Resenha de "O Quinto Evangelho" (Ian Caldwell)

Título: O Quinto Evangelho
Autor: Ian Caldwell
Editora: Record (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Uma trama eletrizante sobre uma verdade que pode abalar o futuro da igreja. Nos últimos meses do pontificado de João Paulo II, uma misteriosa exposição é montada nos Museus do Vaticano. Seu curador, Ugo Nogara, alega ter descoberto um grande segredo sobre o Sudário de Turim, porém, uma semana antes da abertura da polêmica mostra, ele é encontrado morto nos jardins da residência de verão do papa. Na mesma noite, a casa dos padres Alex e Simon Andreou, amigos de Ugo e seus ajudantes na exposição, é invadida por um estranho. A polícia não consegue encontrar um suspeito, e Alex inicia sua própria investigação. Para encontrar o culpado, ele precisa descobrir o segredo mantido por Ugo a qualquer custo. Mas, à medida que começa a compreender a verdade, ele percebe que suas ações podem trazer consequências imprevisíveis para o futuro da Igreja Católica.

Ao acabar a leitura de O Quinto Evangelho, não há como negar o quão minucioso foi o trabalho do autor na questão do estudo teológico para compor as ideias do livro. Sabe-se que é um romance porque se enxerga claramente os componentes narrativos, mas pessoalmente enxerguei melhor como um estudo a essas duas vertentes do cristianismo do que me liguei na trama geral que se desenvolvia a historia. 

Tudo acontece ao redor dos irmãos Alex e Simon. Um padre da igreja católica apostólica romana (Simon), e o outro da igreja Ortodoxa, também chamada oriental (Alex). Quando um amigo de ambos, um curador chamado Ugo Nogara, é encontrado assassinado pouco antes do início de uma exposição que aparentemente iria ser muito reveladora sobre a igreja, os irmãos acabam se enroscando em um baita problema por estarem no lugar errado, na hora errada, e terem tido contato com Ugo em relação a essa "revelação" que ele queria fazer antes de sua morte. 

Esse livro me lembra bastante os plots dos livros do Brown. Tem aquele personagem carregado de significado, dentro de uma trama maior que envolve - para variar - a igreja. E do mesmo modo que os livros de Brown, esse também funciona melhor para mim como um estudo histórico, do que por essa jornada do herói. 

Confesso que curto bastante livros sobre a igreja. Sou apaixonada por teologia de maneira geral, e tudo relativo a fé e o quanto ela fez o mundo rodar - e ainda faz - é intrigante para mim. Portanto o tamanho do livro não me assustou quando ele apareceu aqui em casa, e apesar de lá pelo meio ele ter uma queda considerável de ritmo, minha leitura foi rápida e instrutiva. 

Não sabia que, por exemplo, existia essa divisão na igreja, e que ao lado oriental dela era permitido casamento antes dos votos. Para mim essa coisa de celibato não passa de usura da igreja em não permitir briga entre os filhos dos padres por heranças de terra, por exemplo, que de início era da igreja. Entenderam? Quando os padres morrem, aquele lugar que eles viveram em vida volta ao poder da igreja. Se eles tivessem filhos, imagina a dor de cabeça que isso iria ser! Viu? Até na igreja existe política. E muita! Então eu super dei valor a esses padres ortodoxos! Não gosto de nada ao extremo, e eles parecem ser mais maleáveis a muitas coisas. 

Esse livro foi um banho de conhecimento para mim. Caldwell levou anos para escrever, e entendo a razão. Ele além de um livro ficcional, queria um tratado sobre o catolicismo e do que a igreja é capaz de fazer para defender seus segredos eternos. Vamos combinar que ainda hoje aquilo não deixa de ser político. 

Os personagens são ótimos juntos! Eles tem aquela união familiar, ao mesmo tempo que tem seus embates de opinião por pertenceram a vertentes diferenciadas da igreja. E o fato de Alex ter um filho, o coloca em um questionamento constante sobre o "ser criado dentro dos muros da igreja", como ele e o irmão foram. De algum modo, isso acaba influenciando as decisões e oportunidades dos meninos. E foi uma das abordagens que o autor deu que achei genial: Crianças criadas dentro dos muros da igreja. 

Caldwell se redimiu comigo com esse livro. E principalmente por esse pano histórico fantástico que nos apresentou. Os personagens bem emaranhados na ideia central, e o desenvolvimento do mistério que envolvia a morte de Ugo de fundo. Tudo conduz para o mesmo caminho, e tudo tem uma função interessante na história. Mesmo que minha agonia tenha sido grande lá no meio pela lentidão de uma trama policial, que deveria ser bem mais ágil, o autor soube me agradar com a resolução e tudo ao redor dessa parte investigativa. 

Gostei e indico de verdade para quem gosta de histórias sobre a igreja. Mas vão de coração aberto, ok? Nada é tão preto no branco. Tem que aprender a ser maleável em tudo na vida.