E o Oscar vai para... (Parte 2)


Hoje vamos para a segunda parte da postagem sobre o Oscar 2012.
Essa foi a mais difícil de ser feita para mim porque a maioria das filmes eu não conhecia e não tive acesso direto, então fiz meus critérios de acordo com trailer, sinopse, fotografias (a coisa que mais me fascina no cinema), e comentários de quem teve acesso. Então vou dar meus palpites por alto.


Melhor fotografia
     O artista
     A invenção de Hugo Cabret
     Millenium – Os homens que não amavam as mulheres
     A árvore da vida
     Cavalo de Guerra

Como esse é o quesito que mais me fascina no cinema, foi justamente ele quem me deu mais trabalho escolher. Quando me decidia em um, voltava a ver os filmes e escolhia outros. Fiquei passando entre fotos e cenas fantásticas tentando escolher qual o conjunto delas mais me agradou e qual acredito que agradará a academia. Acabei me decidindo, mas que fique claro que todos os candidatos desse ano tem fotografias diferentes entre si e maravilhosas. Vale lembrar que quando falamos de fotografia no cinema não nos referimos apenas a parte estática da coisa, mas todo o desenvolvimento dela, as passagens de câmera, luzes, perspectivas de visão. São seus olhos atrás da câmera.
Então... O artista tem uma fotografia poderosa por ser um filme feito em preto e branco, então usa iluminação como uma coisa que tem vida própria, que passa uma sensação de calma ou fúria dependendo do contexto da cena. Devo admitir que o melhor da fotografia desse filme é realmente a luz em conjunto com as atuações. A invenção de Hugo tem como forte, na fotografia,  a direção de arte em si, o conjunto de figurino, iluminação e maquiagem. As cenas de mágica são ótimas, e a luz escura condiz com o peso da história. A fotografia de Millenium é uma coisa mais moderna. Para mim a melhor parte dela são as cenas externas na neve. Cavalo de Guerra tem como forte a paisagem sem igual. As luzes naturais são perfeitas e as cenas da guerra tem fotografias divinas. Já A árvore da vida é “a fotografia” de 2012. Gente, o que é a fotografia desse filme? As luzes são perfeitas e brandas, as passagens de câmera são divinas e transmitem o valor e forma de cada personagem. As cores são...putz!! As cenas da criação do mundo são coisa de doido. Existe uma simplicidade e delicadeza no que diz respeito a
 fotografia individual de cada personagem .
Então, meu prêmio desse ano, e acho que o da academia também, será para A árvore da vida.

Melhor direção de arte
     O artista
     A invenção de Hugo Cabret
     Harry Potter e as Relíquias da morte
     Cavalo de guerra
     Meia noite em Paris

Se o Harry Potter levar maquiagem não acredito que leve esse prêmio não. Aqui vou votar em A invenção de Hugo Cabret porque no conjunto, como citei  acima, ele é o melhor. Tem luzes ótimas, figurino excelente cenários muito bem trabalhados.


Melhor curta-Metragem (Animação)
     Dimanche/Sunday
     The fantastic flying books of Mr. Morris Lessmore
     La luna
     A morning Stroll
     Wild Life

Olha gente eu pessoalmente me apaixonei por The Fantastic flying books of Mr. Morris Lessmore. A animação é a minha cara, e como eu queria ter uma biblioteca daquela, com livros temperamentais como aqueles. (kkk)... Me fez lembrar de sonhos de criança. Eu amei. Mas acredito que a academia dará o prêmio a La Luna, faz mais o perfil de escolha deles. É muito lindo e delicado.

Melhor curta-metragem
     Pentecost
     Raju
     The shore
     Time freak
     Tuba Atlantic

Nessa categoria escolhi aquele que mais ouvi falar bem. Não assisti a nenhum.
 Li comentários e vi trailer. Dou prêmio a Raju




Melhor documentário (curta)
     The Barber of Birmingham: Foot soldier of the Civil Rights Movement
     God is the Bigger Elvis
     Incident in New Baghdad
     Saving Face
     The Tsunami

Igualmente o item anterior. Não conheço a fundo os indicados. Mas gostei muito do trailer de Incident in New Baghdad e o de The Barber...Darei ao primeiro.








Melhor documentário (Longa)
     If a Tree Falls: A story of the Earth Liberation Front
     Paradise Lost 3: Purgatory
     Pina
     Undefeated
     Hell and back again

Novamente um palpite. Gostei da ideia de Paradise Lost.

Melhor Filme estrangeiro
     Bulhead (Bélgica)
     Monsieur Lazhar (Canada)
     A separação (Irâ)
     Footnote (Israel)
     In Darkness (Polônia)

Como A separação é um filme que esta concorrendo em duas categorias esse ano, e isso é meio inédito nesse tipo de produção, então ele vai ganhar aqui.
Melhor animação
     Um gato em Paris
     Chico & Rita
     Kung Fu panda 2
     Gato de Botas
     Rango

Não vi todos, mas o Rango esta sendo muito aclamado pela crítica. Por isso resolvi escolher ele.

As melhores atuações infantis

Há algumas semanas a minha banda de rock predileta, a Palhaço Paranoide,  gravou o seu segundo clipe da fantástica música: O garoto invisível.Tive a honra de mais uma vez fazer parte desse mundo que começou na cabeça deles e hoje povoa a minha como um oceano inteiro de idéias. Acontece que o protagonista do clipe só tem 11 anos, chama-se Vinícius Padilha e ele caiu como um anjo nas nossas vidas na época, nos salvando de uma desistência em cima da hora.
 Eu sempre trabalhei com atuações de adolescentes, eles são minha área de licenciatura dramática. Mas na idade do Vinícius ainda não havia trabalhado. E como acho a comédia mais acessível aos jovens, tanto de atuar, como de entender, nunca trabalhei com meus alunos dramas. E no final das contas o clipe é bastante carregado de emoções fortes. O menino não era ator. Não tinha vivência nenhuma com teatro ou cinema. Então... Como fazer uma criança sentir emoções manipuladas?
Eis a grande dúvida durante aqueles dias de gravação.
Mas acontece que tínhamos o melhor diretor e preparador de elenco que já trabalhei, meu mestre Henrique Oliveira. E em conjunto com o assistente de direção Nivaldo Vasconcelos, com o ator Noel Smith (que diga-se de passagem foi fantástico) e mais uma equipe maravilhosa, eu consegui enxergar a magia do que é trabalhar com uma criança.
As vézes batia o desespero porque eu não queria que ele fosse sujeito a certas coisas, mas dai quando eu via um pré resultado, a satisfação me enchia. Eu vi o menino da fazenda se transformar num gigante de sentimentos em frente as telas, nos salvando de uma mudança drástica de roteiro.
E é por aquela vivência específica que comecei a me lembrar dos filmes atuados por crianças que me emocionaram. E fico totalmente feliz de ver que tem talentos tão pequenos espalhados no mundo prontos à ser lapidados e lapidar todos a sua volta.
Então aqui vai a lista de atuações infantis que eu mais amo. Posso ter esquecido alguém, certamente esqueci (Meus filmes prediletos tem sempre crianças), mas tentei fazer uma boa composição de atores e personagens envolventes que me marcaram.
Divirtam-se!


Jamie Bell (Billy Elliot) 

Eu vi esse filme tantas e tantas vézes que tinham falas dele que me saiam decoradas. Ele esta excelente nesse filme. Uma atuação sensível, digna de prêmios, uma trilha sonora linda. Vale conferir! A cena que ele dança movido pela raiva é perfeita. 



Danny Lloyd (O iluminado)

Esse garotinho que na época tinha apenas seis anos amedrontou o mundo inteiro com sua atuação profissional no terror O iluminado. E me pergunto... Como eles faziam pra deixar as crianças tão novinhas com o medo necessário da cena. Nem demais, nem de menos? Ai ai cinema... 
Adoro a cena em que ele anda de velocípede no corredor e vê as meninas. 


Miko Hughes (Código para o inferno)

Esse lindinho é pouco lembrado pelo público de cinema infantil, mas sinceramente, desde que vi esse filme numa sessão da tarde eu me apaixonei por essa atuação. Se já é difícil você encarar as câmeras sendo uma criança normal, o que você me diria de encara-la sendo uma especial? O Miko interpreta nesse filme um garoto autista. Gente ele tem expressões divinas. Me lembra muitas vézes a cegueira de Al Pacino em Perfume de Mulher. Maravilhoso! Ele esta perfeito no filme inteiro. Eu não tenho uma cena que eu possa destacar mais do que as outras. 


Henry Thomas (E.T.)

Esse é das antigas. E confesso que não me lembro muito desse filme inteiro. Mas lembro que achei o Henry maravilhoso nessa atuação. Também não é fácil contracenar com seres alienígenas. (rsrs). A melhor cena é sem dúvida essa da foto que ele esta entrando em contato com o E.T. 

Freddie Highmore (O som do coração)

Eu acompanho a carreira desse fofo há tempos. Adorei ele na Fantástica fábrica de chocolate e Em busca da terra do nunca. Escolhi O som do coração (que esta na minha lista de melhores filmes já vistos) justamente pela doação dele no filme. A cena em que ele esta descobrindo o violão é linda demais. E quando ele esta regendo a orquestra no fim eu choro toda vez. Adoro esse baixinho!


Josh Hutcherson (Ponte para Terabítia)

Eu nunca achei que esse menino tivesse jeito de criança. Ele sempre teve um rosto forte e carregado. E nesse filme ele interpreta um pré adolescente com problemas para imaginar. Então achei o papel a cara dele. Ele esta muito bem nesse filme. E eu sou apaixonada pelo trabalho dele desde ABC do amor. A cena que ele descobre do acidente da amiga me emocionou. 

Saoirse Ronan (Desejo e Reparação)

Finalmente uma garota!
Quem não lembra dessa atuação memorável? A menina participa de um pedacinho pequeno do filme e concorreu ao Oscar de melhor atriz coadjuvante. Ela dá banho no resto dos atores.  A cena em que ela  inventa a história é muito, muito, mas muito boa mesmo!. 


Abigail Breslin (Pequena Miss Sunshine)

Outra gatinha pintando ai. Essa belezinha fez um papel tão fofo nesse filme que vou morrer falando dele. O filme em si já é maravilhoso. Tem um roteiro lindo e a direção soube trabalhar muito bem com essa criança. O personagem dela é muito sensível. É tanto que ela concorreu ao Oscar de melhor atriz coadjuvante. As cenas dela com o avô são divinas. 


Dakota Fanning (Grande menina, pequena mulher)

Uma das atrizes mirins que teve a melhor carreira foi essa ai. Começou com uma atuação incrível em Uma lição de amor, e vários outros trabalhos de renome apareceram. Eu pessoalmente adoro essa personagem. Ela é uma criança que sofre de TOC e parece ter muito mais idade do que realmente tem. É uma atuação sincera e pesada. Um personagem muito bem construído. A cena dela no brinquedo de xícaras é linda. 


Haley Joel Osment (O sexto sentido)

Esse carinha é bem conhecido. Mais especificamente por essa cena. Quem não conhece a célebre frase:  Eu vejo gente morta
Além do filme ser o melhor desse diretor, souberam fazer um trabalho incrível com o menino. Ele é responsável pela maioria dos meus medos assistindo O sexto sentido. Sabe-se que esse terror é mais emocional e psicológico do que físico em si. Portanto o medo é passado mais pelas atuações do que pelos acontecimentos. Ele fez um trabalho muito bom . A cena em que Bruce esta na sala tentando fazer ele se aproximar com perguntas é muito forte. Ele ficou totalmente na cena. Maravilhoso!

Thomas Horn (Tão forte e tão perto)


Eu não tenho palavras para descrever a atuação desse menino. Ele é um rosto novo no cinema, e já tem uma carga estúpida nas costas. O personagem que interpreta nesse filme é tipo um inventor e desbravador do desconhecido que para resgatar a memória do pai viaja pelos vários cantos da cidade a procura de respostas e um consolo pela perda. Essa é minha homenagem a esse filme que quase não recebeu indicações e que para mim, é o melhor deles. Pela atuação dele principalmente. Não tem uma cena ruim dele, mas ressaltaria a cena em que ele escuta os telefonemas do pai, a cena em que ele surta e derruba um monte de coisa no chão, a cena da despedida dele com o velho e a cena dele explicando a historia dele para um dos Blacks... Sem contar as cenas com a Sandra Bullock que são divinas... Quer dizer, eu não sei uma cena ruim que ele fez nesse filme. 


Vinícius Padilha (Jack Valete)

E finalizo com meu pequeno notável. O garoto que interpretou divinamente seu personagem e que nas horas extras me fazia rir por demais. Parabéns pelo incrível trabalho garoto!


E ai, o que acharam? 
Quero saber quem é ator mirim predileto de vocês. Deixem comentários. Sempre leio o que vocês escrevem. 
Programei a segunda postagem do Oscar para amanhã. Deixei hoje para essa postagem especial.
 Espero vocês
Beijos


E o Oscar vai para...

Sumida novamente não é?
E andarei por mais algum tempo. As aulas do meu filho começam semana que vem, as minhas começaram semana passada e meu trabalho volta amanhã. ôôô vidona!!
Mas hoje eu vim por um único e vasto motivo: Oscar 2012
Como tinha tirado uns dias de férias fiz uma promessa  a mim mesma: assistiria a maior quantidade de filmes possíveis que de alguma forma estivesse concorrendo a estatueta esse ano. Normalmente assistia os principais e deduzia as outras categorias.
Posso dizer que fiz meu trabalho direitinho. Os que pude ver eu vi, os que não teve como eu baixei os trailers e sinopses e comentários de pessoas da área. Este será o primeiro ano em que darei uma opinião baseada em dados, e com quase todos os filmes assistidos. Então, aqui vai a primeira parte da minha lista:


Melhor efeitos visuais
ü  Harry Potter e as relíquias da morte
ü  A invenção de Hugo Cabret
ü  Gigantes de aço
ü  O planeta dos macacos: A origem
ü  Transformers: O lado oculto da lua

Ok. Nesse quesito já fui descartando alguns, e no final das contas fiquei com Transformers e O planeta dos macacos: A origem. Apesar do primeiro ser muito efeito visual, afinal de contas travar uma batalha entre robôs não é nada fácil, o que inclui as brigas fantásticas de Gigantes de aço; mas O planeta dos macacos leva a frente por usar captura de movimento, também usado no O Senhor dos Anéis, muito difícil de se fazer, mas rende um bocado quando feito legal. E tenho que admitir que, apesar de não ter morrido de amores pelo filme, os macacos ficaram fantásticos. Então, esse no meu ver vai ser campeão. 

Melhor efeitos sonoros
ü  Millenium- Os homens que não amavam as mulheres
ü  Transformers: O lado oculto da lua
ü  Cavalo de guerra
ü  A invenção de Hugo Cabret
ü  O homem que mudou o jogo

Não entendo muita coisa de como eles escolhem essa parte de efeitos sonoros e edição  de som, mas vou dar meu palpite com o que conheço. Na verdade nesse item fiquei entre dois. Cavalo de guerra é ótimo como efeitos sonoros porque tem uma guerra, e filmes de guerra sempre tem efeitos fantásticos, tiros, quedas, e nesse em específico: trote de cavalo no meio de tudo. Mas sou simplesmente encantada com o efeito sonoro de A invenção de Hugo Cabret, eles fizeram sons pequenos e muito sensíveis grandiosos nessa história. 

Melhor edicao de som
ü  Cavalo de guerra
ü  Drive
ü  Millenium- Os homens que não amavam as mulheres
ü  A invenção de Hugo Cabret
ü  Transformers: O lado oculto da lua

Aqui vou dar para o Cavalo de Guerra. Eram sons reais. Nada de muito efeito como em Transformers. Eles simplesmente passaram sons puramente reais para a tela do cinema. Ficou uma edição show de bola. E como tradição, filmes de guerra na maioria das vézes leva essa estatueta.


Melhor Cancao
ü  Man ou Muppet (Os Muppets)
ü  Real in Rio (Rio)

Por mais que eu ame Rio - meu filho assisti várias vézes ao dia. Acredito que aqui o prêmio vai para a música dos Muppets.

Melhor Trilha Sonora
ü  As aventuras de Tintim: O segredo de Licome
ü  O artista
ü  O espião que sabia demais
ü  Cavalo de guerra
ü  A invenção de Hugo Cabret

Nesse item fiquei em dúvida porque não vi Tintim, é uma vergonha eu sei! Acredito que como ele não teve indicação mais nenhuma, o que foi uma lástima para os fãs, ele possa vir a ganhar, mas não o julgarei porque não o vi. O artista é o filme que foi totalmente desenvolvido em cima de sua música, já que é um filme mudo. Então meu voto vai para ele pela dificuldade, apesar de ter adorado fanaticamente a trilha francês e doce de A invenção de Hugo Cabret. 

Melhor montagem
ü  Os descendentes
ü  O homem que mudou o jogo
ü  A invenção de Hugo Cabret
ü  Millenium – Os homens que não amavam as mulheres
ü  O artista

Eu fiquei louca pela montagem de A invenção de Hugo Cabret, as cenas de flash back e de mágica são simplesmente belíssimas, para mim, seria o vencedor. Mas vou dizer que esse prêmio é movido muitas vézes ao vencedor do melhor filme, então vou optar por O artista. 

Melhor maquiagem
ü  Harry Potter e as relíquias da morte
ü  Albert Nobbs
ü  A dama de ferro

Gente eu voto de verdade no Harry Potter. É a maquiagem mais complexa entre os escolhidos. Gosto muito da de Albert Nobbs também, mas fico com o filme do bruxinho. 

Melhor Figurino
ü  O artista
ü  A invenção de Hugo Cabret
ü  W.E.- O romance do século
ü  Anônimo
Jane Eyre




Meu palpite? W.E. - O romance do século. Tem um figurino bonito apesar de eu achar exagerado para a época em alguns momentos. Gosto muito mesmo do de Jane Eyre e o de Anônimo é tudo de lindo. Mas fico com o primeiro, porque acho que a academia escolheria, não por ser meu predileto. 


Amanhã venho com Fotografia, direção de arte, os curtas, os documentários o filme estrangeiro e a animação. 






Guilherme Ramos - O cara

Gente faz século que não posto mais nenhuma das entrevistas que havia prometido. Minha vida anda um verdadeiro caos. Mas vou começar a voltar com as postagens com calma. Hoje vim trazer uma das entrevistas que ficaram pendentes. E essa é na categoria Manual do Escritor. 
Conheci esse rapaz quando tinha uns 15 anos e ainda brincava de guardar panfletos sobre teatro numa pasta catálogo. Foi na época em que me encantei pelas artes. Ele trabalhava com teatro no Sesc, usava um rabo de cavalo no cabelo- o que era motivo de onda no colégio onde eu estudava. O chamava de irmão. E disso ele passou a ser meu mentor, e disso a ser meu amado, e disso meu melhor amigo. E continua assim.
É aquele tipo de pessoa que quando você quer rir, ou conversar besteira, ou conversar coisa séria você procura.
Convidei ele para ser meu entrevistado nessa categoria porque quase tudo o que conheço sobre ser escritora aprendi com ele e através dele.
Espero que vocês absorvam a essência Guilherme Ramos como o venho fazendo há 10 anos.




1. Fale um pouco sobre você

A parte mais difícil dessa entrevista. Foi a última questão que respondi. É difícil falar sobre si mesmo, sabe? Particularmente não gosto. Prefiro que as outras pessoas o façam. Sei lá. Pode parecer estranho, mas falo pouco de mim. Acho que falo mais do que eu faço. Falar de mim seria como tentar ensinar física quântica no jardim de infância. Rssss... Em poucas palavras, sou um sonhador. Um “Insone sonhador”, às vezes. Prefiro lembrar que sou ator, diretor, escritor, músico prático, artista intermídia... Enfim, gosto de muitas áreas. E tento vivenciá-las sempre que possível. Atualmente, estou tentando ser escritor mais do que qualquer outra coisa. Existem, ainda, os “títulos” – não posso fugir deles: Especialista em Gestão e Organizações Sociais (UFS), Arquiteto e Urbanista (UFAL) e a “gestão cultural” – minha escolha profissional: Gerente do SESC Centro – Unidade de Cultura do SESC/AL, idealizador do Centro de Difusão e Realização Artístico-Cultural (CDRAC), onde são desenvolvidas atividades diversas nas cinco principais linguagens artísticas do Regional (Artes Cênicas, Música, Literatura, Artes Visuais e Audiovisual). Mas... Eu mudo a cada instante. E talvez esses momentos estejam no meu blog (www.prosopoetica.blogspot.com). Quer me conhecer (um pouco)? Visite-o. Permita-se. Participe.


Quando e como descobriu que era escritor?
Simplesmente foi surgindo. Não sei dizer quando. Apenas escrevia. Meu primeiro texto (teatral) data de 1984. Uma curta comédia (Conde Frácula), usada em festival de teatro do colégio. Não fui um bom leitor, contrariando a teoria de que um bom escritor deve ser um bom leitor (mas sou obrigado a concordar com essa teoria). Eu simplesmente sinto as cenas, as palavras, as rimas. A coisa vem, sabe? Claro que pesquiso muito, estudo técnicas etc. Sou autodidata. Como muitos, odiava literatura (depois, descobri que odiava as aulas de literatura no colégio. Só me serviram para decorar datas, nomes etc. para o vestibular – uma triste confissão). Mas falo do meu início. Eu não lia. Escrevia. Até hoje uso algumas palavras que nem sei o significado. Daí, quando procuro no dicionário, elas são perfeitas! Vá entender! Acho que tenho sorte, um dom ou sei lá o quê. Gostaria de ler mais teoria da literatura pra saber o que estou fazendo, mas pensando bem, se eu souber muito o que estou fazendo, não ficarei, eu, técnico (ou previsível) demais? Não sei, não sei... Isso daria um livro. (Rsss...)

Que tipo de textos você mais gosta de escrever?
Ah! Muitos! Mas poesia, conto e dramaturgia são os mais “chegados”. (Rsss...) Gosto de contar histórias, extravasar sentimentos (às vezes inexistentes). Por exemplo: não preciso estar apaixonado para fazer uma poesia sobre o amor (correspondido ou não). Apenas escrevo. Por isso, se lerem algo meu, não pensem que sou o personagem que deu origem à série, OK? (Rsss...).


Qual a maior dificuldade de um escritor?
Para mim é a tal “página em branco”! (Quando ficamos horas e horas e horas e não sai uma linha sequer). A tão temida “falta de inspiração”. Mas não é bem assim. Acredito que tudo isso é a ausência de “clima inspirador”. Podemos usar técnicas para iniciar um trabalho. Por exemplo: não tente iniciar um texto logo de cara. Antes, relaxe, tente esquecer o ambiente externo. Jogue um pouco (Playstation, xadrez, paciência etc.), escute uma música, veja um filme, leia um livro etc. Aí você equilibra o que é real (e, normalmente chato, castrador, antinspirador) e o que é ficcional (inspirador). Outra coisa que me dificulta muito é a indisciplina. Se você não dedica uma parte de seu tempo para a criação literária, seu corpo, sua mente e seu espírito vão se tornar um triunvirato de preguiça e você nunca irá terminar “o tal livro” tão sonhando...

Cite 5 dicas que você daria para alguém que quer ser um escritor
Escreva. Pesquise. Escreva. Leia. Escreva. Anote tudo. Escreva. Grave tudo. Escreva. Desenhe. Escreva. Conte histórias. Escreva. Ouça música. Escreva. Assista a filmes. Escreva. Escreva. Escreva. Escreva. Escreva. Acho que foram mais de cinco, né? Mas, na realidade, é exatamente isso. Escrever. Da mais ridícula “abobrinha” à mais genial teoria. Tenha um “livro de idéias” (compre um caderno sem pautas e ande com ele sempre por perto. Escreve nele tudo o que surgir na sua cabeça e puder ser usado, mais tarde, na sua história. Afinal, nunca se sabe quando uma grande idéia vai aparecer, certo?). Não há apenas dicas. Há escrita. Parece óbvio, mas escrever é exatamente isso: escrever. Deixar que as idéias venham às mãos e se tornem letras, palavras e frases. Que parágrafos criem vida e capítulos tornem-se inesquecíveis aos sentidos de alguém. Que o resultado final toque o coração de quem escreve, para depois, tocar ao coração alheio. Importante: se aquilo que você escreve não emociona nem a você. Não serve. Jogue fora. Procure outra função no mundo. Ou, se ainda quiser ainda escrever, então... Escreva. Pesquise. Escreva. Leia. Escreva. Anote tudo. Escreva. Grave tudo. Escreva. Desenhe. Escreva. Conte histórias. Escreva. Ouça música. Escreva. Assista a filmes. Escreva. Escreva. Escreva. Escreva. Escreva...


Por onde se deve começar a escrever uma história?
Bem, acho importante frisar “por onde não começar”: pelo começo. Parece meio ilógico mas, levando-se em consideração que você leva muito tempo escrevendo (um romance, por exemplo), você nunca o terminará com o mesmo estilo literário. Você melhora, piora, enfim, muda de estilo até terminar o trabalho. Então, se você seguir uma “sequência” cronológica, muito certinha, certamente o leitor perceberá tais diferenças e isso pode comprometer seu trabalho. Agora, quando trabalhamos em algo mais curto (um conto, uma poesia etc.) sugiro que você deixe seu coração dar as dicas. Escreva. Sem a obrigação de terminar algo. Aproveite a inspiração disfarçada de amenidade. Escreva uma frase que surgir na cabeça. Vá juntando títulos que surgirem, frases, palavras (aparentemente) sem sentido, sobretudo os neologismos. Neologismos dão ótimos títulos. E rimas. De repente, você junta uma coisa aqui e outra lá... (meio Dadaísta, né?) e surge uma obra inédita. Muitas poesias minhas surgiram assim. Às vezes, vem apenas uma cena de um conto. Eu escrevo a cena, resumida e, quando aparece uma oportunidade, dedico-me a terminá-la. Isso ocorre mais com contos. E por aí vai. Gosto muito de criar um título e guardá-lo. Chega um dia que a inspiração aparece e o título ganha forma. Outras vezes, tenho a história de uma vez só. O título vem depois. Eu tento fugir do óbvio e procuro títulos mais simbólicos. Mas isso é uma questão de estilo. Eu ainda procuro o meu. Cabe a cada um enfrentar a sua jornada.

Para você, rima é importante em uma poesia?
Particularmente, eu gosto. É mais sonoro, mais gostoso de curtir. Mas tem também o verso livre que, dependendo da estrutura, encanta qualquer um. Mas a rima é como música para meus ouvidos. Em alguns textos meus essa sonoridade aparece. Sabe quando não há rima, mas há sonoridade? Há ritmo? O texto flui como uma música. E o leitor vai se apegando sem nem saber porque. É esse estilo que busco. Chamo essas tentativas literárias de “minha prosopoética” (perdoem-me os acadêmicos que sabem que prosopoética é outra coisa...) e tenho gostado do que venho fazendo. Porém, quando escrevemos, escrevemos para o leitor. Eles é quem devem gostar ou não. Mas, como sou autor-leitor, dou-me o luxo de gostar do que faço. O que não gosto, não publico no blog. Guardo. Um dia, minha opinião pode mudar, uma revisão pode mudar e tudo pode mudar... e mudar.. E mudar... Não são, assim, as pessoas? E por que não as criações artísticas? Mas, sim (para mim), as rimas são muuuuito importantes.

Você costuma construir primeiro o enredo ou os personagens de uma história?
Depende da inspiração. Às vezes vem tudo junto. Mas é mais racional ter o enredo primeiro. Porque assim, você vai povoando, colonizando a história com personagens. Quantas vezes um coadjuvante virou principal? E quantas outras um principal foi descartado? Claro que, às vezes, você tem “O Personagem”. E, a partir dele, vem uma, duas, três histórias. J. K. Howling que o diga, não é, Mr. Potter? (Rsss....)

De onde você tira inspiração para escrever?
De mim. (Rsss...) Brincadeira. Às vezes, vejo um nome, uma frase, uma foto, escuto uma música etc. E simplesmente vem. Outras vezes, inspiro-me em fatos do cotidiano, uma manchete de jornal, um livro, uma reportagem de revista, uma bula de remédio, um filme, uma série de TV. Ou acordo no meio da madrugada com uma idéia fixa na cabeça. Pode até ter vindo de um sonho. Enfim, o que quero dizer que não há uma inspiração certa ou errada. O que há é inspiração. E ela muitas vezes é do contra. Aparece quando estou querendo fazer outra coisa. Por exemplo: quando preciso fazer um relatório de trabalho, dá vontade de escrever um conto, uma poesia. Mas se eu parar especificamente para fazer o tal conto ou a tal poesia, não vem nada. É como se minha inspiração ficasse me testando. Provocando-me, para ver se eu realmente a mereço. Já perdi a conta das vezes que estou na rua e surge aquela melodia, frase, poesia, nome de personagem etc. que tanto procurava. E faço de tudo pra não perder isso. Escrevo no meu livro de idéias, num guardanapo, na mão, gravo no celular... Bem, quem me vê por aí, pensa: “- O que esse louco tanto fala sozinho?” Até agora não fui internado. Mas corro o risco. Perco a sanidade, mas a inspiração, nunca! (Rsss...)

Diga alguns livros e escritores que você gosta.
Na realidade, prefiro livros técnicos, fora do padrão literário cotidiano. Poucas vezes leio para me distrair. Nesse sentido, ler, para mim, significa pesquisa. Esses livros me ajudam a entender ou descobrir sobre o que escrever, servem de inspiração. Adoro pesquisar o desconhecido, o fora do comum. Amo livros e revistas que falem sobre ocultismo, religiões, mistérios, OVNIs, Genética, evolução humana, Atlântida, Lemúria, Continente de Muh... (Acho que alguém, nesse momento, está pesquisando metade do que disse, no Google... Rsss...). Mas, já que preciso citar algumas obras e autores não tão técnicos, não poderia esquecer: As Crônicas de Gelo e Fogo (George R. R. Martim), O Senhor dos Anéis (J R. R. Tolkien), Noite na Taverna (Álvares de Azevedo), Grau 26 (Anthony E. Zuiker), Noturno (Guillermo Dell Toro), Sangue Quente (Isaac Marion), Harry Potter (J. K. Howling), As Crônicas de Nárnia (C. S. Lewis)... Vou parar. Está começando a ficar cliché. Tá vendo que tenho um gosto fora do padrão? (Rsss...)


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Agradeço por sua paciência em escrever e em esperar sua entrevista amigo.
Você sabe que acima de qualquer coisa, sou sua fã incondicional. Sua maior fã
Amo de paixão!

E aos meus leitores, espero que tenham se encantando com esse mostro das artes. Passem no espaço dele. Vocês vão ver só como a arte dele é fantástica.


bjuxx

Carol


Jogos Vorazes (The Hunger Games)

              (pode conter spoilers)    

  Se eu disser que esse livro foi responsável por não me deixar pirar nos últimos dias vocês vão dizer que estou mentindo. Mas não estou.
Já tinha visto sobre ele nos blogs que acompanho, e anotei na minha lista de livros que quero comprar. Quando natal chegou eu ganhei de presente dinheiro, e fiquei pensando o que compraria com ele. Não demorei muito pensando: Um livro. Porque é minha maior fonte de distração e fuga.
Fui a livraria e já me joguei na área de infanto-juvenis. (Fazer o que, gosto e pronto!) Vi Jogos Vorazes escondidos atrás de livros da Meg Cabot, só tinha um. Achei que era um sinal de Deus e levei ele pra casa. Dei quase vinte reais a mais do que em outras livrarias, mas naquela hora, ele, aquele livro em especial tinha me achado.
No mesmo dia comecei a ler. Eu me conheço lendo, então sempre paro a leitura, mesmo nas partes mais boas, para o livro não acabar logo. Odeio finais.
E foi assim que em menos de 24 horas o livro já tinha acabado e eu fiquei com muita raiva de não ter comprado a continuação dele.
A história se passa em uma América pós-apocalíptica. Um mundo basicamente destruído que foi dividido em doze distritos. (Na verdade foram treze, mas isso só vai conhecer lendo), e governado por uma cidade autoritária e muito poderosa chamada de Capital. Os Jogos Vorazes é uma competição num tipo de reality show anual, onde eles jogam dois tributos de cada distrito numa arena, mas apenas um deles pode sair vivo. A propósito, os tributos tem que ter entre 12 e 18 anos.
É nesse mundo que conhecemos a protagonista Katniss. Ela vive no distrito 12 e sustenta a mãe e a irmã desde que seu pai morreu. É uma adolescente de 16 anos muito forte e decidida, muitas vézes se percebe falta de amor nela, mas é pura proteção. Ela torna-se um dos tributos do distrito dela e mostra para todo o país que esse tipo de castigo cruel precisa acabar.
Então. O livro é maravilhosamente comestível de tão bom de ler. rsrsrsrs
Katniss é a pessoa que no momento eu queria ser, insensível em muitas horas, corajosa ao extremo e decidida. Ela foi aos Jogos sendo voluntária para salvar a vida da irmã. Vive em um dos distritos mais castigados de fome e pesar, por isso se tornou essa fortaleza incondicional. Não se deixa abater hora nenhuma.
E não posso falar de Jogos Vorazes sem falar de Peeta.
Gente, vocês que conhecem Edward, Jacob, Patch, e todos esses românticos incorrigíveis das histórias atuais, vão esquecê-los completamente quando conhecerem Peeta. Ele não tem esse modelo de beleza física de nos deixar de queixo caído, mas tem o maior e melhor caráter que um menino de 16 anos pode ter.  E isso é apaixonável por demais.
Ele é o outro tributo escolhido para ir a arena com Katniss. E o que deveria se tornar uma luta pela própria sobrevivência por parte dele, torna-se a luta pela sobrevivência dela. Ele se torna seu maior amigo. A salvando de situações perigosas, de discursos perigosos. A salvando de todos os modos que se pode salvar. O que é engraçado, visto que perto dela, ele não sabe fazer nada que garanta a sobrevivência de ambos. Mas é incondicionalmente poderoso com gestos e palavras.
E ai que começa o dilema. Como sair vivo da arena sem ter que matar o seu melhor amigo? - Katniss se faz essa pergunta em boa parte do livro.
Mas Jogos Vorazes é muito maior do que uma luta pra viver em um reality show. E se houvesse algum tipo de destruição em massa, seria totalmente plausível um mundo que nem o deles. Não é ficção científica por completo. Na verdade, quase nada no livro se trata de mentiras inventadas.
É um joguete de poderes. De subjugar outras pessoas para que elas te obedeçam. Ameaçando seus filhos, sua comida, sua liberdade. Mostrando que o poder é a lei maior daquela nação.
O livro é muito bem construído. As cenas de ação são maravilhosamente explicadas, e os pensamentos de Katniss parecem se confundir com os nossos muitas vézes. Os personagens são divinos. A estrutura deles, a ação deles, a desenvoltura deles. Eu pessoalmente, me apaixonei pelas ações de Peeta. Ele é tão simples e bobo muitas vézes que se torna a peça elementar do jogo. Torna-se o gênio. Sua atitudes são as que levam quase toda a história. Que conduz a reta dos participantes na arena. E que no final das contas, conduz a continuação dos livros.
Eu recomendo por completo o livro. É muito bom mesmo. Não é melodramático. É real, é presente, é futuro. São idéias novas, e antigas ao mesmo tempo. Envoltas em crueldade do "ser" humano e demonstrativos de bom senso e caráter de outros.
Aqui vai o trailer do filme que será lançado em Março. Marquem na agenda!


Em breve comentários sobre os outros livros da série.

Re (Construção)

Olá gente!
Sei que andei muito sumida.
Muita coisa acontecendo em minha vida. Daquele tipo de coisa que não me permitiu ter inspiração para voltar a esse cantinho que amo.
Mas aqui estou, no último dia do ano para minha postagem de libertação.
Quero começar 2012 de alma lavada e com muita força. Porque vou precisar.
Muito obrigada a vocês que acompanham meu espaço sempre. Aos que postam e aos que só passam por aqui para ver as novidades.
Prometo que nesse ano que vem voltarei ao ritmo, e teremos muitas coisas legais para discutir. Deixa só eu me recuperar um pouco mais.
Desejo tudo de bom para vocês nesse novo ano. Que seja um ano de novidades maravilhosas.
Nós merecemos.
Para terminar vou postar uma coisa que escrevi esses dias. Um desabafo.
Afinal de contas, vocês fazem parte de quem sou.
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Ok!
O ano foi longo. Mais longo do que eu gostaria que tivesse sido. Mais longo do que achei que seria capaz de suportar.
Certamente um ano de mudanças. Ainda não sei até que ponto de evolução eles me levaram. No momento, estou entre a lama do desconhecido e a relva de algo que pertenci. Confusa. Perdida.
Procurando minha estrada de tijolos amarelos. Ou de tijolos de qualquer cor, contanto que me tire da encruzilhada na qual estou.
Sou uma rainha de disfarces. Consigo ter faces múltiplas que se escondem de mim mesma quando mais preciso delas. Sou frágil, sou forte, sou decidida, sou desconhecida. Procurando quem fui, e me adaptando a quem quero ser.
Disseram-me esses dias que passei os últimos dois anos sendo sombra de alguém. Lembrei de imediato de Peter Pan e sua insistente sombra que teimava em não pertencer a ele.
O que é afinal uma sombra?
Uma companhia, uma amiga que a gente sempre sabe que esta lá.
Não sei se vi como a crítica que no fim das coisas era. Eu escolhi ser sombra.
Eu escolhi doar os últimos anos da minha vida a alguém que precisava de uma sombra. Não me arrependo disso da forma que deveria. Pelo contrário. Fui verdadeira. Fui amiga. Fui quem deveria ser naquele momento. Fui intensa.
Sofro por opção.
Essa história de que a gente não manda no coração é pura conversa para mim.
Eu permiti ao meu sofrer o tempo que sofreu quando minha filha e meu pai foram para o Oeste. Eu permiti me recuperar de sofrer quando achei que estava na hora de continuar. Eu permiti me apaixonar. E estou me permitindo sofrer por ter me apaixonado por coisas erradas. E no fim de tudo, sei que me permitirei esquecer e novamente continuar.
Se tem uma coisa na qual eu sou boa, é em continuar.
Queria conseguir dizer no momento que estou bem. Na verdade me sinto sufocada. Como se as paredes, hoje tão limpas, de minha casa fossem móveis e me pressionasse quando eu mais queria espaço e ar.
Sinto-me culpada por tanta coisa, me sinto enojada de outras e acima de tudo, com medo de novidades desconhecidas.
Corro para a rua procurando oxigênio, a fome, e o sono.
Engraçado como as coisas mais básicas de ser humano como dormir, comer e respirar torna-se penitências quando o critério é sofrimento.
E as coisas as quais amo fazer, e sei que sou boa fazendo parecem que não tem sentido algum.
Quantos de vocês já passaram por isso?
Quantos de vocês estão passando agora, nesse momento?
E quantos ainda irão passar?
E porque é que insistimos em tentar e tentar?
Passo o menor tempo em casa que posso. Pego outros caminhos, invento outros afazeres, mudo os móveis de lugar. Querendo esquecer certas coisas, ignorar outras e desligar o botão que se importa com o que não se importa mais com você.
Um ano novo vem ai.
Para alguns o prelúdio do fim dos tempos, para outros, recomeço. Para mim, apenas uma interrogação pairando como fantasma na minha frente sempre que abro os olhos. Coloco um pé diante do outro tentando apagar a neblina. Vou aos poucos, vendo o que vai ser, como fazer, por onde ir, com quem ir.
Pensando em coisas quebradas, em livros rasgados, em lágrimas, em gratidão.
Agradecendo o dia em que ganhei amigos novos, e amaldiçoando esse mesmo dia. Sempre penso em como seriam as coisas agora se uma simples palavra tivesse sido dita em algum momento.
Parafraseando alguém que amo:
“Sou grata por todo caminho que tenha me trazido até onde cheguei.”
Não por felicidade. Mas por aprendizado, disciplina, e coragem.
Que nesse novo ano eu consiga fazer coisas diferentes das que já fiz. Boas, ou ruins. Eu só quero sair de onde estou. Mudar quem sou.
Que vire Natasha, ou Rebeca, vilã ou mocinha.
Tenho que tentar possibilidades. Ser certa não deu muito certo na minha vida. Não acredito que ser errada dará, mas é preciso tentar. Morrer na dúvida é a pior coisa que existe.
Que eu consiga perdoar.
Sempre fui muito boa nisso, mas acho que já calejei de tanta bondade.
Que eu não me permita amar. De nenhum jeito. Porque não quero deixar de acreditar naquilo que mais tenho fé.
Que eu me permita voltar a sonhar, apenas sonhos rasteiros, sem grandes quedas.
Que eu não tenha mais lágrimas. Elas me irritam de uma forma que não sei explicar.
E por fim, que eu seja a pessoa que sei que nasci para ser. A rainha de disfarces, de dramas, de ponderações, de sonhos, de expectativas, de crenças.
Uma majestade acima de tudo.
A majestade de mim mesma. E de ninguém mais.