Caixa de correio #5

Olá galera!!!
Eu sei! Essa postagem era para ter entrado ontem, mas tive uns problemas com a edição do vídeo e acabei tento que gravar novamente. E quando finalmente consegui por no Youtube, estava cansada demais pra vir colocar aqui.
Mas aqui estamos.
O vídeo da semana e as coisinhas que chegaram.
p.s. Relevem as roupas no varal, só vi depois que tinha gravado e não aguentava mais gravar de novo. rsrsrs


Livros citados:
- Mar de Monstros (Rick Riordan)
- A maldição do Titã (Rick Riordan)
- A menina que não sabia ler (John Harding)
- Formaturas Infernais (Vários autores)
- Cidade de Ossos (Cassandra Clare)
- Belo Desastre (Jamie Macguire)

Resenhas da semana:
-Destino
-Cinquenta Tons de Cinza

Trecho de terça:
Romeu e Julieta

Coluna vida:
Engraçada

Especial Cinema:
Nicholas Sparks


P.S.2- A promoção foi cancelada por falta de participantes. Em breve lançarei outra promoção. 

Trecho de terça

Romeu e Julieta (William Shakespeare)


"Meu inimigo é apenas o teu nome.Continuarias sendo o que és, se acaso Montecchio tu
não fosses. Que é Montecchio? Não será mão, nem pé, nem braço ou rosto, nem parte alguma que
pertença ao corpo. Sê outro nome. Que há num simples nome? 
O que chamamos rosa, sob uma outra
designação teria igual perfume. Assim Romeu, se não tivesse o nome de Romeu, conservara a tão preciosa perfeição que dele é sem esse título. Romeu, risca teu nome, e, em troca dele, que não é parte alguma de ti mesmo, fica comigo inteira." 
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E quem não é totalmente apaixonado por essa história? 


Engraçada


As roupas estão enfileiradinhas no armário fedorento. Eu trouxe minhas melhores roupas mas olho pra elas e vejo camisetas e calças e vestidos camuflados. Tenho 27 anos mas estou com dezoito, me alistando ao exército. Estou em um apartamento na rua Dias Ferreira, no Leblon. É coisa chique morar aqui, me avisam. Por incrível que pareça, foi o aluguel mais barato que arrumei, considerando que é de uma tia de uma amiga e que está tudo velho, rangendo e com um cheiro horroroso que não consigo decifrar. Algo entre o mofado o azedo e o morto.
A privada é marrom. Por que uma privada seria marrom? Quanto tempo eu vou ter que cagar nessa privada marrom? Se eu achar que estou morrendo, qual o melhor hospital do Rio de Janeiro? Pergunto isso para um amigo carioca antes de sair de São Paulo. Ele não entende direito a pergunta, mas porque está ocupado diz logo que tem um chamado “Copa d’or”. Tem laboratório Fleury no Rio? Meu amigo desliga.
Tenho saudades da minha casa. Eu morava em um apartamento pequeno e alugado em São Paulo. A oito quadras da minha mãe. Eu dividia a empregada com minha mãe e, toda terça e quinta, a empregada me trazia algumas comidinhas tipo quibe de forno ou uma quiche de alho poró. Eu visitava minha mãe toda segunda e domingo, dias em que eu almoçava comidinhas como salada de quinua com frango desfiado ou sopa com bastante caldo de carne- para os dias em que fico enjoada mas não posso ficar fraca. Eu me sentia uma super fodona vivendo a vida loucamente no meu pequeno apartamento, comprando minhas próprias camisinhas e meus próprios tomates, mas eu vivia numa porra de uma bolha.
Minha mãe, que veio comigo para o Rio me ajudar com as malas e com a arrumação, me diz “que delícia ter a sua idade e poder morar aqui e poder viver todas essas coisas”. Eu só consigo pensar que, pelos próximos infinitos meses, acordarei cinco da manhã pra fazer um milhão de flexões e me preparar para uma guerra sanguinolenta. Tchau família, vou servir ao país. Lavo a mão.
Amanhã começo uma oficina de roteiro na Globo. Na sequencia da oficina, eles vão me testar em um seriado de humor. A oficina mais o seriado devem dar uns dez meses morando no apartamento com a privada marrom. Talvez nove meses. Talvez um ano. Talvez na sequência eles me testem em outro seriado. Ou em um programa de auditório, o que eu não sei se gostaria. Ou em uma novela, o que eu acho que gostaria bastante. Talvez dure mais de dois anos. Talvez eu morra nesse apartamento, mais precisamente sentada nessa privada marrom. Mas eu também posso ir embora amanhã, se eu quiser. Ou agora.
Que desculpas eu poderia dar para ir embora agora? “Alô, oi, então, minha mãe está morrendo, não posso viver longe dela, ok?. Penso isso quando vejo minha mãe cantarolar e folhear uma revista. Ela me olha e sorri “vai, filha, toma banho”. Quem está morrendo sou eu. Está sol, eu vou escrever histórias pra televisão e emocionar milhões de brasileiros, eu vou morar a poucas quadras da praia. Eu deveria estar feliz. Eu estou nua, toda cortada, sangrando, e o leão me espera lá embaixo pra devorar meu coração. Ele vai chacoalhar suas madeixas douradas e esguichar meu sangue pelos ares. Lavo minhas mãos.
Eu trabalhei os últimos sete anos em agências de publicidade. A cada seis meses eu pedia demissão e ia pra outra e pra outra e pra outra. Assim que eu pegava todos os garotos e homens e tios e estagiários e donos e sócios e criativos e atendimentos bonitos com os quais eu poderia ter algum envolvimento, automaticamente o lugar ficava insuportável pra mim. Foi quando eu percebi que vender sabão não era exatamente divertido. Passar o rodo nos gatinhos fodidos de cabeça sim, era bem divertido. Tá, em algum momento eu achei divertido vender sabão. Eu virei noites e noites pra encontrar a forma mais profunda e engraçada e inteligente de vender sabão. Mas ninguém com um pouco de decência espiritual vê graça nisso muito tempo.
Estou tomando banho agora, pra me arrumar, pra ir para o primeiro dia da oficina de roteiro de humor da Globo. Serei testada e isso sempre me enlouquece. Eu nasci achando que ta óbvio o que eu sou então qualquer teste sempre me soa como algo estúpido. Não tá estampado na minha cara que sou misteriosa, profunda, louca, genial, gente finíssima e hilária? Não. Ok.
Preciso ser engraçadíssima nessa oficina. Preciso ser dez vezes mais engraçada do que eu fui em todos os 683 mil recreios de toda a minha infância e adolescência. Choro tomando banho. Começa com um choro pequeno, só algumas lágrimas tímidas. As lágrimas vão ficando gordas e gordas e gordas. Choro agora desesperadamente e dou pequenos murros no meu peito. Saio do banho antes de terminar o banho, porque estou passando mal de cólica intestinal. Deve ser colite nervosa. Não sei o que quer dizer isso, mas minha avó tinha então eu devo ter. Deixo a privada cheia de espuma de banho e ensopo o chão do banheiro. Não gosto desse banheiro de rodoviária de Cuiabá. Vou ter que morar nele por quanto tempo? Dez meses? Um ano? Que desculpa eu posso dar para ir embora hoje? Quero voltar pra minha casa. Quero voltar pra São Paulo. Minha cidade tem nome de santo. Ela é boazinha. Vou comprar enfeites e revistas e coisas com cheiro bom e almofadas coloridas. Toda pessoa sofrendo compra almofadas coloridas. Volto pro banho. Estou atrasada.
Seu sonho era escrever! Então agora toma esse banho, come alguma coisa, enfia uma roupa e vai. Com nove anos eu escrevi em meu diário “não vejo a hora de sentir dor”. Me assustei quando li isso, já adulta, mas lembrei exatamente o que eu estava sentindo naquele dia que escrevi isso. Eu sentia uma angustia profunda mas eu tinha uma vida ótima de criança cheia de brinquedos e amores e comidas. Então por que aquela angústia desgraçada? Eu queria logo ter um problema bem grande, algum motivo pra sofrer. Pra justificar meu sofrimento eu queria ter motivo pra sofrer. Meu avô, quando dava umas seis da tarde, ligava pra minha mãe no trabalho e avisava “a menina vai começar com as faltas de ar de novo, já falei que pode ser asma”. Dai minha avó se metia, e também ligava pra minha mãe no trabalho “é colite nervosa, são gases”. Dai o cardiologista achava que era o meu prolapso da válvula mitral, mas que isso não era nada. O gastro achava que era bactéria. E o alergologista achava que era alergia à produto de limpeza, por conta de minha rinite, mas que também não era nada. Minha mãe mandava meu avô tirar minha febre. Meu pai perguntava se eu tava vomitando. Eu nem tinha febre e nem vomitava. Mas por dentro eu tinha febre e vomitava e tinha asma e tinha bactérias e estava alérgica e estava tendo uma parada cardíaca. E lá fora estava sol e dava para eu ser feliz.
Coloco um vestido azul cheio de babados. Não uso muito azul e tenho horror a babados. Comprei essa merda de vestido porque o Leblon é cheio de boutiques de novas estilistas cariocas e esse vestido estava na vitrine de umas dessas boutiques de novas estilistas cariocas. Eu quis pertencer. Vai que por osmose me torno alguma coisa menos discrepante nessa cidade. Odeio esse vestido. Ele é a privada marrom em forma de vestido de menina fofa da Zona Sul. Coloco meu Iphone na caixa de som porque preciso ouvir Radiohead. Ele é caolho e diz frases tão dolorosamente bonitas e me acalma. Lavo a mão. Preciso comer alguma coisa porque estou com hipoglicemia.
Enquanto eu tomava banho, minha mãe fez uma massa rapidinha na cozinha. A pia da minha nova cozinha caindo aos pedaços está cheia de formigas e minha mãe me fala o nome de um negócio bom pra isso. Não guardo o nome porque isso é problema da empregada. Que empregada? A Maria ficou em São Paulo. E você, morando em outra cidade, fazendo um curso, sem trabalhar, não tem mais dinheiro nenhum. Você é a sua nova empregada agora. Então qual é o nome do remédio que mata formigas, mãe? O nome é detergente, minha mãe fala querendo chorar. Minha mãe acaba de perceber que eu tenho quatro anos de idade e que talvez não seja muito seguro me deixar abraçar o mundo. Preciso comer porque estou passando mal. Mas macarrão vira açúcar muito rápido e isso não é bom. Quando se é hipoglicêmica e se está precisando de açúcar não se pode ingerir açúcar nem muito rápido e nem em muita quantidade. Ao mesmo tempo, se eu comer pouco ou devagar, talvez eu passe mal daqui uma hora. Lá fora todas as pessoas do universo não complicam suas vidas e caminham decididas e fortes ao sol. Eu lavo as mãos.
Termino de comer e estou passando muito mal. Estou passando muito mal. Estou passando muito mal. Meus pensamentos entram no looping da crise de ansiedade e repetem em mantra as frases que me levam da realidade. Minha nuca travou daquele jeito que olhar pro lado é um sacrifício. Quando não consigo olhar pro lado sempre penso o quão egocêntrico é sofrer. Penso, penso, penso e penso. E se eu não for engraçada? E se eu chegar lá e vomitar em cima da mesa? E se eu tiver uma caganeira na privada do Projac e só no dia seguinte eles me encontrarem morta caída no chão do banheiro? Morta sem as calças e cagada e vomitada. Não seria engraçado. E morta eu definitivamente não conseguiria a vaga de roteirista ao final da oficina.
Minha mãe se despede e chama um taxi. Daqui a dez minutos, quando o taxi chegar e levar minha mãe pra São Paulo, eu serei oficialmente adulta e sozinha e fodida e sangrando e chamando os leões. Eu não tenho nenhum amigo no Rio. Eu não tenho nenhum parente no Rio. Eu não tenho nada no Rio, além de mim. E mim, coitada, é bem maluca. Minha mãe diz uma daquelas frases que não querem dizer nada, típicas de quem está nervosa, do tipo “vai lá e mostra pra eles” ou “vai lá e arrasa!” ou “um dia vai ter valido a pena”. Eu abraço minha mãe. Ela vai embora. Eu tiro o vestido azul. Eu lavo as mãos. Eu dou tchau da janela pra minha mãe.
Em menos de um mês eu mudei de profissão, emprego e cidade. Eu sinto o maior medo e a maior tristeza que já senti em toda a minha vida. Mas agora eu vou lá, mostrar que sou super engraçada. 



Hoje dando voz ao texto magnífico de Tati Bernardi



Resenha de "Destino" (Ally Condie)





Título: Destino (Matched)
Autor: Ally Condie
Editora: Suma das letras
Número de páginas: 238
Quantidade de Quotes: 21




Sinopse:
Cassia tem absoluta confiança nas escolhas da Sociedade. Ter o destino definido pelo sistema é um preço pequeno a se pagar por uma vida tranquila e saudável, um emprego seguro e a certeza da escolha do companheiro perfeito para se formar uma família. Ela acaba de completar 17 anos e seu grande dia chegou: o Banquete do Par, o jantar oficial no qual será anunciado o nome de seu companheiro. Quando surge numa tela o rosto de seu amigo mais querido, Xander - bonito, inteligente, atencioso, íntimo dela há tantos anos -, tudo parece bom demais para ser verdade.Quando a tela se apaga, volta a se acender por um instante, revelando um outro rosto, e se apaga de novo, o mundo de certezas absolutas que ela conhecia parece se desfazer debaixo de seus pés. Agora, Cassia vê a Sociedade com novos olhos e é tomada por um inédito desejo de escolher. Escolher entre Xander e o sensível Ky, entre a segurança e o risco, entre a perfeição e a paixão. Entre a ordem estabelecida e a promessa de um novo mundo. (Skoob)
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Ok, não posso dizer que foi um livro ruim, nem mesmo porque eu me arrastei por quase duas semanas para terminar de lê-lo. Mas é fato que ele é lento. Lento a beça! 
Conhecemos Cassia, nossa protagonista, que vive em uma sociedade aparentemente perfeita. E essa perfeição toda me lembrou estar assistindo ao filme "A ILHA". Para quem assistiu lembre que eles viviam em um tipo perfeito de vida, e que tudo o que acontecia a eles era projetado e devidamente organizado por alguém. Exatamente como em DESTINO. 
O que mais gostei desse livro nem chegou perto de ser personagens. Na verdade não gostei de nenhum. Talvez umas coisas de Ky e outras de Xandy. Mas Cassia é um pé no saco! Desculpe para os apreciadores dela. Na verdade acredito que ela seja chata porque não existem coisas exageradas na vida dela, e como não tem emoção demais, acaba tendo de menos e sendo previsível em muitos momentos. Já Ky tem muito mistério nele e em tudo o que o cerca. Ky vem de um lugar que não conhecemos, viveu coisas que sabemos apenas superficialmente. Não entendo bem qual a dele, mas gosto dessa coisa de não saber mais do que é necessário. E Xandy tem toda aquela adoração por Cássia, uma coragem e tenacidade de um líder. 
O que mais me agradou nessa história foi sem sombra de dúvida foi o conceito de sociedade. 
As artimanhas que eles usaram para deixar as pessoas submissas as suas idéias e decisões. Elas não reagem, não perguntam, não discordam. São zumbis das escolhas dos superiores. 
Vivem num ambiente que é todo desenvolvido para o crescimento deles. Não faltam nada. Nem tempo. Toda a agenda do dia deles é programada para que eles fiquem bem e aproveitem o melhor da idade. Existem atividades específicas para adolescentes, crianças e adultos. Tudo tem que seguir o cronograma, e caso eles mudem o curso das coisas, eles recebem advertência. 
Não sabemos nada do mundo longe da cidade deles, além das poucas coisas que Ky desenha para Cássia. Aliás, os desenhos dele nos papéis são passagens bem cinematográficas. 
a sociedade controla o que eles comem, com quem se casam, quando vão morrer. É uma coisa tão certinha, que passa a ser mega chata! Imagine você não ter que tomar decisão nenhuma, não ter que lutar por sonho nenhum, ficar "sentado com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar" (Parafraseando Raul Seixas). E é exatamente assim que eles vivem. 
Cássia começa a questionar o sistema quando ela começa a questionar ela própria. No dia em que é escolhido o seu par, e futuro marido, dois rostos aparecem na tela para ela. E é ai quando ela percebe o quanto falho pode ser o sistema. E entre Xandy (Seu maior amigo e o rosto que todos viram) e Ky (A aberração discreta que apenas seus olhos focaram) Cássia fica na dúvida sobre tudo ao seu redor. 
A filosofia desse livro é muito boa. É uma distopia certinha. Nada de mundo acabado, nada de fome, nada de falta de esperança, na verdade eles estão tão alienados a esse controle que nem sentem necessidade de pensar em palavras como esperança. 
Não foram tirados de comida, de lazer, de amor. A única coisa que eles não tem é a liberdade de fazer as próprias escolhas mesmo que elas sejam certas. E isso meus caros, é o maior crime para qualquer pessoa. 
Somos alienados todos os dias pela mídia que nos permite conhecer o que elas querem que saibamos. A política brasileira vem fomentar essa idéia quando nos é tirado o poder do conhecimento. Mas aqui não percebemos essa alienação pela falsa sensação de liberdade.
Lembro então dos cubanos, seu país certinho e pessoas que fogem de lá porque não gostam que escolham por elas.  
Alguém lembra daquele clipe do Pink Floyd: Another Brick In The Wall?  Ele sempre me deixou apavorada.


É exatamente assim que vejo uma sociedade sem escolhas: Com rostos iguais, marchando e seguindo vozes que nunca foram delas. 
Isso é muto sério gente! 
E esse foi o único motivo que me fez gostar desse livro. 
Apesar da leitura ser arrastada, e dos personagens não terem me cativado, darei o devido crédito de ler o próximo dessa série porque fiquei curiosa quanto ao desenvolvimento dessa sociedade e curiosa quando aos modos que Cássia, Ky e Xandy encontrarão para bater de frente com o controle. 
Indico a leitura pela idéia, não pelo conjunto. Espero que TRAVESSIA seja melhor. 

Quotes:


  • A cada minuto que você passa com alguém, você entrega a outra pessoa uma parte da sua vida e toma um pouco da dela [página: 45]
  • Não entre docemente naquela boa noite. A velhice deve arder e delirar ao fim do dia. Revolte-se, revolte-se contra o apagar da luz [página: 66]
  • É por isso que eu sei que são sonhos. Porque as coisas simples, corriqueiras e cotidianas são aquelas que nós nunca poderemos ter. [página: 171]


Classificação: Esperando melhorar no próximo volume. (Três estrelas).




Roteiros adaptados (Especial Nicholas Sparks)


Boa noite gente!
Venho com uma novidade por aqui.
Estava pensando em fazer essa postagem há muito tempo, mas me faltava coragem de escrevê-la e queria fazer muitas pesquisas de imagens e textuais para tal.
Eu já havia feito uma parecida comentando sobre os livros infantis que viraram filmes que eu mais gosto. Aqui está o link.
Dessa vez escolhi um autor específico que teve muitos livros adaptados para o cinema. E que, na minha adolescência, era responsável por meus choros vendo filmes. Sério! Meus dois filmes românticos prediletos na juventude vieram de obras de Nicholas Sparks, e eu nem sabia disso.
Então vou citar os livros dele que se transformaram em filmes para que vocês conheçam a maravilhosa obra desse autor divino e com idéias sem fim.
Eis o cara:

Nicholas Sparks viveu a sua juventude em Fair Oaks, na Califórnia e vive actualmente na Carolina do Norte com a família. Foi premiado com umabolsa de estudos da Universidade de Notre Dame pelos seus excelentes resultados e, em 1988licencia-se em Economia. Curiosamente, o seus onho era tornar-se atleta de alta competição, sonho de que teria de abdicar devido a um grave acidente. Iniciou-se a escrever enquanto trabalhava como delegado de informação médica e, mais tarde, surge Theresa Park, agente literária, que se propôs representá-lo, vendendo os direitos do seu primeiro romance, «The Notebook», à Warner Books. Com livros como A Última Música(The Last Song)e Querido John (Dear John), Nicholas Spaks tornou-se bem conhecido no Brasil, agora com outros livros publicados pela Editora Novo Conceito.




E suas obras cinematograficamente adaptadas:

NOITES DE TORMENTA

Capa do livro

Essa é a capa do livro e do filme também. Não sei se lançaram no Brasil uma capa desse livro que não fosse baseada na do filme, mas gosto bastante dessa capa. Esse livro foi lançado em 2002 e transformado em filme em 2008. 

Sinopse:
Aos 45 anos, Adrienne Willis repensa toda a sua vida quando o marido a abandona por uma mulher mais jovem. Com o coração partido e em busca de descanso ela segue para a pequena cidade de Rodanthe, na Carolina do Norte, para cuida da pousada de uma amiga, Quando uma tempestade terrível se aproxima, Adrienne começa a achar que sua fuga perfeita está arruinada - isso atá a chegada do novo hóspede, o Dr. Paul Flanner. Aos 54 anos, o médico chega a Rodanthe para repensar sua profissão e relação com a família. Agora, em meio à tempestade que os cerca, os dois seres feridos procurarão conforto um nos braços do outro - e esse único fim de semana despertará sentimentos que irão acompanhá-los pelo resto de suas vidas. O título desse livro foi mudado de O Sorriso das Estrelas para Noites de Tormenta depois do sucesso do filme, que agora compõe também a capa do livro. (SKOOB)


                                                                                          Capa do filme

Maravilhosamente estrelado por Richard Gere (Perfeito) e Diane Lane (Sempre linda). O filme é lindo e o livro, putz! Nem preciso falar né? É o filme de protagonistas mais adultos dos que eu vou mostrar hoje. A grande maioria dos livros do Sparks são com jovens protagonizando. 

                                                                                                Foto do filme
TRAILER: 





DIÁRIO DE UMA PAIXÃO

Capa do livro

A capa do filme tem muito do livro. A casa é bem como imaginei quando li. O livro foi publicado em 1996 e o filme em 2004

Sinopse:
"Não sou nada especial; disso estou certo. Sou um homem comum, com pensamentos comuns, e vivi uma vida comum. Não há monumentos dedicados a mim e o meu nome em breve será esquecido, mas amei outra pessoa com toda a minha alma e coração e, para mim, isso sempre bastou." Noah Calhoun Assim tem início uma das mais emocionantes e intensas histórias de amor que você lerá na vida... O livro é o retrato de uma relação rara e bela, que resistiu ao teste do tempo e das circunstâncias. Com um encanto que raramente é encontrado na literatura atual, O Diário de uma Paixão de Nicholas Sparks, o consagra como um contador de histórias clássicas, com uma perspectiva excepcional sobre a mais importante e única emoção que nos mantém. Com mais de 12 milhões de cópias vendidas, o livro que emocionou as pessoas ao redor do mundo, foi traduzido para mais de 20 línguas. (SKOOB)

Capa do livro

Esse foi o meu predileto de todos eles. Tem uma certa magia na construção desse filme que me encantou desde a primeira vez que assisti. Amo demais essa história! Estrelado por Ryan Gosling e Rachel McAdams. Essa bem que poderia ser uma das histórias românticas da minha vida. 

Foto do filme

TRAILER:



QUERIDO JOHN

Capa do livro

Essa é a mesma capa do filme. Também acho que não existe outra capa para ele. No mais eu até gosto dela. O livro foi publicado em 2007 e o filme em 2010. 

Sinopse
Nicholas Sparks, autor número 1 de best-sellers, traz agora uma história inesquecível de um jovem que tem que tomar a decisão mais difícil de sua vida, em nome de seu grande amor.
“Querido John”, dizia a carta que partiu um coração e transformou duas vidas para sempre.
Quando John Tyree conhece Savannah Lynn Curtis, descobre estar pronto para recomeçar sua vida. Com um futuro sem grandes perspectivas, ele, um jovem rebelde, decide alistar-se no exército, após concluir o ensino médio. Durante sua licença, conhece a garota de seus sonhos, Savannah. A atração mútua cresce rapidamente e logo transforma-se em um tipo de amor que faz com que Savannah prometa esperá-lo concluir seus deveres militares. Porém ninguém previa o que estava para acontecer, os atentados de 11 de setembro mudariam suas vidas e do mundo todo. E assim como muitos homens e mulheres corajosos, John deveria escolher entre seu país e seu amor por Savannah. Agora, quando ele finalmente retorna para Carolina do Norte, ele descobre como o amor pode nos transformar de uma forma que jamais poderíamos imaginar.(SKOOB)

Capa do filme

Não gosto muito da dupla que faz esse filme. E as vezes fico esperando a falta de ar que os outros me deram. Mas tenho que admitir que esse filme me rendeu alguns momentos de filosofia, e o final dele é muito bom! Os personagens secundários são os melhores de todos os outros filmes. Estrelado por Channing Tatum e Amanda Seyfried. 

Foto do filme

TRAILER:




UM AMOR PARA RECORDAR


Capa do livro

Não gosto dessa capa. Ela não passa nem 50% do que esse livro é. O livro foi publicado em 1999 e o filme em 2002. 

Sinopse:
“Cada mês de abril, quando o vento sopra do mar e se mistura com o perfume de violetas, Landon Carter recorda seu último ano na High Beaufort. Isso era 1958, e Landon já tinha namorado uma ou duas meninas. Ele sempre jurou que já tinha se apaixonado antes. Certamente a última pessoa na cidade que pensava em se apaixonar era Jamie Sullivan, a filha do pastor da Igreja Batista da cidade. A menina quieta que carregava sempre uma Bíblia com seus materiais escolares. Jamie parecia contente em viver num mundo diferente dos outros adolescentes. Ela cuidava de seu pai viúvo, salvava os animais machucados, e auxiliava o orfanato local. Nenhum menino havia a convidado para sair. Nem Landon havia sonhado com isso. Em seguida, uma reviravolta do destino fez de Jamie sua parceira para o baile, e a vida de Landon Carter nunca mais foi a mesma.” (SKOOB)

Capa do filme

Esse filme é muito do perfeito. Chorei litros com ele. O casal tem uma química muito fofa em cena. Fiquei totalmente encantada com tudo nessa história. SUPER recomendo! Estrelado por Shane West e Mandy Moore. Devo dizer que apesar da rebeldia da adolescência, existe toda uma inocência também. Lindo!

Foto do filme

TRAILER:






A ÚLTIMA MÚSICA

Capa do livro

Novamente capa de filme. Tenho do que reclamar não. Apesar do centro da história não ser o romance do casal, eu gosto dessa capa. O livro foi publicado em 2009 e o filme em 2010. 

Sinopse:
Aos dezessete anos, Verônica Miller, ou simplesmente Ronnie, vê sua vida virada de cabeça para baixo, quando seus pais se divorciaram e seu pai decide ir morar na praia de Wrightsville, na Carolina do Norte. Três anos depois, ela continua magoada e distante dos pais, particularmente do pai. Entretanto, sua mãe decide que seria melhor para os filhos passarem as férias de verão com ele na Carolina do Norte. O pai de Ronnie, ex-pianista, vive uma vida tranquila na cidade costeira, absorto na criação de uma obra de arte que será a peça central da igreja local. Ressentida e revoltada, Ronnie rejeita toda e qualquer tentativa de aproximação dele e ameaça voltar para Nova York antes do verão acabar. É quando Ronnie conhece Will, o garoto mais popular da cidade, e conforme vai baixando a guarda começa a apaixonar-se profundamente por ele, abrindo-se para uma nova experiência que lhe proporcionará uma imensa felicidade – e dor – jamais sentida. Uma história inesquecível de amor, carinho e compreensão – o primeiro amor, o amadurecimento, a relação entre pais e filhos, o recomeço e o perdão – A ULTIMA MÚSICA demonstra, como só Nicholas Sparks consegue, as várias maneiras que o amor é capaz de partir e curar seu coração. (SKOOB)


Capa do filme

Foi um filme que também me fez chorar um bocado. Talvez tenha esperado mais no final, mas ele é perfeito na sua imperfeição. Ele é tão real. É um livro sobre amadurecimentos de jovens, e os métodos difíceis até chegar nesse crescimento. Gostei muito. Estrelado por Miley Cyres e Liam Hemsworth. 

Foto do filme (Essa foto ficou linda)

TRAILER:





UMA CARTA DE AMOR

Capa do livro

Adoro essa capa mesmo ela sendo parecida com a do filme. Lindinha! Livro de 1998 e filme de 1999.

Sinopse:
Em "UMA CARTA DE AMOR", Nicholas Sparks conta a história da jornalista Theresa Osborne, de Boston, que, divorciada há três anos, já não acredita no amor. Com seu filho, ela vai passar as férias em Cape Cod, quando encontra uma garrafa que traz dentro uma tocante mensagem. A carta é destinada à "minha querida Catherine". Comovida com aquela mensagem de amor, Theresa, através de sua coluna no jornal, acaba descobrindo a identidade do misterioso autor: Garrett Blake (vivido nas telas por Costner). Ela segue a pista de Garrett, que há três anos chora o amor perdido, e percebe que ele pode estar pronto a amar novamente. Como ela.
Reunidos pelo acaso, Theresa e Garrett são pessoas cujas vidas estão prestes a se tocar com um propósito, numa história que reflete nossas mais profundas esperanças de encontrar aquele alguém especial e o amor imorredouro. Com suspense e intensidade emocional, Sparks conduz o leitor numa caçada à verdade sobre um homem e as suas lembranças, sobre a dilacerante fragilidade do amor e ao mesmo tempo o seu imenso poder. (SKOOB)

Capa do filme

O único dos filmes que eu não assisti. Sorry!! Mas gosto bastante da sinopse, e até já tenho em casa para conferir. Só me falta tempo. Estrelado por Kevin Costner  e Robin Wright. 

Foto do filme

TRAILER:

Não achei um trailer legal galera! 


UM HOMEM DE SORTE


Capa do livro

Linda de morrer essa capa! Também é igual com a do filme. Mas dou o braço a torcer, muito linda!! Lembra muito a de "Noites de tormenta". Livro de 2008 e filme de 2012 (O mais recente).

Sinopse: 
“Mas não estava em outra época e lugar, e nada daquilo era normal. Trazia a fotografa dela consigo há mais de cinco anos. Atravessou o país por ela.” “Era estranho pensar nas reviravoltas que a vida de um homem pode dar. Até um ano atrás, Thibault teria pulado de alegria diante da oportunidade de passar um fm de semana ao lado de Amy e suas amigas. Provavelmente, era exatamente isso de que precisava, mas quando elas o deixaram na entrada da cidade de Hampton, com o calor da tarde de agosto em seu ápice, ele acenou para elas, sentindo-se estranhamente aliviado. Colocar uma carapuça de normalidade havia-o deixado exausto. Depois de sair do Colorado, há cinco meses, ele não havia passado mais do que algumas horas sozinho com alguém por livre e espontânea vontade. (...) Imaginava ter caminhado mais de 30 quilômetros por dia, embora não tivesse feito um registro formal do tempo e das distâncias percorridas. Esse não era o objetivo da viagem. Imaginava que algumas pessoas acreditavam que ele viajava para esquecer as lembranças do mundo que havia deixado para trás, o que dava à viagem uma conotação poética. prazer de caminhar. Estavam todos errados. Ele gostava de caminhar e tinha um destino para chegar. (SKOOB)


Capa do filme

Apaixonada por esse filme. Gosto muito mais da mocinha dele do que do mocinho, apesar de ter que admitir que Zac Efron é o que há! O clima de campo do filme também é lindo e pacificante. Muito fofo gente! A outra atriz do filme junto com Efron é Taylor Schilling. É o filme mais sensual. 

Foto do filme

TRAILER: 



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Ufa! 
E então galera, o que acharam? 
Eu tentei ser simples já que o post já ia ficar imenso sem minha escrita. Os livros de Sparks são maiores do que romances. Eles são complexos, com personagens complexos e uma história mais complexa ainda. São coisas bem humanas, nada de sobrenatural por aqui. 
Para quem gosta de romance, juntem-se com seus amores e confiram os filmes baseados nos livros do Sparks. Apesar de ter certeza de que vocês já viram ao menos um deles. 

Resumo:

O melhor filme pra mim: Diário de uma paixão. 
O melhor mocinho: Shane West em "Um amor para recordar" 
Melhor mocinha: Rachel McAdams em "Diário de uma paixão"
Melhor história: Querido John
Melhor cenário: Um homem de sorte

Caixa de correio #4

Boa noite pessoal!
Estou meio gripada, acabei dormindo a tarde inteira e sem coragem de vir por aqui para colocar a postagem da semana.
Mas aqui estão todos os livros que chegaram semana passada.
Aguardem resenhas!


Livros citados:

- Deus e o estado (Mikhail Bakunin)
- O segredo de Brockeback Mountain (Annie Proulx)
- Farenheit 451 (Ray Bradbury)
- Admirável mundo novo (Aldous Huxley)
- Marina (Carlos Ruiz Zafon)
- O preço de uma lição (Federico Devito e Gutti Mendonça)
- Cinquenta tons de cinza (E. L. James)

Resenhas da semana:

-A culpa é das estrelas
Estilhaça-me


Constelações de gritos mudos:

-Capítulo Nicolas

Coluna Vida

Querido pai

Promoção:

Seção do livro "Amanhã, quando a guerra começou"

Especial cinema da semana:

As minhas 10 melhores cenas de musical




Resenha de "A culpa é das estrelas"








Título: A culpa é das estrelas
Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 283
Quantidade de Quotes: 34 







Sinopse (SKOOB)

Em A Culpa é das Estrelas, Hazel é uma paciente terminal de 16 anos que tem câncer desde os 13. Ainda que, por um milagre da medicina, seu tumor tenha encolhido bastante — o que lhe dá a promessa de viver mais alguns anos —, o último capítulo de sua história foi escrito no momento do diagnóstico. Mas em todo bom enredo há uma reviravolta, e a de Hazel se chama Augustus Waters, um garoto bonito que certo dia aparece no Grupo de Apoio a Crianças com Câncer. Juntos, os dois vão preencher o pequeno infinito das páginas em branco de suas vidas.

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Fiquei bastante tempo em frente ao computador tentando descrever o que senti lendo esse livro. É fato que desde “O caçador de pipas” eu não chorava tanto lendo. O livro me deixou acabada por dentro. E não foi simplesmente porque ele é lindo, mas porque é real e próximo demais.
Não tenho parentes que morreram de câncer, nem que tenham câncer. Mas amo pessoas que estão SEC - Sem evidências de câncer. E isso, me deu uma angústia maior ainda.
Hazel é linda. Uma protagonista pra lá de forte e supera em números extremos qualquer Bela ou Katniss que eu já tenha lido. Apesar de doente, de ter que andar com um carro de oxigênio, ela tem uma personalidade incrível. Além de que, é uma leitora voraz. Lembrei-me muito de alguém: Eu mesma.
O livro acontece quando Hazel descobre que apesar de doente, ainda é adolescente, e nem o câncer pode lhe tirar sensações e vontades que toda jovem tem.
E é nessa loucura que conhecemos Augustus (Gus). Ele é um garoto tão incrível quando Hazel. Teve câncer e tem uma perna amputada por conta dele. Augustus não tem super poderes, ou uma força descomunal. Não teria nada de tão grande se não fosse a intensidade com a qual ele vive a sua vida. E tem um humor negro delirantemente racional.
Existe sempre aquele clima melancólico e fúnebre em todo o livro. Como se a qualquer momento fossemos ver Hazel ou Gus morrerem. Mas esse clima é superado pelas vezes em que vemos a intensidade com a qual eles se combinam e se tornam um só.
Hazel dá literatura séria a Augustus. Ele dá a ela jogos sangrentos de vídeo game e livros tão sangrentos quanto. Ele dá a ela um pouco da adolescência louca (a medida do possível) e de concretização de sonhos, e ela dá a ele motivo para levantar todos os dias.
Devo ressaltar que não é um livro apenas de dois adolescentes que se amam e que estão morrendo. É um livro sobre todas e QUAISQUER formas de amor. Acompanhamos os pais de Hazel e de Gus, a luta de todos eles por tornar a vida dos filhos fantástica. Conhecemos Issac – O amigo que os apresentou e que também tem câncer. Vemos também Peter Van Houten – O escritor do livro predileto de Hazel que aparece na vida deles como meta para um futuro próximo.
E é tudo o que eles podem sonhar: Um futuro próximo. Próximo demais.
A aflição é justamente essa: Fazer planos porque é necessário a qualquer ser humano, e não fazer planos por medo de não concretizá-los. Eles acabam fazendo planos curtos porque  parecem mais saudáveis.
Digo que fiquei simplesmente apaixonada por cada personagem desse livro. E olhe que isso é bem difícil. É raro ter livros em que gostamos de outros personagens além do protagonista. O que acontece é que cada um deles parece estar vivendo seu próprio câncer, mesmo aqueles que não têm câncer. A doença é muito maior do que células destruídas. Ela afeta todos ao nosso redor deixando-nos com sintomas, dores e sequelas. E nesse livro, vemos isso nitidamente.
Eu sou mãe. Tenho um filho de três anos. Pergunto-me como diria a ele que teríamos que fazer uma mudança nos seus planos de vida longos.  E não consigo responder as minhas próprias indagações.
Você termina de ler esse livro com um peso no estômago. Você sabe que na sua cabeça, uma história não acaba no final da última página. E nos perguntamos o que acontece com os personagens depois disso. O que acontece com o “E foram felizes para sempre”. E é justamente ai que você percebe que aquelas nem sempre são pessoas que usam super poderes ou tem varinhas mágicas. Elas são reais. E a literatura então pode ser tão cruel...
Preferimos nos enganar com literaturas fantásticas porque é melhor do que algumas realidades. E amo esse poder de nos suspender do real que os livros têm. Mas não posso deixar de admitir o quanto amo o poder maior que tem a nossa realidade.
A culpa é das estrelas é um livro tão simples na sua amargura.
É como se fossem aquelas flores rosadas que enchem o chão do pé de jambo quando estão próximo de ficar maduros: Deixam todos ansiosos e vão embora antes mesmo de nos deixar sentir o real sabor e guarda-lo até a próxima estação.
Não o câncer, mas o amor de Hazel e Gus, isso sim, é culpa das estrelas. 

Quotes:

"Os privilégios do câncer são pequenas coisas que as crianças  com a doença recebem e as saudáveis, não: bolas de basquete autografadas por ídolos do esporte, perdão pelo atraso da entrega do dever de casa, carteiras de motorista não merecidas etc". [página: 28]

"Crianças com câncer são, no fundo, efeitos colaterais da mutação incessante que tornou a diversidade da vida na face da terra possível". [ página: 51]

"Esse é o problema da dor -Augustos disse, e aí olhou para mim - Ela precisa ser sentida". [pagina: 63]

"A tristeza não nos muda, Hazel. Ela nos revela". [página: 259]