pelo tema pedir tanto e não entregar quase nada. Ainda que seja gostosinho de ler, além de rápido, tem esses pequenos pontos que no final das contas contaram muito contra ele.

Sobre "Não ser uma super heroína"

Imagem do Site
Ontem, quando coloquei a cabeça no travesseiro, comecei a chorar compulsivamente. 

Passava da meia noite, minhas pernas pulsavam de dor, ainda não havia tomado banho e tinha olheiras que assustariam até o Conde Drácula. Estava com fome e precisava urinar há mais de quatro horas. O filho mais velho via televisão, encolhido num canto da cama, e a caçula havia acabado de pegar no sono, depois de horas pelejando para quem ela dormisse. 

Foi nessa hora, analisando o caos que estava o chão do quarto, a quantidade de copos espalhados sobre a cômoda, que entrei em desespero. Precisaria acordar dali a cinco horas e ter um quarto arrumado o suficiente para deixar minha mãe, que toma conta dos meninos pela manhã, se movimentar nele sem se sentir em um lixão. Então segurei meu sono e minha vontade de ler um pouco, e fui em busca de cafeína para me manter acordada o suficiente para organizar as coisas mais preocupantes. Em forma de remédio, lógico. Detesto café!

Tomei um remédio para dor muscular, guardei os brinquedos, dobrei os panos limpos, varri o chão do quarto, passei pano, levei copos e pratos sujos para a pia e recolhi o lixo espalhado. Só ai fui tomar um banho rápido e engolir um copo de suco com duas bolachas. Passava das duas quando coloquei a cabeça no travesseiro, e quando meu despertador tocou, precisamente as cinco, eu passei perto de jogar ele na parede ou destruir com um martelo. Caramba, parecia que tinha acabado de fechar os olhos!

Isso tem sido uma constante em minha vida, e só ontem, quando me vi chorando copiosamente e encolhida na cama, foi que percebi o quanto estava mal. O quanto me sentia mal fisicamente, psicologicamente e emocionalmente. E daí me sinto mal de novo porque acho que estou culpando a maternidade por isso, e eu amo meus filhos mais do que posso explicar. 

Sou uma mulher multifacetada. Consigo fazer comida com um bebê no colo, estender roupa enquanto tiro ela de cima da escada, ler algumas páginas de um livro ao mesmo tempo que ela samba no meu colo porque não sabe se quer mamar, brincar ou simplesmente torrar minha paciência. Preciso fazer dois tipos de comida porque o mais velho não gosta de ovo, e a pequena precisa comer. O mais velho não gosta de leite, e a pequena precisa. O mais velho não gosta de queijo, de peixe, de fígado... Na hora do banho não vou nem falar! É gritando com um para lavar a cabeça e esfregar os pés enquanto esquento água para ver se a pequena entra no clima noturno de sono. Não funciona muito bem. 

No pouco tempo do dia em que ela me dá um sossego, dois cochilos de meia hora, é quando vou lavar prato ou varrer casa. Tirar o pó superficialmente dos livros na sala ou tomar um banho para conseguir lavar o cabelo com decência. Tenho sempre que escolher o que fazer, e quase nunca é algo que quero fazer, mas que preciso. E olhe que meu filho nem começou o ano escolar, o que vai ser outra luta com a dificuldade que ele tem para aprender a ler.

De início me sentia forte, uma super heroína resistente que achava que isso ia melhorar logo e que depois ganharia um prêmio por ser uma mãe batalhadora, e ainda acredito parcialmente nisso, mas hoje sinto que estou definhando. Começou como uma pontada quando vi meu irmão indo assistir um filme que esperei muito tempo para ver e eu não ter como ir porque não tenho com quem deixar as crianças para isso. Depois quando vi uma amiga comprando uma calça nova para o ano novo e eu ter que usar o pouco de grana que tinha para material escolar e matrícula do mais velho. Sinceramente não lembro a última vez que comprei algo para me deixar visualmente mais agradável. Ando um trapo ambulante, e nem estou falando de roupas e sapatos, mas de fisionomia mesmo. De parecer saudável. 

Quando percebi que era inveja o que estava sentindo, tratei de me desligar disso e parar para pensar o que estava acontecendo. Não sou de sentir inveja, então algo estava errado. Era esse algo errado que começou com a pontada discreta, e que hoje são agulhadas na alma. Estou esgotada, e não posso mais ser uma heroína o tempo inteiro. Preciso desacelerar. Mas como diabos desacelera com duas crianças? Um tem sérios problemas de aprendizado e a outra ainda vai fazer um ano. Como me manter saudável quando nem consigo respirar quando penso em voltar para casa?

Sei que muitas mulheres passam por isso constantemente e que parece ser uma coisa normal, mas não é. Não é normal quando você cogita a possibilidade de ficar numa praça qualquer invés de querer ver seus filhos. Se tornou uma parte da cultura social que as mulheres façam tudo, mas elas são só humanas, gente. Só humanas! 

Não estou aqui para puxar um discurso feminista nem nada do tipo. Estou porque do mesmo jeito que me sinto mal, sozinha e rancorosa em metade do tempo, também acho que muitas mães se sentem do mesmo modo por ai. Talvez a gente possa se ajudar... Só talvez, e ultimamente uma possibilidade é melhor do que fingir que escuto quando meu filho quer falar do jogo predileto dele quando eu só queria uma hora de completo silêncio para ouvir meus pensamentos. 

Será que estou deprimida? Não sei, e realmente também não sei quando procurar ajuda e nem como. Depressão pós parto pode vir depois de um ano? Também não faço a mínima ideia. Tenho preguiça até de pensar sobre isso e me sentir pior do que já estou. 

Não sou uma super heroína, e precisei de um dia inteiro ouvindo minha filha chorar e meu filho gritar para saber que só queria estar longe por uma hora. Uma única hora de paz e eu estaria mais forte. Cheguei ao ponto de querer desesperadamente que o mais velho ficasse no celular para me deixar em paz, e que o pai da caçula resolvesse ficar com ela mais tempo do que apenas o período de eu conseguir fazer comida para todo mundo. Não consigo deixar de pensar na música do Titãs que diz que a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte... 

Já ouvi que sou frescurenta e negativa. Que tenho sempre que pensar pelo lado positivo de tudo, e eu me esforço para isso. Mas sinceramente? Foda-se ser positiva o tempo inteiro! Se anular para ser mãe, trabalhar fora de casa e ser dona de casa é comum, mas não venha me dizer que é normal. Por isso o mundo tá cheio de mulher depressiva e sendo trocada pelos maridos simplesmente porque o cara viu um sorriso vivo no rosto de outra mulher, quando ele tem sérios problemas em trabalhar o sorriso da sua própria, em casa, cuidando de seus filhos. Cansada de ouvir relatos assim, e cansada dessa cultura que nos elogia por sermos heroínas simplesmente por darmos conta de dez tarefas ao mesmo tempo. 

Depressão é uma coisa que chega lenta. Rasteja sinuosa pelo chão e entra em sua pele no segundo em que você suspira, perguntando o que diabos está acontecendo com você. Torna-se uma amiga leal e inseparável, fazendo seu peso dobrar, criando crateras amolecidas sob seus pés. As vezes tão funda que não dá para voltar.




Resenha de "Um Tom Mais Escuro de Magia" (V. E. Schwab)

Título: Um Tom mais escuro de magia
Autor: V. E. Schwab
Editora: Record
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Sinopse: Kell é um dos últimos Viajantes — magos com uma habilidade rara e cobiçada de viajar entre universos paralelos conectados por uma cidade mágica. Existe a Londres Cinza, suja e enfadonha, sem magia alguma e com um rei louco — George III. A Londres Vermelha, onde vida e magia são reverenciadas, e onde Kell foi criado ao lado de Rhy Maresh, o boêmio herdeiro de um império próspero. A Londres Branca: um lugar onde se luta para controlar a magia, e onde a magia reage, drenando a cidade até os ossos. E era uma vez... a Londres Negra. Mas ninguém mais fala sobre ela. Oficialmente, Kell é o Viajante Vermelho, embaixador do império Maresh, encarregado das correspondências mensais entre a realeza de cada Londres. Extra-oficialmente, Kell é um contrabandista, atendendo pessoas dispostas a pagar por mínimos vislumbres de um mundo que nunca verão. É um hobby desafiador com consequências perigosas que Kell agora conhecerá de perto. Fugindo para a Londres Cinza, Kell esbarra com Delilah Bard, uma ladra com grandes aspirações. Primeiro ela o assalta, depois o salva de um inimigo mortal e finalmente obriga Kell a levá-la para outro mundo a fim de experimentar uma aventura de verdade. Magia perigosa está à solta e a traição espreita em cada esquina. Para salvar todos os mundos, Kell e Lila primeiro precisam permanecer vivos.
 Já me peguei em muitos momentos pensando porque diabos ainda leio fantasia. Principalmente quando ando naquela época da minha vida como leitora que nenhuma parece colar comigo de um jeito positivo. Como se O Senhor dos Anéis tivesse me estragado para as outras fantasias do mundo, o que de fato foi. Mas quando paro para analisar, sei que o tipo de história, e a forma com a qual Tolkien a contou, não pode ser considerada como nada mais que exista na fase na Terra. Só ai eu sigo em frente, e abro minha mente para as tantas outras que existem por ai. A prova de que é um dos meus gêneros prediletos, é quando quatro dos dez melhores livros do ano são fantasias.

Um tom mais escuro de magia chegou de forma despretensiosa. Tinha uma premissa interessante, escrito por uma autora que eu morria de curiosidade em conhecer, e estava por um preço de banana na black friday. Então acabei comprando, e ele nem demorou muito no armário antes de ser lido. Não.
Lido não, devorado.

Aqui vamos conhecer a história de Kell, que é um Antari. Isso seria um homem que possui uma magia rara de poder atravessar dimensões. Ele vive na Londres Vermelha, que é uma das dimensões de Londres. Fora ela existe a cinza, que é a Londres que conhecemos, a Branca, um pouco mais forte quando o assunto é magia, e também um tanto mais cruel, e a extinta Londres Preta, que foi esquecida por todos quando consumida por magia, e isolada para que a magia forte dela não afetasse as demais Londres. Digamos que nosso protagonista é um tipo de carteiro real entre mundos. Ele transporta a correspondência dos reis de um canto a outro. Mas Kell também é um contrabandista de peças entre essas Londres, coisa que é proibida.

Já Lila, a outra protagonista, vive na Londres Cinza. É uma ladra incrível que já passou por coisa suficiente na vida e que sonha apenas em ter seu próprio navio, botas de pirata, um belo chapéu e uma espada imponente. Os roubos de Lila tem a finalidade de tirá-la da vida medíocre em que se enfiou. Até que ela esbarra em um homem machucado, que está fugindo de alguma coisa, e rouba um artefato pouco comum do seu bolso sem que ele perceba. Esse homem é Kell, que em um favor de "contrabando", levou para a sua Londres algo que não deveria ter saído de onde estava. Algo que carrega a magia em si. E uma magia perigosa.

Precisei de dois parágrafos para explicar um pouco do enredo do livro, e precisaria de mais uns dez para dizer o quanto ele foi incrível em cada página. Via muita gente falando horrores de Lila, e pessoalmente não vi uma personagem tão chata assim. Pelo contrário. Eu a adorei! Deus sabe que tenho uma tombo por personagens fortes e independentes. Principalmente se forem mulheres fortes e independentes. E também não posso dizer que deixei de me encantar por Kell. Ambos já eram incríveis antes de se juntarem, e depois foi só amor no meu coração.

A ideia da autora sobre as dimensões de Londres é muito boa. Nunca li nada dela além desse livro, apesar de ter outro parado em casa, mas posso dizer qua quando o assunto é fantasia, a mulher sabe trabalhar. Não deixou a desejar em momento algum na sua construção de "mundos". Você realmente enxerga cada Londres como se fossem folhas finas pairando umas sob as outras. Como uma televisão sintonizada em quatro canais ao mesmo tempo. É uma construção genial e muito possível no âmbito da magia literária.

O enredo do livro te prende do começo ao fim. Peguei sem esperar muito enquanto tomava café da manhã, precisei de pouco tempo para concluir, e já conclui com água na boca por mais. Eu preciso de mais para ontem! Apesar do livro fechar bonitinho nesse volume, as pontas do passado de Kell, Lila e os emocionais de ambos ficaram em aberto. São dois espíritos livres a quem a vida fez favor de juntar. E o que mais gostei foi que continuaram a ser espíritos livres, só que com um elo entre ambos. Quase uma corda invisível que os amarra. Sério, amei a amizade e doação dos dois. Ah, eu amei o livro inteiro!

O livro é uma delícia! Eu recomendo como uma boa fantasia jovem para passar o tempo.

Resenha de "As Cordas Mágicas" (Mitch Albom)

Título: As Cordas Mágicas
Autor: Mitch Albom
Editora: Arqueiro (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Francisco Presto nasceu numa pequena cidade da Espanha em plena guerra civil. Com a infância marcada por tragédias, Frankie se torna pupilo de um professor de música cego, que se dedica a lhe ensinar tudo o que sabe.
Ao completar 9 anos, ele foge para os Estados Unidos carregando consigo apenas seus bens mais preciosos: um violão e seis cordas mágicas.
Com um talento fora do comum para tocar e cantar, Frankie rapidamente alcança o estrelato e influencia o cenário musical do século XX, apresentando-se ao lado de nomes consagrados como Elvis Presley e Little Richards.
No entanto, seu dom se transforma em um terrível fardo quando ele percebe que pode afetar o futuro das pessoas: uma corda de seu violão fica azul cada vez que uma vida é alterada.
No auge do sucesso, assombrado por seus erros e por seu estranho poder, Frankie sai de cena por anos, apenas para ressurgir para um espetacular e misterioso adeus.
  

Eu sou uma pessoa completamente ensandecida por música. É tanto que o primeiro livro que consegui escrever na minha vida tinha uma relação com o meio musical. Na verdade é música que escorre das páginas de A Mais Bela Melodia. Para mim o som é uma extensão da alma de alguém, seja o artista que a compôs ou o ouvinte que a sentiu ao ponto de perceber sua alma engrandecer numa ligação pessoal com aquela melodia. Existe algo de mágico com a música, e quando vi a sinopse desse livro, senti que precisava dele para ontem. E que maravilhosa surpresa descobrir essa joia rara. 

O livro começa com o enterro do músico Francisco Presto, o Frankie. E isso não é nenhuma novidade, ok? Está realmente nas primeiras páginas do livro. Nesse enterro, que é narrado de um modo bastante peculiar pelo autor, ficamos conhecendo, através de relatos de conhecidos, quem foi Frankie e o que ele representou para a música da época. É ai que vamos conhecendo a história do protagonista, numa visão em terceira pessoa de um mundo particular que é muito próximo a nós de uma maneira delicada. 

Eu poderia passar o dia aqui tecendo elogios acerca desse livro, e ainda assim não seria suficiente. Acredito que não consiga passar metade do que senti durante essa leitura, e acho de verdade que ela é do tipo para ser sentida. A vida desse protagonista é como se fosse uma página da poesia do seu autor de poemas predileto. Faz sentido? Talvez não, mas como falei, é difícil explicar. 

O autor usa de uns recursos narrativos escandalosos de bom para contar certas coisas. Seja com a cobertura jornalística no enterro de Frankie, ou simplesmente inserir o protagonista com grandes nomes da música, como se de fato ele estivesse estado lá. Chega a ser um apanhado histórico sobre a música da época de Elvis. Sabe o que me lembrou? Forrest Gump. Não num todo, mas nessas inserções na história da música de forma tão verossímil. 

Ainda que tenha momentos enfadonhos durante o livro, principalmente as lições sobre violão, as partes fluidas superam em muito. Acredito que elas tenham sido necessárias, apesar de cansativas. Não acredito que o autor deu ponto sem nó. O livro é todo necessário. Como se fosse aquele símbolo do infinito que faz um looping e volta para o ponto inicial. 

O fato da Música ser uma narradora dessa história também é algo bastante interessante. Como se ela comandasse as linhas escritas. Como se tivesse o poder que de fato tem na vida das pessoas, mas de uma maneira literária. Algo sublime de ser lido. 

Esse livro me lembrou de muita coisa boa na minha vida. Eu podia jurar até ter sentido o cheiro de alguns lugares a medida que a história ia sendo narrada. É muito bom quando um livro chega ao ponto de ser sensorial. Isso significa que o autor é uma pessoa delicada com o que escreve e com o "como escreve". 

Estou encantada com tudo. Com a trajetória musical da vida de Frankie, com o estilo de narrativa do autor, com o pouco de realismo fantástico presente na ideia das Cordas Mágicas, que para mim é mais uma alegoria a ideia da perseverança por um sonho do que qualquer outra coisa. 

É um livro sobre dons, e sinto muito se você não acredita nisso. Não dá para conceber pessoas como Beethoven ou Tolstói sem pensar em dom. Ainda que exista um treino para o alcance da perfeição, aquelas pessoas nasceram para isso, sem sombra de dúvida. Poderiam ter sido banqueiros? Sim! Mas não foram, e isso faz toda a diferença. 

Completamente apaixonada pelo o que autor construiu aqui, pela sensação que ele deixou em minha alma quando acabei de ler o livro, e por pensar que ele pode tocar outras pessoas exatamente como fez comigo. 

Se não leu, vá ler. Agora!

Resenha de "A Menina dos olhos molhados" (Marina Carvalho))

Título: A Menina dos Olhos Molhados
Autor: Marina Carvalho
Editora: GloboAlt (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Bernardo é jornalista por vocação: curioso, comprometido e muito bom com as palavras. Trabalha há anos em um importante jornal da cidade e suas matérias investigativas são sempre elogiadas. Ele só tem uma limitação... Odeia trabalhar em equipe. Há alguns anos, Bernardo sofreu com uma grande decepção amorosa, o que contribuiu para o seu jeito fechado e antipático. Por isso a incumbência de levar Rafaela – a nova estagiária do jornal – para todos os lugares é como o inferno para ele. Bernardo não perde nenhuma oportunidade de evitá-la, mas Rafa, além de ser uma jornalista extremamente talentosa, não engole desaforo. Com o passar dos dias, Bernardo percebe que não conseguirá seguir seu plano de ignorar a estagiária, muito menos todos os sentimentos que ela desperta nele. Entre reportagens intrigantes e perigosas, eles vão descobrir que têm muito mais em comum do que a imensa paixão pelo jornalismo...

Antes de vir escrever a resenha desse livro fui reler a de Azul da Cor do Mar e percebi como meu julgamento de leitura mudou nos últimos anos. Estou muito mais rigorosa com as coisas que leio, e isso tem seu lado positivo, porque me torna uma leitora exigente, e seu lado negativo, porque me transformo numa completa vaca com coisas bobas na leitura. Foi mais ou menos o que aconteceu com esse livro.

Para começar defendendo, devo dizer que foi total culpa minha não ter lido com atenção a sinopse e ter percebido que na verdade ele é o ponto de vista masculino de um livro que eu já havia lido, o Azul da cor do mar. E só vim perceber isso a medida que ia lendo e reconhecendo detalhes na trama. Só então foi pesquisar e entendi a semelhança, e daí entortei a boca porque simplesmente detesto livros com a mesma história, narrados pelos olhos do outro. Para mim isso é um completo desperdício de papel, quando tem tantas histórias novas para serem publicadas por ai.

Na resenha de Azul da Cor do Mar eu gostei de aspectos na história que hoje em dia acharia um saco, como a previsibilidade. Será que é porque já sabia o final? Pode ser, mas isso me irritou tanto que passei perto de abandonar o livro.

Outra coisa era o protagonista... minha gente, quase nada na vida do cara justificava ele ser um completo babaca mal educado, e ainda assim ele era, e a Rafa, a mocinha, aguentava isso numa boa porque precisava daquele trabalho. Era uma relação de amor e ódio dele para com ela que me lembrava coisa de adolescente que não sabe o que fazer quando começa a sentir algo por alguém.

Tá, Marina tem aquela coisa de me conquistar na narrativa. Ela é boa no que faz - muito boa - e é raro pegar um livro dela para ler e demorar muito nele. A coisa é fluida e prática. Não há como negar o talento da mulher para romances, e não seria uma boa blogueira literária se não admitisse isso. Acho que já li todos os livros da Marina lançados, e tem alguns que amo, como tem outros que foi um martírio a leitura, mas em nenhum dos casos demorei muito para ler. De alguma forma, a escrita dela me lembra o da Kiera Cass, que escreveu aquela bomba, que foi A Seleção, mas que eu comia em uma sentada graças a escrita maravilhosa da mulher.

Não me liguei a nada pessoalmente. O protagonista é um babaca, a mocinha uma lesada, e a história eu já conhecia, e por isso tive dificuldade de me encantar, já que não havia novidades para isso e sou muito ligada nas coisas inéditas. Dificilmente hoje em dia você me verá relendo algum livro, e te dou um real se achar na minha estante um livro que conte a mesma história pelo ponto de vista de outro personagem e que eu tenha comprado ou pedido voluntariamente. Não é minha praia.

Você pode ler ele independente de Azul da Cor do Mar. Claro que o contexto do outro ajuda, e pela minha resenha eu gostei bem mais dele do que desse. A parte bacana aqui é que conhece o passado de Bernardo e entende "razoavelmente" como ele chegou naquelas condições de cara chato e ranzinza. Fora isso não há muitas novidades. Mas é um livrinho interessante para se passar uma horinha se distraindo.