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Lançamentos de Outubro do Catálogo Literário da Record

Esses lançamentos sempre me deixam BABANDO!
Confiram ai:



Título: Uma Vida Consciente do Tempo
Autor: Stephen R. Covey
Páginas: 176
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Sinopse: Os princípios sistematizados pelo Dr. Stephen R. Covey fornecem modelos simples, e facilmente incorporáveis à rotina, para atender a essa necessidade melhorando sua qualidade de vida e promovendo seu desenvolvimento pessoal. Praticando as ideias de Uma vida consciente do tempo, você deixará uma rotina atribulada e improdutiva e passará a valorizar suas prioridades, ganhando tempo para viver, tempo para amar, para aprender e tempo para deixar um legado.




Título: A Festa de Aniversário e o Monta Cargas
Autor: Harold Pinter
Páginas: 176
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Sinopse: Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 2005, o dramaturgo, roteirista, poeta, ator, diretor e ativista político britânico Harold Pinter é um dos autores mais influentes do século XX. Nestas duas peças, escritas em 1957 e reunidas pela José Olympio nesta edição, ele bebe da fonte do teatro do absurdo de Beckett. “A festa de aniversário” é uma comédia com personagens marcantes e que aparentemente não têm motivação para agir da forma que o fazem; já “O monta-cargas” mostra o encontro de dois assassinos profissionais, que esperam as instruções para o próximo trabalho num quarto de hotel.




Título: Ronald Reagan
Autor: Bill O'Reilly
Páginas: 378
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Sinopse: Astro de cinema, governador da Califórnia por dois mandatos e 40º presidente dos Estados Unidos da América, Ronald Reagan foi ainda o líder responsável por derrotar o comunismo soviético e dar fim à Guerra Fria. Apenas dois meses após assumir a presidência, Reagan encarou a morte, depois que uma bala “destruidora” parou a poucos centímetros de seu coração. John Hinckley Jr., um fã lunático que queria impressionar a atriz Jodie Foster, foi o responsável pelo disparo que mudaria o mandato — e a vida — do presidente. A recuperação seria notável. Reagan foi forçado a enfrentar um desafio com que poucas pessoas já se depararam. Seria ele capaz de superar discretamente essa experiência traumática ao mesmo tempo em que cumpria os deveres da posição mais poderosa do mundo?
Neste livro, os renomados Bill O’Reilly e Martin Dugard apresentam todas as camadas de um dos mais populares presidentes norte-americanos, tecendo um relato épico sobre a chegada de Reagan ao poder — e sobre as forças que conspiraram para derrubá-lo. Um livro imprescindível para entender as ações de um indivíduo tão importante em tempos tão violentos.

Título: Quando as Pombas Desaparecem
Autor: Sofi OKsanen
Páginas: 350
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Sinopse: Neste novo romance, a escritora finlandesa, autora dos premiados “Expurgo” e “As vacas de Stalin” fala sobre os diversos lados da guerra.Em 1941, os primos Roland e Edgar lutam contra a violenta ocupação soviética na Estônia, e Juudit, a jovem esposa de Edgar, se vê entre os dois lados do combate, assistindo, desconcertada, ao júbilo da população com a chegada do Exército nazista. Enquanto ela duvida das intenções dos alemães e do futuro do próprio casamento, Roland luta pela independência do país e pelo povo estoniano.E Edgar se mostra bastante adaptável, sempre disposto a esconder o passado para ficar do lado vitorioso.



Título: Nosso Fiel Traidor
Autor: John Le Carré
Páginas: 350
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Sinopse: Livro que inspirou o filme estrelado por Ewan McGregor. O jovem casal britânico Perry e Gail – ele, professor universitário, ela, advogada – está de férias em um resort paradisíaco em Antígua. Eles pretendem tirar alguns dias de folga para jogar tênis, relaxar e descansar à beira-mar. Mas, ironicamente, se veem em meio a uma perigosa missão que os colocará frente a frente com um dilema ético. O casal acaba se envolvendo no plano do criminoso russo Dima, que pretende fazer um acordo com o Serviço Secreto britânico: entregar os nomes e os detalhes de um esquema internacional de lavagem de dinheiro, pelo qual é o “principal responsável”, e, em troca, será transferido para a Inglaterra, sob novo nome, com a família – uma mulher obcecada por santos e orações, uma linda jovem de 16 anos, os gêmeos pré-adolescentes e duas meninas recém-adotadas que tiveram os pais assassinados pela máfia russa. Dima se agarra ao jovem casal na esperança de que eles intercedam a seu favor em sua terra natal. E, com isso, Gail e Perry aceitam o difícil papel de ajudar a transferir a nada discreta família para um esconderijo temporário, tornando-se assim parte do árduo jogo de espionagem após a Guerra Fria.

Título: A Nona Vida de Louis Drax
Autor: Liz Jensen
Páginas: 238
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Sinopse: Livro que inspirou o filme estrelado por Jamie Dornan e Aaron Paul.Louis Drax não é um menino comum. Prestes a completar 9 anos, dotado de uma imaginação mórbida, Louis todo ano sofre algo terrível e misterioso que ameaça tirar sua vida. Sua mãe vive em pânico constante. Seu psicólogo se vê perplexo diante desse fenômeno. O garoto está sempre entre a vida e a morte.
Em um piquenique com a família, Louis acaba caindo de um penhasco. Dado como morto, volta milagrosamente à vida, mas entra em coma profundo. Sua única chance de recuperação é o Dr. Pascal Dannachet.
O caso do menino se torna um desafio para o médico, e ele logo se vê envolvido pelas intrigantes circunstâncias de seu acidente. Será que a queda foi mesmo acidental? Apenas Louis detém a resposta, mas ele não pode se comunicar. Ou pode?
Título: O Economista Clandestino Ataca Novamente
Autor: Tim Harford
Páginas: 308
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Sinopse: Em “O economista clandestino”, best-seller mundial, Tim Hardford buscou ver o mundo com os olhos de um microeconomista, considerando, por exemplo, como a economia doméstica poderia influenciar o âmbito mundial. Agora, em um planeta transformado pela crise, dedica-se a um quadro muito maior para nos ajudar a desvendar as complexidades das grandes economias globais. O que acontece com a inflação quando se queima 1 milhão de libras em notas? Por que até os campos de prisioneiros de guerra têm recessões? E por que a Coca-Cola ficou setenta anos sem mudar o preço da garrafa? Com humor afiado e clareza de especialista, Harford coloca de lado os jargões e revela como realmente funciona a economia mundial.


Título: O Grande Experimento
Autor: Marcel Novaes
Páginas: 238
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Sinopse: A revolução americana já seria uma das mais importantes da história mundial apenas pelo que representa para o estabelecimento e a difusão dos valores da liberdade individual e do estado de direito. No entanto, comparada às Revoluções Francesa e Russa, é de longe – e não sem significados – a menos conhecida no Brasil. Escrito por um brasileiro, Marcel Novaes, para o leitor brasileiro, este O grande experimento muda tal estado das coisas ao apresentar – de forma acessível, com bom-humor, no ritmo de um thriller – o fascinante desenrolar da criação dos EUA. Trata-se, aliás, de livro pioneiro aqui: inserido na bem-sucedida tradição nacional das obras de divulgação histórica, é o primeiro do gênero dedicado à história de um país que não o Brasil.

Título: Detox de Homem
Autor: Zoe Strimped
Páginas: 302

Sinopse: Detox de homem é um livro honesto e divertido para mulheres solteiras que precisam se desintoxicar de relacionamentos junk food. Influenciadas por séries como Sex and the City, as solteiras contemporâneas tendem a exagerar no sexo sem compromisso com caras que estão abaixo de seus padrões. O resultado: autoestima abalada e dificuldade em dedicar-se às questões prioritárias e a si mesmas. Neste livro Zoe Strimpel propõe uma série de atitudes que podem revolucionar sua maneira de ver a liberdade sexual e questionar o empoderamento obtido a partir de relacionamentos dispensáveis.




Título: O Filho de Machado de Assis
Autor: Luiz Vilela
Páginas: 128
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Sinopse: Nesta trama intrigante, um professor universitário encontra evidências de que o escritor Machado de Assis — contrariando o que escrevera ao fim de As memórias póstumas de Brás Cubas — tem, de fato, um herdeiro. Com seu estilo enxuto e diálogos inconfundíveis onde quase somos capazes de ouvir os protagonistas em ação, Luiz Vilela prende a nossa atenção através das indagações do Professor Simão e de seu aluno, Mac, sobre a descoberta que poderá mudar para sempre o universo das letras e da literatura machadiana.





Título: A Tradutora
Autor: Cristovão Tezza
Páginas: 208
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Sinopse: Em seu novo livro, “A tradutora”, Tezza retoma da protagonista Beatriz, de “Um erro emocional”. No livro, o autor entrelaça lembranças da personagem, diálogos do presente e fragmentos da tradução que ela faz de um livro de um filósofo catalão, numa linguagem que funde os tempos na narração.“A tradutora” é um romance sofisticado, conduzido por um fio de leveza, humor fino e autoironia, em que encontramos Cristovão Tezza em pleno vigor de seu domínio narrativo – um livro que nos dá a sensação de vislumbrar a metade mais fascinante, complexa e misteriosa do universo humano: a feminina.”

Resenha de "O Vento da Noite" (Emily Bronte)

Título: O Vento da Noite
Autor: Emily Bronte
Editora: Civilização Brasileira (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Único livro no país que reúne exclusivamente a poesia de Emily Brontë, autora de O morro dos ventos uivante, este volume traz 33 poemas da escritora inglesa.Publicado no Brasil originalmente em 1944, como parte da primorosa Coleção Rubáiyát, da editora José Olympio, “O Vento da Noite”, traduzido por Lúcio Cardoso, retorna em edição bilíngue pela Civilização Brasileira.
É uma bela oportunidade de reviver o encontro entre dois grandes nomes na literatura e de observar as especificidades que permeiam os processos de criação do autor e do tradutor – uma relação marcada pela sensibilidade, intimidade, escuta e delicadeza.
A edição é organizada e apresentada por Ésio Macedo Ribeiro, organizador dos Diários, de Lúcio Cardoso. A prestigiada tradutora Denise Bottman assina o texto de orelha.

Não sou a maior leitora de poemas, e isso é um fato. Tive uma dificuldade enorme para absorvê-los durante o ensino médio, e uma dificuldade triplicada na faculdade, quando a teoria literária do curso de Letras me exigia que não só lesse muitos poemas, como os estudasse minunciosamente. Contudo apesar de não ser meu tipo predileto de literatura, hoje posso dizer que os enxergo de uma maneira diferente. Não o bicho de sete cabeças que era aos treze anos, mas com um certo ritmo, como a melodia de uma canção, o que me faz sentir as obras de um jeito inusitado e bem pessoal.

Pedi O Vento da Noite pela autora. Sou completamente apaixonada pelo pessimismo de O Morro dos Ventos Uivantes, ainda que essa seja uma das característica da obra que a maioria das pessoas não curte. Sou pessimista por vida, e me identifiquei demais com a autora por ter transcrito para o papel um sentimento tão bem quanto ela fez naquele livro. E devo dizer que ela conseguiu fazer o mesmo com O Vento da Noite, que é uma coletânea de contos publicado por Charlotte, sua irmã, depois da morte da Emily. 

Na época, a publicação saiu com poemas das três irmãs, e levava a assinatura neutra que mulheres usavam para esconder seu sexo e identidade. Ser mulher e artista em pleno século XIX não era tarefa fácil, mas essas três levaram com louvor, o trabalho. 

Das três irmãs, vocês devem concordar comigo que Emily é a mais taciturna. Que apesar das três carregarem uma certa melancolia em suas escritas, e aqui devo ao fato do próprio gênero feminino envolto numa época ultrarromântica literária, Emily possuía uma forma de escrever que me assustava. Era um tanto madura para uma jovem mulher. Doída demais para alguém tão novo e que a sociedade da época julgava ser tão leve, como deveriam ser as mulheres. 

Lendo O Vento da Noite comecei a entender que de fato Emily não incorporou um papel de escritora infeliz para escrever O Morro dos Ventos, mas ela por si carregava uma áurea triste e machucada. Isso está presente a todo o momento nos 33 poemas do livro, e me fisgou de tão forma, que cada vez que terminava de ler um, tinha que fechar e pensar no que provavelmente Emily estava vivendo quando compilou aquilo. É pesado. Insustentavelmente pesado. 

Além de me identificar com a autora em muitos quesitos, hoje me coloco também no papel de curiosa sobre quem foi Emily Bronte, além daquilo que os sites de buscas podem me revelar. O nome dela está na minha lista de pessoas que eu gostaria de conhecer, se não fosse o simples fato de que isso teria que ser feito no além. Essa mulher cunhou Heathcliff, minha gente! E falem vocês o que quiserem, esse personagem é fabuloso. 


Também preciso comentar aqui o quão incrível o tradutor se portou nessa obra. Bato palmas para o trabalho de Lúcio Cardoso em transportar o sentimento dos textos originais, mesmo que perdesse a melodia do poema em sua língua natal. Mas, sinceramente? Isso é muito comum em traduções de literatura desse tipo. Seria difícil manter o sentimento e o ritmo, mas não senti falta disso, porque essa edição traz as duas versões, e o leitor pode bem entender o texto, e ainda o sentir, como um sopro frio de vento da noite, de fato. 

Toda a obra foi organizada de maneira genial. Eu, que não sou fã de poemas, estou encantada com o trabalho de modo geral: com a autora, com o tradutor e com a edição. Acho que todos os livros de poemas deveriam vir nesses moldes, coma ambas versões.  

Li porque sou fascinada pela autora, e não me decepcionei. Ali está a Emily, em seu mais profundo abismo sentimental. Continuo a achá-la sensacional, e recomendo essa obra de olhos fechados. 

Resenha de "Os Invernos da Ilha" (Rodrigo Duarte Garcia)

Título: Os Invernos da Ilha
Autor: Rodrigo Duarte Garcia
Editora: Record (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Os invernos da ilha é um livro de aventura, como não há no Brasil, que reúne um herói atormentado (e logo apaixonado), uma ilha fria e hostil escolhida como exílio (num convento misterioso), a descoberta de um diário de piratas (e, assim, a reconstrução de uma incrível história de corsários) e a busca por um tesouro escondido. Como diz Martim Vasques da Cunha no texto de orelha: Rodrigo já pertence à categoria dos mestres. Os invernos da ilha costura Wallace Stevens, Melville, Conrad, Patrick OBrien, os filmes de Indiana Jones, Os Goonies sobrando até mesmo para o compositor Rachmaninoff , com tamanha habilidade, que o leitor ficará atônito ao perceber que, no meio disto tudo, há a alegria de narrar uma verdadeira história.

Havia muito tempo que não lia um livro com uma desenrolar tão instigante. Ok, confesso que só consegui me sentir fisgada por ele depois de muitas páginas, mas talvez o problema tenha sido comigo, e não com ele. 

Vamos conhecer o protagonista, Florian, que se encontra em um momento da vida que não sabe o que quer, para onde ir ou o que fazer (algo que eu estou vivendo no momento). E por isso resolve visitar um amigo, que é monge em uma ilha chamada Sant’Anna Afuera. Lá ele conhece o professor Phillipe, que está no lugar estudando o diário de um antigo corsário que supostamente deixou um tesouro na ilha. E essa relação dos dois faz com que Florian entre numa busca por esse tesouro, como também uma busca pessoal pela razão da sua vida. 

O livro alterna os capítulos entre Florian e o corsário, Oliver Noort. As partes de Florian no começo são bem lentas, e as do capitão são ótimas. Na verdade eu meio que me encantei pelo cara. Tem aquele espírito aventureiro comum dos marujos daquela época. E é um dos temas que mais curto na literatura, apesar de não ter tantos livros nessa categoria. Do mesmo jeito que gostei de Florian  (depois de algum tempo) pela melancolia de vida, que meio que equilibra a balança da estrutura narrativa. 

Pode parecer que seja um livro meio infantil, sobre a caça ao tesouro e tal. Mas é impossível que o leitor se sinta dessa forma com a narrativa escandalosa de boa de Rodrigo Garcia. Faz tempo que não leio um livro de aventura com uma narrativa tão maravilhosa. Tem algo de clássico em sua escrita, e não estou dizendo isso para afastar o leitor. Muito pelo contrário. Só quero dizer que se você for mais descontraído irá gostar da aventura, e se você for mais clássico, irá curtir bastante a escrita. Se você for como eu, então irá se apaixonar de maneira geral. 

O romance não fica de fora, ficando a cargo da médica da ilha, Cecília, e Florian. Juntos com os professor Phillipe, eles formam o grupo que irá atrás das pistas do capitão Noort. Os três com personalidades diferentes, o que garante embates homéricos e bem construídos. 

O único motivo de ter dado quatro estrelas ao livro foi a demora de me conectar com ele. Mas realmente, depois que você se conecta, vai simbora na leitura. Os capítulos se tornam viciantes ao ponto de roer as unhas pelo próximo em uma dificuldade enorme de fechar para ler depois. Imagina o sufoco que foi para mim, com um bebê pequeno em casa, ler isso aqui. Maior loucura!

Acredito que os leitores irão entender que existe todo um significado existencial por trás das aventuras em busca desse tesouro, tanto do capitão Noort, como do próprio Florian. Não parava de pensar que todos nós estamos continuamente em busca de um tesouro. E como diz o meu amado capitão Jack Sparrow "Tesouro nem sempre são prata e ouro, meu amigo". 

Um livro que irá agradar diferentes tipos de leitores, eu diferentes níveis. Se o começo parecer meio difícil, sugiro que insista porque não vai ser difícil se sentir atraído pela possibilidade de cruzar mares, como um pirata, e de vivenciar uma caçada em busca do "quem sou". 


Resenha de "Uma Vida Pequena" (Hanya Yanagihara)

Título: Uma Vida Pequena
Autor: Hanya Yanagihara
Editora: Record (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Candidato ao Prêmio Pulitzer de Literatura de 2016, Uma vida pequena é um dos livros mais surpreendentes, desafiadores, perturbadores e profundamente emocionantes das últimas décadasQuando quatro amigos de uma pequena faculdade de Massachusetts se mudam para Nova York em busca de uma vida melhor, eles se veem falidos, sem rumo e amparados apenas por sua amizade e por suas ambições. Willem, lindo e generoso, é aspirante a ator; JB, nascido no Brooklyn, é um pintor perspicaz e às vezes cruel que busca de todas as formas ingressar no mundo das artes; Malcolm é um arquiteto frustrado que trabalha numa empresa de renome; e o solitário, brilhante e enigmático Jude funciona como o centro gravitacional do grupo. Com o tempo, o relacionamento deles se aprofunda e se anuvia, matizado pelo vício, pelo sucesso e pelo orgulho. No entanto, seu maior desafio, como cada um passa a perceber, é o próprio Jude, um litigante extremamente talentoso na meia-idade, porém, ao mesmo tempo, um homem cada vez mais atormentado, a mente e o corpo marcados pelas cicatrizes de uma infância misteriosa, e assombrado pelo que teme ser um trauma tão intenso que não só não será capaz de superar mas que vai definir sua vida para sempre.
Com uma prosa magnífica e genial, Hanya Yanagihara criou um hino trágico e transcendental do amor fraterno, uma representação magistral da dor física e psicológica, e uma análise da verdade nua e crua que permeia a tirania da memória e os limites da resistência humana.

Livros como Uma Vida Pequena assustam pelo tamanho. Não sabe o desavisado, que muitas vezes esses livros grandes costumam carregar algum épico sobre alguém ou algum lugar. E que normalmente os livros épicos, são aqueles que carregaremos para a vida inteira. Seja pela dificuldade de leitura, pela demora dela, ou realmente pelo significado. Uma vida pequena entrou na minha lista de livros favoritos da vida pelos três motivos. 

A sinopse do livro já diz tudo o que vocês precisam saber sobre ele. É um livro sobre esses amigos, e o processo de vida deles. Cada um com sua personalidade peculiar, e todos formando uma unidade muito interessante quando juntos. Nada forçado. Nada sem sentido. Aqui a sutileza dessa união é o traço belo da história. Mesmo que o foco seja na vida de Jude, sem os outros a vida de Jude não tem o mesmo peso, a mesma graça deprimente. 

Já vou avisando que provavelmente me apaixonei pelo livro porque sou bastante melancólica, e esse é um livro melancólico, de maneira geral. Ele é duro, e pesado, denso, tenso... Todos os adjetivos que fariam você passar longe dele, caso esteja depressivo, foi justamente o que me uniu a ele. Existe um "que" de magia na existência desses personagens tristes, ao mesmo tempo que tem sempre aquele ar de vidas não realizadas, ou ferradas pelo tempo ou pelas ocasiões. 

Uma Vida Pequena não é o tipo de livro que se explica, se vive. Sim, uma experiência lê-lo. Daquelas que marcam e destroem o leitor um pouco. Quando você pensa que as coisas estão começando a melhorar para os protagonistas, daí a vida vem e derruba. Claro que sempre queremos que as coisas na literatura sejam diferentes da vida real, mas, sinceramente, é o traço dela que mais amo: a possibilidade de dizer irrealidades de uma forma tão verdadeira. Aqueles personagens, mesmo fictícios, poderiam ser um amigo, um irmão, um pai... Alguém que você ama e que provavelmente viveu muitas daquelas tristezas, mas que não tem necessidade de contá-las. 

Gosto de livros sobre amizade. Gosto MUITO! E quando esse círculo é com homens, é que gosto mesmo. Tem algo diferente nas amizades verdadeiras dos rapazes que me intriga. Eles amam sem dizer amar. Eles odeiam ao extremo. Eles fazem coisas loucas para justificar algo pequeno, e respondem com gestos pequenos algo que deveria ser grande. Sou apaixonada pelo universo fraterno masculino, e acho que esse amor aumentou depois que tive um filho. Passei a compreender melhor as atitudes ilógicas dos homens depois que entendi que alguns tem muita dificuldade de entender que sentem, e que não é há nada de errado nisso. 

Perceberam o quão intenso esse livro chegou em mim, não é? Reúne todos os elementos que adoro em livros desse tipo, e vou eternamente indicar para quem tem um gosto parecido com o meu. Lembrem que sou melancólica, depressiva e que isso reflete no meu amor por determinados livros. Também é importante lembrar que talvez escolher um momento mais "feliz" em suas vidas, seja o essencial para ler um livro como esse. 

Leiam. Vivam. Respirem "Uma Vida Pequena". 

Resenha de "Wolf in White Van" (John Darnielle)

Título: Wolf in White Van
Autor: John Darnielle
Editora: Record (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Bem-vindo a Forte Itália, um jogo de estratégia e sobrevivência. A primeira rodada já vai começar.Depois de sofrer uma lesão que desfigurou seu rosto, Sean Phillips passa a criar jogos em que desconhecidos podem viver aventuras maravilhosas e trágicas. Sua primeira criação é Forte Itália, um RPG no qual ele envia uma cena por correio, e o jogador responde com uma ação. Bem simples.
Mas o próprio Forte Itália, o objetivo final do jogo, com suas paredes labirínticas e sua promessa de estabilidade e segurança em meio a um Estados Unidos pós-apocalíptico, é inalcançável. Há apenas duas possibilidades: ou você continua em movimento, ou morre.

Esse é daqueles livros que provam que uma expectativa alta é a pior coisa que a gente pode ter. Em se tratando de pessoas, situações, filmes e, claro, livros. 

Ouvi falar de Wolf in White Van tem alguns meses. A proposta era incrível e a cotação inicial dele estava bacana. Coloquei na lista de livros que deveriam vir para o Brasil, e antes mesmo que eu criasse a postagem falando sobre o assunto, eis que a Record lança por aqui. Pirei legal! 

O livro fala sobre esse garoto, Sean, que sofre um acidente que o deixa desfigurado. Enclausurado em casa, ele cria um jogo de RPG chamado Forte Itália. Só que diferente dos jogos online, o Forte Itália é jogado por correspondência. Isso mesmo: Cartas! O jogador resolve participar, Sean envia a situação por carta, o jogador responde o que faria, e Sean volta dizendo o que aconteceu ao personagem com aquela ação. 

Só que esse jogo gera um bocado de repercussão na vida do garoto. Tanto positiva, e aqui falo sobre a interação com pessoas que não o julgam pela aparência e que estão sobre o seu comando, quanto negativa, e a resposta emocional das pessoas inclusive em situações não reais. 

Ler esse livro me fez pensar um pouco sobre a minha infância, quando ganhei meu primeiro video game. Um Master System III. Jogava o jogo da memória, que era o Alex Kidd. Eu ficava tão frustrada porque não conseguia passar da quarta fase, que chorava feito uma maluca. Chegou ao ponto de loucura que minha mãe proibiu que eu jogasse aquilo até ter maturidade de aceitar que nem sempre dá para ser bom em tudo. 

Wolf in White Van veio no momento ideal para os leitores. Mesmo que Forte Itália seja um jogo por correspondência, e portanto muito mais lento do que  os jogos de computador ou máquinas,  ele ainda era capaz de influenciar os jogadores ao nível da loucura, por vezes. O controle de uma situação é uma coisa que vicia, e que os jogos podem proporcionar. Do mesmo jeito que podem tirar. 

O livro só levou as quatro estrelas por conta dessa concepção geral. Do que o jogo representava para as pessoas que o jogavam, e para o próprio criador. Do que existe nas entrelinhas do que acontecia nesses núcleos, e de como podemos adaptar para nossos jovens viciados de hoje em dia. 

A escrita do autor levou estrelas também. Quando ele esta narrando coisas da cabeça de Sean o negócio fica bonito. Ele sabe usar as palavras, só acho que se perdeu no "quando" usá-las nesse livro em específico. 

Faz um jogo de mudança espaço-temporal que me deixou perdida em muitos momentos. Foi quando comecei a achar o livro muito cansativo e chato. Só me senti presa a ele por ser pequeno e pela ideia, ou teria abandonado. Entendi o que o autor pretendia, mas senti que ele não soube deixar transparente o que queria, e não sei se isso foi proposital. Se foi, não me atingiu da maneira que gostaria. 

Tirando a lição que captei da loucura dos garotos que jogam, não sei o que deveria tirar desse livro. Não entendi de verdade o que levou Sean a sofrer esse acidente e ser desfigurado, e isso me deixou chateada. Entendi que esse acidente gerou certas necessidades no menino, e que ser desfigurado ajudou na reflexão do livro de maneira geral, mas me senti incomodada com a falta de alguns fatos, e explicação de outros. 

Enfim, não rolou muito comigo, mas aposto que tem muita gente que achou incrível. É um desses livros que ou você gosta muito, ou vai se decepcionar um bocado. 

Resenha de "Sob a Pirâmide" (Christian Jacq)

Título: O Juiz do Egito
Autor: Christian Jacq
Editora: Bertrand (Cedido em parceria)
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Sinopse: Primeiro volume da nova trilogia do autor best-seller da série Ramsés. Ao ser convocado para investigar as mortes misteriosas de cinco vigilantes sob o grande túmulo de Quéops a esfinge de Gizé , um jovem, inteligente e incorruptível juiz novato vê-se jogado em um viveiro de ganância e corrupção. Sua recusa em assinar um documento que não parecia fazer sentido o leva a descobrir uma trama monstruosa para assassinar o faraó Ramsés, o Grande. Com a ajuda de seu irmão de sangue e de uma bela jovem médica por quem é apaixonado, ele luta para expor a verdade, resolver uma série de assassinatos brutais e frustrar uma tentativa descarada de golpe de Estado. Mas será ele capaz de sobreviver no processo?

 O Egito antigo é uma das minhas paixões enquanto cultura da antiguidade desde que comecei, junto com um amigo, a pensar na escrita de Samsara. De todas as sociedades que iríamos trabalhar na trama, o Egito era a minha paixão. Tem algo de mágico na ideia toda, e essa atmosfera mística não fica muito longe de O Juiz do Egito, ainda que o real e concreto seja o berço da história. 

O livro vai seguir Paser, um juiz incorruptível - até então não acreditei que isso existia, nem na literatura - que por desconfiar que havia algo de errado em uns papéis de transferência que tinha que assinar, resolve investigar a fundo, e descobre um plano para matar o faraó Ramsés, O Grande. 

Paser junta uma equipe e vai a fundo nessa história, entrando num emaranhado político muito maior do que ele esperava encontrar, colocando sua vida em risco para fazer a coisa certa e proteger as leis que tanto ele preza. 

Nunca havia lido nada de Jacq, apesar de ser um famoso escritor sobre o Egito, o que muito me impressiona, já que adoro livros sobre o país. Acabei de descobrir o autor, e já estou completamente encantada! 

O leitor enxerga legal o visual do livro, graças a forma magistral com qual o autor retrata detalhes pequenos, como comida ou a forma de se comportar de um determinado personagem, dentro do social dele. Eu senti cada personagem individualmente, e consegui me identificar com todos eles, principalmente com o juiz, Paser. 

O protagonista é o melhor do livro. De personalidade forte e decidida, Paser entrou fácil na minha lista de personagens masculinos que adoro. E minha curiosidade com os outros livros dessa série - sim, é uma série - é principalmente por ele. 

Me envolvi pra caramba com a trama! Adoro essas histórias sobre investigação. De alguma forma me lembrou bastante os livros do Brown, um pouco do Aventura em Bagdá, da Agatha Christie, e um tantinho também do O Alquimista, do Coelho. Não me perguntem exatamente o motivo, mas acho que o clima do deserto nesses três livros é místico, exatamente como em Sob a Pirâmide. 

Quando digo que existe algo de místico nesse livro, falo em relação ao país em si, e em toda a atmosfera religiosa que circunda as pessoas. Porque o livro em si é bastante pé no chão. Os problemas políticos corruptos quase me lembram os do Brasil, e olhe que temos problemas de sobra por aqui. 

Tirei uma estrela do livro simplesmente por conta da oscilação do enredo. Tinham horas que eu estava comendo as unhas de ansiedade, e outras horas o livro se arrastava. É até meio que normal essa mudança de nível em livros, mas quando são livros de investigação, a tendência é que eles sempre subam, para o clímax ser surpreendente. 

Se vocês, como eu, curtem esse clima desértico e investigativo, entrem de cabeça aqui! Lembrando que apesar de se passar no Egito, com toda a cultura essencialmente exótica, temos uma história de investigação. Não um livro mitológico, heim! Ainda assim, ele vai fazer você se encantar com a cultura do lugar, e querer mais e mais e mais...

Em resumo, preciso de outros livros do autor para ONTEM! 

Resenha de "Primeiros Contos de Truman Capote" (Truman Capote)

Título: Primeiros Contos
Autor: Truman Capote
Editora: José Olympio (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Reunião de contos inéditos, descobertos em 2013, na Biblioteca Pública de Nova York. Textos curtos e fortes, que já demonstram o talento para narrar histórias e a capacidade de empatia do autor, que se tornaria um dos mais importantes escritores do século XX com os emblemáticos Bonequinha de luxo e A sangue frio. Se os contos encontrados neste livro pudessem ser lidos como cinema, nos remeteriam aos filmes de Lucrecia Martel: as cenas são cotidianas e quase banais, mas ao entrar nas histórias, a sensação é de uma constante tensão. A atenção ao detalhe pareceria sem importância se não fosse um dos motores para sentirmos uma catástrofe iminente, que pode ser desencadeada a qualquer momento ou até não acontecer. De todo modo, ficamos muito próximos dos personagens e nos identificamos com eles, como se o autor tocasse na vida sem tentar explicá-la.

Citei na minha resenha anterior e volto a citar agora: Não sou uma completa apaixonada por contos. Tenho problemas sérios de apego a personagens que se vão em poucas páginas. Por isso não leio muito, e isso é uma falha minha. Falha que tentei amenizar ao solicitar esse livro de contos de um dos melhores escritores que já li, Truman Capote. 

Apaixonei-me por Capote quando assisti ao filme sobre ele e o caso que baseou o escrito de seu livro A Sangue Frio. Tinha algo de encantador na forma realista com a qual o autor via e retratava os acontecidos. Depois disso acabei lendo alguns outros textos e o famoso Bonequinha de Luxo, e amei. 

Mesmo com o pé atrás com esse livro por ser de contos, era de Capote, e esse nome tem um grande peso para mim. Apesar disso, e principalmente por isso, levei uma queda da alta expectativa que havia colocado nele. Não que o livro seja ruim, longe disso, mas não é o Capote o qual eu estava acostumada, e precisei de muito tempo para aceitar que esses contos eram dele, ainda que algumas características estejam bem visíveis durante a leitura. 

Os contos são curtos, e muitas vezes deixa o leitor numa agonia tremenda por falta de continuidade. Não foi apenas uma vez que pensei que determinado conto daria um livro do caramba. Mas, como disse, isso é uma problemática que EU tenho com contos, não especificamente com essa reunião deles. 

A visão realista e visualmente forte de Capote está ali, em cada conto - pequeno ou longo - do livro. As características emocionais de seus personagens, e aquela sensação de lar que suas paisagens e situações sugerem. É uma delícia entrar no mundo do autor, não tenham dúvidas disso. E acredito que, para um novo leitor de Capote, seja um bom modo de começar. Contudo ainda acho que um leitor mais assíduo de seus trabalhos vai ver um Capote mais cru, como autor iniciante. Vale lembrar que os contos foram escritos no começo de sua carreira, e que é meio lógico a imaturidade de escrita. 

Deixo a ideia. Tem muitos contos delicinha, e outros nem tanto. Normal, nem Jesus conseguiu agradar todo mundo o tempo todo. Acho que a maioria dos leitores de contos por aqui vão curtir. É um puta escritor maravilhoso, e que sabe retratar com eficiência o cotidiano de maneira forte e simbólica. 

Resenha de "Amantes" (Elizabeth Abbott)

Título: Amantes
Autor: Elizabeth Abbott
Editora: Record (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Em uma picante mistura de história, biografia e panorama cultural, Amantes destrincha as motivações e virtudes das mulheres, fictícias ou reais, que foram dispostas à margem da sociedade ao se verem na posição de amantes. Com estilo vívido, a pesquisadora Elizabeth Abott retrata a intimidade dessas mulheres através dos séculos: das concubinas chinesas às amantes reais europeias e consortes clandestinas de padres (nada) celibatários. Também desconstrói a figura de garotas de mafiosos, a ideia da amante como troféu e o poder das amantes modernas.


Um belo susto! Isso foi o que senti quando Amantes chegou aqui em casa. Primeiro porque tecnicamente ele andava esgotado na editora e já tinha recebido um email avisando que não receberia. Em segundo lugar por conta do tamanho. Realmente não sabia desse monte de páginas, e fiquei super apreensiva. 

Comecei a ler super despretensiosamente. Não tinha intenção de terminar em menos de um mês. Olha minha supresa quando acabei em dez dias! De alguma forma, com livros não ficcionais, eu leio até mais rápido quando o assunto me interessa. E mesmo que esse seja um tema polêmico e originário de muitas caretas entre a maioria das mulheres (Confesso que eu mesma já passei pela situação de estar com alguém que tinha uma amante), me envolvi absurdamente com os fatos documentados pela autora. Nunca fui de julgar as pessoas por nada que fazem, e ao terminar de ler Amantes entendi que, culturalmente, essa classe de mulheres teve início de forma muito prática e pouco ofensiva, como encaramos hoje em dia. 

Como disse, Amantes é um livro não ficcional escrito de forma altamente explicativa - e pouco imparcial, já que além de lançar os fatos coletados sobre essas mulheres, a autora também coloca um pouco de sua própria opinião sobre elas, de forma discreta e quase sutil. 

O livro é dividido em partes, e cada uma delas se concentra em uma época da história da humanidade, ou as polêmicas histórias de amantes de religiosos e de políticos. Sem esquecer o apanhado que a autora faz sobre amantes como musas de artistas e em contextos literários. 

Acredito que Abbott tenha feito um trabalho muito fiel sobre o tema, Trata-se de um documento bem estudado sobre uma classe social que até então era apenas citada em biografias e livros de história. Vale lembrar que se os filhos das amantes ao longo da história fossem aceitos como herdeiros, talvez toda a linhagem da monarquia da idade média fosse diferente. Talvez isso fosse importante e talvez não. Nunca saberemos. 

Elizabeth Abbott coloca cada amante citada em seu livro como uma peça fundamental na construção de grandes homens da história. Seja de uma forma mais forte ou menos relevante. Mas se foram conhecidas ao longo do tempo, então tiveram seu grau de importância. 

Também vale lembrar que em momentos diferentes da história, e em lugares diferentes, a ideia da amante poderia ser bem visto ou mal visto, e isso independente de quem via: se homens ou mulheres. As vezes é apenas uma questão cultural, e o que parece bizarro para a gente no oriente, como casamento entre crianças, para os orientais o nosso comportamento também é estranho. 

O livro é um banho de história pela perspectiva daquelas que se escondiam através das tantas esposas e rainhas, no papel secundário na vida de vários homens. E na verdade, se olharmos com calma e imparcialidade, não eram tão secundários assim. 



Lançamentos do Catálogo Literário (Março)

Para aqueles que gostam dos - incríveis - livros mais sérios do Catálogo Literário do Grupo Editorial Record, segue os lançamentos mais recentes deles.


Título: A Definição da Arte
Autor: Umberto Eco
Editora: Record
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Sinopse: O objeto de estudo deste livro não é simplesmente a arte – a ser definida –, mas o problema filosófico da possibilidade de uma definição da arte, da maneira como se coloca para as estéticas contemporâneas. Umberto Eco aborda a questão de três pontos de vista: a partir de alguns ensaios históricos, que retomam as definições da antiga estética indiana, da estética medieval e de algumas correntes dos últimos dois séculos; por meio de alguns ensaios teóricos, que examinam também as posições dos estudiosos contemporâneos; e mediante a inspeção do território das poéticas de vanguarda, para ver como e até que ponto as instâncias de tais poéticas se inserem nos quadros especulativos organizados pela estética. Estes ensaios mostram o traçado problemático que conduziu o autor à noção de “obra aberta” – já delineada e comentada nestes escritos – e à pesquisa sobre os problemas da comunicação que ocupou em seguida o centro de seus interesses.


Título: A Máquina de Caminhar
Autor: Cristovão Tezza
Editora: Record
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Sinopse: Por mais de seis anos, Cristovão Tezza assinou uma coluna de crônicas no jornal paranaense Gazeta do Povo, revelando a seus leitores uma nova faceta, a de observador fino e bem-humorado do cotidiano. Segundo livro saído da contribuição desse cronista tardio às páginas do jornal, A máquina de caminhar reúne 64 crônicas, selecionadas por Christian Schwartz e ilustradas por Benett, que comprovam a maestria do autor em extrair do circunstancial e do provisório pequenas pérolas literárias. Completa esta coletânea um saboroso ensaio sobre a crônica, com a marca do humor, em que Tezza faz uma brilhante análise de dois exemplos da pena de nosso maior prosador, Machado de Assis. A partir deles, procura definir as marcas deste gênero brasileiríssimo ao qual se dedicou de maneira quase acidental e de que este livro é uma bela amostra.



Título: O Evangelho segundo a Filosofia
Autor: Aurélio Schommer
Editora: Record
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Sinopse: Guia moral? Revelação? Receita de bem viver? Para a filosofia, o Evangelho pode ser tudo isso. Mas, principalmente, é a mensagem do homem mais influente de todos os tempos, o Verbo divino, o sofista crucificado, como definiu o primeiro filósofo grego a mencionar o Cristo. Como dizia Voltaire, se aceitamos o Evangelho como revelação, toda a filosofia se torna inútil. É só seguir Jesus. Muitos, como Pascal, o fizeram, mas seguiram filosofando. Em "O evangelho segundo a filosofia", Aurélio Schommer analisa como a história e a filosofia moldaram, ao longo dos séculos, a percepção do livro mais lido e influente de todos os tempos.




Título: Economia no mundo real
Autor: Greg Ip
Editora:
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Sinopse: Greg Ip explica como funciona o sistema econômico americano – e também o mundial –, fazendo uso de uma linguagem acessível para aqueles que não têm conhecimentos profundos de economia. O autor reconhece a influência do mundo globalizado na economia de cada país individualmente, traçando um panorama geral para que o leitor compreenda como as crises ou a inflação que ocorrem em seu país podem gerar consequências em outros lugares. Também ganham destaque a crise financeira e a recessão sofridas pelos Estados Unidos (2007-2009) e as medidas importantes para controlá-las, além dos efeitos dessa crise na Europa, no Japão e em outros países. O leitor brasileiro tem muito a aproveitar sobre os ensinamentos de gestão de crises e as contribuições do autor.

Título: Um passado Sombrio
Autor: Peter Straub
Editora: Bertrand
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Sinopse: O inigualável mestre do horror e do suspense retorna com um livro poderoso e aterrorizante que redefine o gênero de maneira única e inesperadaEm 1966, um carismático e astuto guru, de passagem por um campus universitário do Meio-Oeste norte-americano, reúne um restrito grupo de discípulos, entre estudantes de colegial e universitário de fraternidade, num ritual secreto que resulta em um corpo horrivelmente dilacerado, um garoto desaparecido e as almas abaladas de todos os envolvidos.
Quarenta anos depois, um escritor de relativo sucesso e amigo de infância da maioria dos garotos que participaram do ritual – além de marido de uma das garotas envolvidas –, sai em busca de informações sobre essa noite aterrorizante, com um projeto de livro em mente. Porém, para consegui-las, precisará não apenas reencontrar antigos colegas com quem perdeu o contato há décadas, mas também incitá-los a reexaminarem os eventos inomináveis que os têm assombrado desde então.
Ao revelar as histórias individuais dos membros do grupo, Um Passado Sombrio eletrifica o leitor de maneira arrepiante e imprevisível – e prova que Peter Straub é, indiscutivelmente, um mestre do horror moderno.

Título: 62 modelos para amar
Autor: Julio Cortazar
Editora:
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Sinopse: Em 62 Modelo para armar, os cronópios têm acesso ao livro imaginado pelo personagem Morelli no capítulo “62” de O jogo da amarelinha. Publicado em 1968, cinco anos depois do seu livro mais famoso, 62 traz experimentações radicais com a linguagem, que deixaram desconcertada a crítica da época. Seguindo a ideia de seu personagem, o autor se lança a um jogo de escrita em que tudo é “como uma inquietação, uma falta de sossego, um desarranjo contínuo”.
O romance O jogo da amarelinha revolucionou a literatura mundial e se tornou referência para a narrativa contemporânea. 






TTT
Título: Toda poesia de Augusto dos Anjos
Autor: Augusto dos Anjos
Editora:
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Sinopse: A banalidade, o pessimismo, a morte, o escatológico, a ciência e o cotidiano são as principais matérias-primas para Augusto dos Anjos, autor paraibano que desafiou, de forma corajosa e independente da crítica, os formatos, as convenções e as temáticas tradicionalmente associadas à poesia de então. Contemporânea e ao mesmo tempo retrato de uma época, a obra de Augusto mantém-se questionadora e, portanto, necessária. A presente coletânea, cuja organização e prefácio são de Ferreira Gullar, é de enorme importância histórica e literária. Um verdadeiro presente.Modelo para armar
, os cronópios têm acesso ao livro imaginado
pelo personagem Morelli no capítulo
62
de
O jogo da amarelinha
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Publicado em 1968, cinco anos depois do seu livro mais fa
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O
romance
O jogo da amarelinha
revolucionou a literatura mundial e se
tornou referência para a narrativa contemporânea.

Resenha de "O Amante Japonês" (Isabel Allende)

Título: O Amante Japonês
Autor: Isabel Allende
Editora: Bertrand Brasil (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Uma paixão secreta que perdurou por quase setenta anos. Em 1939, ano da ocupação da Polônia pelos nazistas, Alma Mendel, de oito anos, é enviada pelos pais para viver em segurança com os tios em São Francisco. Lá, ela conhece Ichimei Fukuda, filho do jardineiro japonês da família. Despercebido por todos ao redor, um caso de amor começa a florescer. Depois do ataque a Pearl Harbor, no entanto, os dois são cruelmente separados. Décadas depois, presentes e cartas misteriosos são descobertos trazendo à tona uma paixão secreta que perdurou por quase setenta anos. Varrendo através do tempo e abrangendo diferentes gerações e continentes, 'O amante japonês' explora questões de identidade, abandono, redenção, e o impacto incognoscível do destino em nossas vidas.

Não é fácil um autor conseguir fazer com que pouco mais de 200 páginas fale sobre uma geração inteira de uma família. Normalmente livros desse tipo tem pra lá de 500, para que o próprio autor se sinta feliz por ter narrado bem cada um dos personagens. Não foi o caso da Allende nesse livro. Apesar de ser uma autora que destrincha bem sua narrativa familiar em livros grandes também - veja o caso de A Casa dos Espíritos - com O Amante Japonês ela parece ter conseguido a proeza de nos fazer sentir absurdamente e nos apegar a personagens complexos usando pouquíssimas páginas. 

É meio complicado explicar a linha da trama dessa história, mas vou tentar. 
Temos Irina, que consegue emprego em uma casa de idosos e logo se torna uma das melhores funcionárias do lugar, sendo notada pela poderosa Alma Mendel, uma senhora fechada e rica por demais da conta. Irina logo se torna a secretária particular de Alma, conhecendo seu neto, Seth, que está escrevendo uma biografia da avó, e se aproximando do rapaz para tentar entender melhor sobre o passado de Alma, e alguns segredos que ela parece esconder bem, como é o caso de Ichimei, um ex amor de sua vida que pouca gente sabe que existiu. 

Pode-se dizer que a história é sobre essas duas mulheres. Com a narrativa alternando entre o passado e presente, principalmente de Alma, que viveu os horrores da guerra mesmo que à distância, e que foi moldada pelos tios com uma maneira bastante comum para as moças da época. Essa criação acabou fazendo com que certas escolhas de sua vida tivessem sido um pouco racionais demais, e que depois da velhice a fizesse pensar no "se tivesse feito de outra forma e colocado as diferenças de lado, onde será que estaria?". 

O presente de ambas nos mostra os laços afetivos que elas fazem uma com a outra, como também com as pessoas ao redor. O fato de Alma morar em uma casa de idosos nos coloca para pensar em muitos momentos sobre as nuances da vida, e nos coloca para ver a morte de uma maneira até bastante positiva. Os diálogos entre elas, e delas com outros personagens, são carregados de significado, apesar de leves em muitos momentos. Uma prova do poder da escrita de Allende. 

A autora também nos brinda com uma carga de conhecimento histórico fascinante. Eu por exemplo não sabia a que tipo de descriminações os japonês tinham sofrido nos EUA depois do ataque a Pearl Harbor. Não chegou a ser nada como Hitler e os judeus, mas chegou próximo a isso na questão de liberdade. Foram as partes do livro que mais me envolvi, e acredito que por ser justamente um fato histórico que desconhecia, porque normalmente os livros são narrados pelos vencedores. 

As personagens principais tem força na trama, mas acho que elas na verdade são mais os fios condutores que nos leva a entender o poder que a trama em si tem ali dentro. Como se a história de ambas fosse um personagem a parte. O mais poderoso deles. 

As problemáticas conflituosas da vida amorosa de Alma irritam ao mesmo tempo que são elegantes e bem escritas. Não me incomodou o fato dela ter tido dois amores em toda a sua vida, e ter a plena consciência de amá-los ao mesmo tempo, porque ambos supriam coisas diferentes para ela. Não via como traição, apesar de ser, mas como um certo tipo de alívio para a rotina e uma solidão crescente e interna. 

Eu demorei um bocado para terminar esse livro. Não por ser difícil ou ruim, longe disso, mas é o tipo de livro que precisa ser tragado aos poucos. Ele tem uma substância poderosa, e não dá simplesmente para passar as páginas sem pensar nessas pequenas partículas de poder que a autora vai jogando devagar no meio da história. 

Uma bela leitura, certamente. Uma aula de história em vários aspectos. Indico de verdade para quem gosta de livros mais lentos e com uma pegada histórica forte.