A revolução dos bichos e porque devemos ter medo dos nossos animais

 


Título: A Revolução dos Bichos 
Autor: George Orwell
Editora: Arqueiro (Cedido em Parceria)
Saiba mais: Amazon

Sinopse: Inspirados por um discurso libertador, os animais maltratados e sobrecarregados de uma fazenda se voltam contra seu dono, expulsam-no e tomam o poder.

Com idealismo inflamado e palavras de ordem emocionantes, eles se propõem a criar um paraíso de progresso, justiça e igualdade.

Está armado o palco para uma das sátiras mais contundentes já escritas – uma fábula para adultos que registra como a revolução contra a tirania pode evoluir para um totalitarismo igualmente terrível.

 


Independente de o leitor saber que esse livro é uma fábula ou não, é claro como a sensação de "mensagem" existe em todas as páginas. Em tudo o que acontece nessa fazenda, olhando ou não pela perspectiva dos bichos. 

Lembro que comecei lendo George Orwell ainda na adolescência, por 1984. Na época não sabia se estava entendendo muito do que estava lendo, embora amasse o teor de ficção especulativa presente no livro. E quando pulei para Revolução dos Bichos, eu senti que tinha uma mensagem muito próxima da minha realidade, ainda que também não conseguisse correlacionar de maneira correta. 

Entenda que era uma adolescente com um livro e sem guia algum de como enxergar esse livro em uma ótica realista. 

A primeira vez que li esse livro guiado por um professor, já estava no ensino médio, e incrível como enxergar que esse foi um livro escrito durante a Segunda Guerra Mundial clareou estupidamente minha mente. Não era mais uma adolescente com um livro, era uma garota com uma arma de guerra, porque é exatamente isso o que os livros são: resistência. 

Quando eu recebi esse livro da Arqueiro, lembrei de tudo o que eu senti lendo essa história, e acho que o sentimento é muito mais importante do que a história em si. Afinal, eram só bichos de uma fazenda com um estranho (porém comum a nós) sistema de governo interno. Parecia tudo muito irreal, porcos montando discursos, mas a fábula tem exatamente a proposta inversa. É trazer a realidade usando um pouco de realismo fantástico, que é o que Orwell faz aqui. 

Não é a história de bichos da fazenda, é a história de como governos se formam por cima de bases finas e perigosas e viram fortalezas intransponíveis e, ainda assim, perigosas. 

Por isso digo que não é só uma questão do que a história é, mas do que ela representa para quem está lendo. Seja você de esquerda ou direita, vai sentir algo ao ler, e essa sensação é mais importante do que a fábula em si. Acredito, inclusive, que essa era a intenção do autor. Cutucar, mas cutucar de dentro para fora. Fazer o leitor enxergar primeiro o que há dentro dele, para aí sim encaixar na história. 

Acho que esse é um livro que deve ser lido em conjunto, com um guia que possa levantar questões importantes, como contexto histórico, e fazer ligações entre o real e o não real. As vezes as pessoas precisam disso para entender determinados livros, e esse é um deles. 

A Revolução dos Bichos é um livro necessário para qualquer pessoa, dentro de qualquer contexto social, e sempre vou bater nessa tecla de reconhecimento dessa história.