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Segunda temporada de Umbrella Academy e como uma série pode ser ainda melhor

 

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Sabe quando a gente espera que a continuação de uma série seja boa, mas não imagina em que nível ela chega a ser boa? Foi o meu caso com a segunda temporada de Umbrella Academy. Fui totalmente pega de surpresa. 

Vocês devem lembrar que o final da primeira temporada é desesperador, não é? Pois bem, aqui a gente vê exatamente a continuação daquele momento final, quando o Cinco leva os irmãos para outro tempo, tentando salvar todos do apocalipse. 

Só que o plano do Cinco não dá totalmente certo, e os irmãos são jogados em momentos diferentes do tempo. Klaus em 1960, Alisson em 1962, Luther em 1963, Vanya e Diego caem em meses diferentes de 1963. 
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Os irmãos se desencontram na história, até que o próprio Cinco caia e veja que eles continuam sendo responsáveis pelo apocalipse, agora antecipado para 1963. Então Cinco precisa reunir os irmãos e impedir (novamente) o apocalipse. 

A gente pensa a princípio que a ideia possa ficar muito repetitiva, apocalipse de novo, mas isso não acontece. Talvez porque os personagens estejam em um momento diferente da história e para eles existem coisas maiores do que o apocalipse em si. Afinal, eles passaram por um e sobreviveram, e o roteiro explica muito bem que eles não ligam muito para isso, em um primeiro momento. 

Mas eu penso que a máxima dessa temporada tenha sido o crescimento individual dos personagens. Naquilo que a série errou na temporada anterior, ela acerta majestosamente nessa. Os ritmos dos personagens estão igualados, o que causa alvoroço em quem assiste, e não o desconforto que tive com a primeira temporada, com aqueles momentos introspectivos entre cenas de ação. 
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Ainda que o drama exista em grau elevado na segunda temporada, ele consegue se mesclar a comédia e ação normal em Umbrella. Então quando vemos o drama de Alysson com o novo personagem que integra a série ao lado dela, também vemos como Klaus quer mudar a vida de um outro personagem e não consegue (aliás, os coadjuvantes que se entrelaçam aos irmãos nessa temporada são sublimes!). E no momento seguinte começa uma sequência de cenas mais leves, até que o ciclo se complete e volte. Entendem o que quero dizer? Os níveis estão iguais! Achei isso excelente! 

Existe um crescimento pessoal muito evidente em todos os personagens. Se eu tinha birra com comportamentos de Diego na primeira, por exemplo, ele caiu por terra nessa segunda. Todos tiveram crescimentos fantásticos, mas o de Diego foi o que mais me tocou. Saiu de um personagem Ok para mim para se colocar no meu TOP 3 de irmãos. 

Posso dizer com felicidade que Klaus e Cinco mantiveram o pódio de amor no meu coração. Eu simplesmente ADORO os dois personagens!!! O jeito revoltado e maduro demais de Cinco, que beira a loucura da idade sexagenária que de fato tem (que a propósito, o ator segura com perfeição), e como Klaus é sempre leve e paz e amor e deixa uma atmosfera cômica em todos os lugares que vai. 
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Aliás, comicidade é o que não falta aqui. Existiam cenas engraçadas na primeira temporada, mas não chegam aos pés do que acontece nessa. Parece que o roteiro decidiu que isso era um elemento muito importante na trama e trabalhou com essa ideia do começo ao fim. Vou confessar que precisei correr para fazer xixi duas vezes, de tanto que ri com algumas cenas. Então se você nunca se aventurou em Umbrella achando que era apenas ficção científica, venha simbora com vontade! Garanto choro e risada na mesma proporção. 

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Achei excelente como o roteiro incluiu dados históricos na construção de toda trama. De lugares, pessoas e situações. Até o fato de como os negros eram tratados de maneira desprezível em 1963 eles souberam trabalhar aqui. Poxa, sem críticas! 

Preciso avisar que o final da temporada deixa a gente de cabelo em pé, exatamente como o final da primeira. Entendi que coisas que eles mexeram no passado acabaram mudando o que seria o futuro deles, e estou ansiosa para comprovar se minhas ideias fazem sentido. Fiquei com várias na cabeça! 

Agora é esperar a próxima temporada e torcer para que se mantenha tão excelente quanto essa. Ah e, claro, com a melhor trilha sonora. Vou dizer... quem seleciona as trilhas de Umbrella merece um prêmio. 

Pelo amor de Deus, corram para ver um dos meus xodós da Netflix! 





Série O Bebê de Rosemary



Hello, people!!

Hoje vamos falar sobre a série que saiu recentemente de O Bebê de Rosemary. 

Para quem também nunca assistiu ao filme de 1968 dirigido pelo Polanski, o que sugiro com muita força que assista, preciso ambientar vocês. 
Temos essa família que se muda para um apartamento muito chique e antigo em um bairro rico. Ela é dona de casa, e ele um professor que tem muita vontade de escrever um livro. O marido é ambicioso e toda a ambição da mulher é cuidar da família. 
Nesse apartamento temos moradores fixos, com certa idade e poder aquisitivo. O casal conhece os Castevet. Aparentemente acolhedores, divertidos e prestativos, logo se unem a eles em uma amizade que acreditam ser de mão dupla. 
Então, envolto em uma noite confusa, Rosemary acaba engravidando do tão esperado bebê do casal. Só que aquilo é o início de um pesadelo para ela. 

                                       

Preciso dizer que a experiência de já ter assistido ao filme antes da série fez com que eu avaliasse melhor detalhes que possivelmente passariam desapercebidos, e que julgo importante citar aqui. 

A série tem dois episódios. Nem podemos chamar exatamente de série. O que senti foi que a direção queria mais espaço para desenvolver certas questões, e por isso transformou o que poderia ter sido uma película única em dois episódios longos. Isso pode ter sido um ponto positivo. 

É fato que o bebê de Rosemary é uma história com complexidades em situações diversas, e que a série, por possuir mais espaço, conseguiu abarcar de forma até eficiente. 

Veja também: Série Dark 

Como, por exemplo, as amizades com os inquilinos anteriores por parte dos Castevet, o tanto de ambição que o marido de Rosemary tinha, coisa que a gente só entende pincelado no filme do Polansky. O estado de loucura que Rosemary que vai entrando devagar, a amizade com a melhor amiga, o policial que cuida do caso, os pontos feministas abordados de forma mais clara para observadores desatentos, o relacionamento do casal... Enfim, são pontos que foram trabalhados com mais calma, e eu acabo cedendo a ser tão rígida na avaliação por conta deles. 


Acredito que a série foi pensada para quem curte as coisas mais as claras, e o filme exige uma certa atenção e desenvoltura psicológica do espectador. Ou seja, você precisa criar conexões mentais para entender no filme os pontos que na série são fáceis. 

Veja também: Série The OA

Isso foi brilhantismo por parte da direção? Não sei. Pessoalmente gosto mais quando as coisas ficam subtendidas, mas eu consigo enxergar a importância de mostrar nitidamente as problemáticas de Rosemary com tudo o que vai acontecendo ao redor dela. 

Um ponto que acho importante e que existe em ambos (série e filme), é o tanto que a mulher grávida fica frágil. E não estou falando apenas fisicamente, mas de como tudo ao redor dela amplia em graus altos de perspectiva. Como o emocional se abala com facilidade sem que haja espaço para pensar sobre as coisas com clareza, e o tanto que a sociedade nos diminui a uma criatura frágil e sem poder de decisões por causa disso. Rosemary passa de uma mulher que é ouvida para uma que é tratada com um tipo de zelo quase maluco. 


Uma coisa que eu amei na série é como os Castevet são sedutores. No filme temos dois idosos que sinceramente nunca entendi porque acabaram ficando amigos de Rosemary e o marido. São exagerados e excêntricos, enquanto o casal é calmo e discreto. Já os Castevet da série são de uma sensualidade impossível de ser ignorada. A gente quer ser amigo deles pela beleza, riqueza e o jeito sensual que tem de simplesmente existir. Daquele casal eu seria amiga com facilidade. Não parecem dois hippies que perderam a estrada para curtir a velhice em uma casa de campo. 


Também entendi melhor o que se passava na cabeça do marido de Rosemary com a série. A ambição por ter sucesso na carreira e que justificava os atos impróprios. Nenhum dos dois maridos, série ou filme, passam com importância para mim. Personagens neutros que entram e saem e a gente não dá a mínima. São manipuladores de um jeito quase nojento e eu me via gritando com Rosemary em todas as atitudes de macho dos maridos quando ela era passiva e concordava, mas aqui entra aquilo que falei sobre a fragilidade do feminino e da gravidez. 


Outra coisa que acho importante citar é a mudança de locação. No filme fica claro que a história se passa nos EUA, e na série mudamos o foco para Paris. Se eu entendi bem porquê dessa mudança? Acho que não, mas se pudesse chutar diria que era para isolar mais Rosemary. Fazê-la sentir-se sozinha. Além de que Paris é uma das cidades antigas, e aqui estamos falando sobre satanismo e cultos afins. Então tem mais lógica quando trabalhamos o tema em um lugar de séculos a mais do que os EUA. 

Veja também: Série Sex Education


Enfim, é uma série que vale a pena ser assistida? Sim, principalmente por ser curtinha. Mas eu ainda prefiro a maestria do entre linhas de Polanski no filme. Gosto do clima antigo que ele entrega, e que perde a vez com a modernidade da série. 

Essa eu assisti no StarzPlay, um streaming com um preço bem camarada que recomendo pelas séries históricas e outras maravilhosas que estão entrando no catálogo.  



Para pirar o cabeção! Série "Dark"



Sinopse: A história acompanha quatro diferentes famílias que vivem em uma pequena cidade alemã. Suas vidas pacatas são completamente atormentadas quando duas crianças desaparecem misteriosamente e os segredos obscuros das suas famílias começam a ser desvendados.
Sabe aquele tipo de filme que você assiste e quando termina se sente burro por não ter entendido o que ele queria passar? Foi justamente o meu caso com Dark. 

Já passei por situações semelhantes com Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, Amnésia e um ou outro filme de Lars Von Trier. Filmes que precisei de mais de três ou quatros assistidas, além de discussões em fóruns, para entender o que o diretor queria que eu entendesse. Porque ainda tem isso... O que você interpreta de uma história não é exatamente o que deveria. A arte é sempre subjetiva, mas eu gosto de entender a visão de quem entrega uma proposta ousada, como foi o caso de Dark.



A história de Dark se concentra em alguns desaparecimentos em uma cidade alemã. Aliás, é uma série alemã, então se preparem para nomes esquisitos de lugares e de pessoas. Principalmente de pessoas, e essa foi uma das problemáticas que tive em específico com essa série. Tenho problemas com o que sai do meu cotidiano, e certamente que pessoas com consoantes demais no nome é complicado para mim. E devo alertar que a quantidade de personagens também pode confundir, ainda que eles não se percam na trama. São muitos, e em diferentes momentos "históricos", então sim, anotar esses nomes seria uma boa dica para uma segunda assistida.


Apesar das inúmeras comparações com Stranger Things, inclusive por parte da própria Netflix quando anunciou a série, falando que quem gostava de Stranger iria gostar de Dark e colocando fotos promocionais de grupos de adolescentes como chamariz, Dark segue caminhos diferentes dessa proposta. 
A coisa aqui é bem mais sombria do que em Stranger. Enquanto Stranger foca na nostalgia e amizade entre garotos, em Dark temos, a priori, o individualismo externalizando em ações aterrorizantes. Ainda que o sobrenatural seja um forte "horror" na série, são as ações das pessoas que realmente contam o terror dessa história.


O ritmo inicial é lento. Fato. Inevitável que seja. Você precisa entrar na história como o roteirista pensou nela. Conhecendo as famílias e entendendo como funciona a logística social dessas pessoas envolvidas. Como disse lá em cima, são muitas pessoas e diversas ligações necessárias de serem compreendidas com calma. Então tenham um pouco de paciência. É confuso, mas plausível.

Passou da primeira metade, você vai devorar o restante por pura curiosidade, e até por um pouco de asco com alguns personagens que lá no início você até gostava e que demora a acreditar que eles possam vir a fazer alguma coisa ruim. Acredite quando digo que não dá para sentir 100% nada aqui sem ter certeza de que não vai quebrar a cara lá na frente. Apesar de ter ficado horrorizada com uma ou duas atitudes, eu vi segurança nelas, saca? Tipo, um ser humano normal cometeria certos crimes pensando em um "bem maior" ou um "bem pessoal". É realista, e dou meus vários pontos por isso.


Não é spoiler que Dark vai trabalhar com passagens de tempo ficcionais. Tá logo ali em cima, no cartaz promocional da série. Mas não vou me atentar a isso porque acho que a máxima dessa série é você ir assistindo e pensando realmente como diabos aquilo seria possível e como afetaria outros momentos da linha de trama desses personagens. É a história da Teoria da Relatividade em relação ao destino. Que de alguma forma ele está escrito. Claro que aqui temos a dose máxima de ficção científica, mas uma dose banhada no que penso ser um realismo convincente nesse sentido.

Todo o clima de Dark, sejam as cores escuras em paisagens neutras do interior da Alemanha, ou roupas sem cores vibrantes, ou ainda os personagens quase tão dark quanto o nome da série, levam o expectador a sentir o peso dessa produção de maneira quase sufocante. É uma delícia o modo inteligente com qual criaram isso aqui. Da complexidade dos personagens e suas histórias individuais, ao que eles representam num todo. Porque de uma coisa eu tenho certeza, nada nem ninguém aqui foi jogado ao acaso. Então mesmo que você sinta que esqueceram personagem X ou Y, acredite que lá na frente eles farão uso dessa galera de maneira brilhante.

Se me perguntarem se eu gostei de Dark vou certamente demorar um pouco para responder. Não porque desgostei, mas porque acredito que seja o tipo de série a ser vista sozinho e com atenção, uma coisa que não consegui por causa das crianças, e isso prejudicou o meu entendimento do que acho que o roteirista queria me passar. Os embates filosóficos e científicos são grandes e importantes, e vez ou outra perdia um deles e precisava voltar. Por isso terminei de ver Dark em extrema confusão mental, até porque o final não é realmente fechado. Diversos pontos em aberto e necessários para compreender no que tudo vai findar, e isso é de explodir a cabeça.

Eu gostei da estética, eu amei os personagens e tenho um amor incondicional a "ideia" de Dark. Vou precisar rever com certeza, mas se em um primeiro momento ela me passou uma segurança de trama tão boa, penso que daí para frente a tendência é melhorar. Minha explicação é confusa? Pois veja só, espere ver a série toda para entender o que é confusão.

De qualquer forma, desejo viel glück (boa sorte) para vocês. E venham me procurar depois para contar o que acharam.

The OA e a poesia da expressão da alma


Título: The OA
Criado por Zal Batmanglij, Brit Marling (2016)
Com Brit Marling, Emory Cohen, Scott Wilson...
País EUA
Gênero Drama
Status Em produção
Duração 60 minutos 

Sinopse: Prairie Johnson é uma garotinha cega que desaparece. Sete anos depois, ela retorna, com a visão perfeita. A jovem (Brit Marling) tenta explicar aos pais o que aconteceu durante a sua ausência. Para a surpresa de todos, ela diz que nunca realmente se foi, mas estava em outro plano da existência... Num lugar invisível.



Minha ausência tem uma explicação: Filhos. 
Se com um deles eu achava complicado dar conta de tudo, avalie agora que tenho dois e que a caçula parece ter morado algum tempo com o Pan, aquele da floresta, porque sinceramente nunca vi menina tão danada e inquieta. Eu em casa não paro dois minutos. 

Então imagina como deve estar difícil assistir ou ler ou fazer qualquer das coisas que eu sempre gostei muito, mas que exigia tempo meu. Adivinhem como consegui então assistir uma temporada inteira de uma série? Isso! Virando duas madrugadas. 

Minha intenção não era essa. A ideia consistia em ver um episódio por noite e em pouco mais de uma semana concluir. Mas quem disse que eu consegui? Eu precisava de mais. Minha alma pedia mais. 

Ok, não dá para falar muito de The OA sem revelar demais, e acho que uma das coisas mais espetaculares ao longo da serie, é descobrir como as coisas acontecem, e ir gamando nelas aos poucos, sem cobranças ou expectativas. De fato não tinha expectativa alguma sobre nada, só me deixei levar pela sinopse e o teor de ficção científica que ela apresentava, e fui indo, sendo guiada por um roteiro pra lá de inteligente e emocional. 



Até o quinto episódio eu estava mais pela curiosidade acerca de Prairie, do grupo que ela recrutara e o que diabos ela iria querer com eles. Não tinha gostado de personagem algum além de Steve, que era o menos carismático - e mais problemático - de todos. Mas eu sempre tive uma queda por personagens problemáticos, então isso não foi bem uma novidade. Mas depois do quinto episódio eu fiquei simplesmente por paixão ao conjunto de tudo o que vi e senti. Principalmente ao que senti. 

Se não tinha apego a personagem algum até então, parece que todos ganham uma dimensão inenarrável a partir disso. Três episódios, já que a série conta com oito ao todo, foram suficientes para me fazer terminar de assistir e entender que as coisas chegam quando tem que chegar para mim, e eu precisava sentir tudo o que está no meu peito nesse momento depois de duas madrugadas sem dormir por causa de The OA. 

Posso estar sendo levada pela falta de sono benéfico ao falar isso? Sim, claro! Afinal, muitas das críticas sobre a série foi acerca da falta de ação, da lerdeza em muitos momentos, e de a maioria das pessoas não encararem a série como ficção científica, como o Netflix vendeu. Já li de tudo desde que a série foi lançada, e acho que em muitos momentos as críticas fazem sentido. Se eu fosse cheia de expectativas, eu teria quebrado a cara. Tem ficção? Sim, só que ela fica por debaixo dos panos do tapete psicológico construído pelos roteiristas com coisas cotidianas, como família ou morte e vida e a forma como quem fica encara isso. 


Temos dois núcleos de personagens, que a única coisa que tem incomum é a Prairie. O primeiro que nos é apresentado, é composto por um grupo de adolescentes desfuncionais (meu tipo de adolescente predileto), uma professora com muitos problemas, e a garota que era cega e que agora é o milagre da cidade. No outro núcleo, do qual não posso falar muito para não perder a graça, também temos um grupo de pessoas que de início eu achava um saco, mas que foram me ganhando de uma forma que nem sei explicar. Hoje, ao final da temporada, não a enxergo sem eles. Parece que todos são pedaços de um quebra cabeça cósmico. De fato a série nos faz entender o papel de cada ser humano na Terra, mesmo aqueles que acham que não tem papel algum. Como somos ligados e nem percebemos isso. 

Existem milhares de pontas soltas, não vou mentir. Mas na verdade isso não tirou o amor que senti por tudo, só me deixou mais curiosa. Quando terminei de assistir e me peguei rindo e chorando, de olho para o teto, sem saber exatamente o que pensar, foi que percebi que talvez o negócio com The OA não fosse para se pensar, mas realmente para se sentir. Existe poesia na ideia da morte, e a série trabalhou isso com outros temas, mais ficcionais, que deixa uma sensação de plenitude em quem já perdeu alguém que amava muito. 


Outra coisa que adorei foram as atuações em conjunto com os esteriótipos de cada personagem, principalmente os adolescentes. São tipos sociais que você acha com frequência por ai, e que na maioria das vezes ninguém dá muita corda para eles, mas são sensacionais. De um modo que eles nem percebem, são incríveis por enxergarem um mundo tão ao extremo, de qualquer lado que seja, e isso foi muito importante para o plano de Prairie. Eles são nós em uma linha resistente e única feita de material estelar e inquebrável. 

Existe algo de teatral nessa série. Não sei dizer exatamente o que é, mas há momentos em que o uso do corpo é tão exagerado e potente que você se pergunta se não foi dirigido por um diretor de teatro, que queria com isso elevar o grau de sentimentos de quem assistia. No cinema um pequeno gesto já é necessário, mas aqui eles são grandes. Os movimentos tem significado e sentimento, as expressões tem significado e sentimento, e não tem como negar que elas tocam você em algum lugar que te faz querer rir ou chorar. Ou os dois, como foi o meu caso. 


O final da série foi de uma poesia alucinante, e você fica nervoso porque vai ter que esperar um bocado para saber como vai continuar, porque ela finaliza de uma forma que ainda que fiquei pontas soltas, é um final, e é belo e significativo em graus absurdos de emoção. Então ele se faria completo, e fico receosa (e ansiosa) por como vai continuar. 

Eu vi algo em The OA que muita gente não viu. Possivelmente você também poderá ser uma dessas pessoas. Não senti como se estivesse vendo uma série de ficção, como Stranger Things, por exemplo. Para mim foi muito mais drama e sentimentos, e isso pode não agradar geral. Normalmente não agrada. Mas para mim foi algo. Algo tão grande que estou até agora em paz. Uma sensação de plenitude surreal. 

Se OA for o som do eterno, acho que me atingiu exatamente como deveria. Nesse momento eu posso fechar os olhos e de certeza sentirei o cosmo respirando em seu silêncio. Me inserindo nesse processo, e me mostrando que sou parte dessa rotina, e que ela me pertence. 

Talvez essa "resenha" tenha sido subjetiva demais, mas é preciso assistir The OA para entender que é preciso subjetividade para explicá-la. Não vá esperando ação, mas vá de peito aberto para sentir tudo o que ela lhe proporcionar. E sinta. 

Essa série: And Then There Were None





Enredo: Em agosto de 1939, oito estranhos são convidados, de diversas formas, para Soldier Island, uma pequena ilha rochosa na costa de Devon. Isolados do continente, com seus anfitriões, Sr. e Sra. U.N. Owen, misteriosamente ausentes, cada um dos convidados é acusado de um crime terrível, assim como o casal de serventes. Quando duas pessoas morrem em circunstâncias estranhas na primeira noite, os acusados percebem que pode haver um assassino entre eles.





Wikipédia: And Then There Were None é uma minissérie britânica baseada no livro homônimo de Agatha Christie. Exibida originalmente em dezembro de 2015 no canal BBC One, foi a primeira adaptação da história para a televisão, assim como a primeira com a conclusão original do livro. A minissérie é composta por três episódios, todos escritos por Sarah Phelps e dirigidos por Craig Viveiros.

Agatha Christie é - de longe- minha escritora de mistério predileta. Apesar de hoje em dia eu quase não ler nada dela, era viciada em seus livros na adolescência. E como uma eterna apaixonada por seus livros, devo admitir que And Then There were None é o meu predileto. 

Na época em que li, a versão que tinha se chamava O Caso dos Dez Negrinhos. Mas parece que os direitos humanos - ou algo assim - bateu em cima do título, e daí foi modificado para E não restou nenhum. Gosto de ambos, mas penso que o segundo não deixa de ser um baita spoiler. 

Enfim, o enredo ai em cima diz o que precisa ser dito sobre o livro. Oito pessoas recebem cartas convidando para um final de semana em uma ilha. Um convite que veio de maneira peculiar e imponente. E saber disso já é muito importante no entendimento sobre esses personagens. Quem recebe um convite de uma pessoa desconhecida e vai passar o final de semana em uma ilha? Pois é! 

Só que não estou aqui para falar do enredo da história, mas da série feita pela BBC. 

Esse livro da Agatha tem uma adaptação para o cinema muito antiga, se não me engano é até preto e branca. Então já passou da hora de ter uma adaptação moderna. E quando vi que essa já estava disponível na internet, eu pirei legal. 

Em poucos episódios, e sem ideia de continuação, a minissérie vai retratar maravilhosamente a vida dessas dez pessoas - dois eram empregados da mansão na ilha. O importante a se dizer sobre a série, é que ela mostra pedaços do passado de todos eles, e isso é essencial para entender o motivo que os levou até aquele lugar, e o que acontece com cada um durante a estadia. 

O visual da série mistura um pouco de mistério de época com uma modernidade sutil. Tem cores, o que é absolutamente maravilhoso para minha mente tão acostumada a visualizar essa história no P&B. 

O tipo de visual que me lembra bastante o ar europeu de Downton Abbey, que é tão encantadora quanto. Aquela melancolia de paisagem, aqueles personagens soturnos e intrigantes. Até a escolha dos atores foi genial, ao meu ver. Eles souberam usar a carga dramática de cada contexto social e de vivência dos personagens para criar uma atmosfera assustadora. Foi aterrorizante assistir cada um deles em tela. 

Uma coisa foi ler E não restou nenhum. Uma experiência maravilhosa, digna de reler e reler e reler... Mas assistir foi grandioso. Eu me envolvi a tal ponto com a história, que me surpreendi com o final, mesmo sabendo decorado até as últimas falas. 

Gosto das adaptações que os britânicos fazem de textos clássicos. Parece mais sério e meticulosamente bem trabalhado. Não tem os "bum" da ficção americana. Estão preocupados com as atuações e o roteiro, o que essencialmente importante nessa espécie de texto. 

Preciso dizer que adorei? 
Série maravilhosa baseado em um livro maravilhoso. Vale assistir!

A mente poética de Luiz Fernando Carvalho



Em 2001, quinze anos atrás, eu começava a me apaixonar pelo trabalho do diretor Luiz Fernando Carvalho depois de assistir ao seriado Os Maias, produzido pela Rede Globo. 



Mesmo naquela época, eu ainda uma adolescente, tinha plena consciência de que o que me encantou na série não foi só a história, mas a parte plástica dela. Ou seja, o visual. O uso excelente de luz em conjunto com um detalhista trabalho de direção de arte, que em alguns momentos me fazia pensar na frieza russa envolta em todo o livro de Anna Karenina.

Notem as roupas. Elas não tem aquele ar de Anna Karenina? Acho o figurino dessa série fantástico!
Os Maias, apesar de ser um romance português escrito por Eça de Queiroz, tinha aquele ar melancólico da tragédia, também presente no livro de Tolstoi, e que pessoalmente eu admirava bastante. Foi esse ar negro e belo que me prendeu na série do começo ao fim.


Com quinze anos, e ainda sem ter começado minha vida artística, eu não sabia parar para analisar detalhes sobre o todo da série. Nem me ligava em nome de diretor! Só sabia que todas as vezes em que a luz fria batia no rosto dramático de Simone Spoladore, eu suspirava, Achava aqueles enquadramentos lindos, e me encantei pelo mundo oriundo de Os Maias. 








Mas minha paixão eterna pelo trabalho do diretor veio em 2005, com Hoje é dia de Maria. Na época já tinha começado a fazer teatro - e dar aula de teatro - e tinha olhos mais clínicos para TV e Cinema. E é inegável que Hoje é dia de Maria é um show visual! E ainda melhor, um show visual com ar nordestino.





O chapéu usado com Santoro nesse papel identificada a personalidade do personagem.

Luz e cenários artificiais, e ainda assim belos para representar a seca nordestina. 

Arte em madeira. Típico trabalho nordestino usado como item participativo na série


Luiz Fernando simplesmente pegou as cores, texturas e sons do nordeste e transformou naquele trabalho fantástico. Claro que quando se trata de um trabalho dessa grandiosidade, o diretor é só uma das peças para compor a ideia geral. Contudo, exatamente como Tim Burton, Luiz Fernando tem a própria assinatura nos trabalhos que realiza. Quando se assiste uma novela ou seriado de Luiz Fernando, você sabe que o trabalho é dele. Você sente na fotografia de cena, nas passagens de câmera, na escolha incrível da trilha sonora, e, principalmente, no trabalho de direção de arte. 




Dois anos depois, em 2007, estreia na Tv A Pedra do Reino, uma adaptação da obra incrível de Ariano Suassuna. E, óbvio, que foi igualmente belo. Afinal, é uma caricatura do nordeste, e quando se trata de plastificar o visual nordestino e colocar na Tv, não existe diretor melhor do que Luiz Fernando.





O trabalho de arte de A Pedra do Reino é muito fiel ao retratado no livro. 




Em seguida veio minha segunda paixão dos trabalhos do diretor: Capitu. 
Estreado em 2008, e também uma adaptação de um clássico brasileiro, dessa vez o Dom Casmurro, de Machado de Assis. Capitu veio para me mostrar que não é só com o nordeste que Luiz Fernando consegue fazer arte. A série foi inteira gravada em um teatro! E até as cenas que deveriam ser externas, ganham artifícios teatrais em cena. Novamente a assinatura visual do diretor se faz presente em mais um trabalho de encher os olhos e o coração.

Bentinho em sua agonia saudosa. Esse ator foi feito para esse papel. 

Adoro, adoro, adoro essa cena! Representação do muro da casa de Capitu em desenho no chão. 

Teatro onde foi gravado toda a série. 




Contudo tenho que confessar que comecei a estudar Luiz Fernando só depois de me envolver com cinema. Gravei um clipe de uma banda alguns anos atrás e essa minha entrada na arte das telonas me fez entender essa questão da assinatura de um diretor nos filmes. Percebi que Alfonson Cuaron adora planos sequenciais e que Shaymalan - um dos meus diretores prediletos - sempre coloca artifícios irreais em ideias moralistas para compor suas tramas. E, claro, percebi que era completamente apaixonada pelo trabalho plástico de Luiz Fernando. 
(Sessão de fotos sobre o Lavoura Arcaica)

Olha que fotografia incrível! O irmão precisando de ajuda, e o outro erguendo a mão para ajudar. 

A camera nessa cena dança junto com a atriz. Chega a ser tátil para quem assiste. 

Enquadramento transmitindo o poder do patriarca da família. Luz incrível!



O clipe que gravamos tinha um "que" bucólico, e o diretor Henrique de Oliveira nos fez assistir muitos filmes nacionais com esse ar campestre. Um deles foi o incrível Lavoura Arcaica, também um trabalho de Luiz Fernando. E, gente, aquilo é uma obra prima.

Adapatado de um romance de mesmo nome do escritor Raduam Nassar, Lavoura Arcaica é visualmente e emocionalmente um dos meus filmes prediletos nacionais. A luz e a câmera brincam com quem assiste o filme e tragam para dentro da história com agonia, que é exatamente o sentimento do protagonista, André. 



Luiz Fernando também fez trabalhos em novelas. Uma delas foi Meu Pedacinho de Chão, que era tão colorida que me sentia vendo um desenho dos Ursinhos Carinhosos cheio de algodão doce. Confesso que não morri de amores pela novela, mas era inegável a assinatura do diretor naquele trabalho.



Não parece um desenho dos ursinhos carinhosos?




E para meu completo deleite, esse ano Luiz Fernando vem com o incrível trabalho em Velho Chico. 
Não gosto de novelas, gente. Na verdade não suporto! Mas é só alguém dizer que a direção é dele que assisto só para matar a saudade daquelas passagens de câmera e iluminação que tanto amo. 


Nordeste na veia e com força!
Velho Chico em sua primeira semana já desbancou meu coração. Estou inegavelmente apaixonada pela novela. Assisto analisando cada detalhe, e morrendo de inveja dos outros nordestinos que estão envolvidos nesse projeto fantástico. As alegorias são claras e sensíveis, e as atuações estão no estilo "Luiz Fernando". Como disse, ele tem um jeito próprio de fazer o trabalho. 

Olha a luz dessa cena! *-*








Claro que o diretor também tem trabalhos menos visuais. O currículo de Luiz Fernando é longo e cheio de coisas que certamente o público vai reconhecer. Mas resolvi citar apenas os trabalhos mais visualmente belos, ao meu ver, porque queria mostrar minha admiração a mente loucamente poética desse diretor. 

Não tenho muitas pessoas famosas na vida que faria questão de conhecer, mas certamente Luiz Fernando é uma delas. Um mago da fotografia, o cara ganhou meu coração desde o primeiro contato, e continua com ele até então. 

Fiz uma postagem algum tempo atrás falando das minhas 10 séries prediletas até aquele momento. Três são obras de Luiz Fernando. (10 séries prediletas)

Alguém ai anda assistindo Velho Chico? O que tem achado? 
E vocês já conheciam o trabalho de Luiz Fernando? 
Quero a opinião de vocês!